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Escrito por Neo Mondo | 28 de junho de 2019
“Hoje, 40% das terras usadas no mundo são destinadas ao agronegócio. Isso equivale a 30% das emissões mundiais e 70% do consumo de água. Precisamos, com urgência, tornar a cadeia mais resiliente. Nosso futuro depende da capacidade de criar sistemas de alimentos para garantir a nutrição da população”, afirma.
As mudanças climáticas afetam não só a capacidade produtiva, mas, segundo a Diretora de Comunicação e Relações Governamentais da DSM Latam, Zenaide Guerra, estão causando danos aos alimentos na forma nutricional. Para Zenaide, o desperdício precisa ser combatido com urgência.
“Da produção de alimentos destinada ao consumo humano, cerca de 30% é desperdiçado. Isso responde por 8% de gases do efeito estufa e 20% da água utilizada pela agricultura. O desperdício é real e causa sérios prejuízos aos seres humanos. Temos que ser capazes de entender as culturas locais de cada país e fortificar os alimentos básicos dessas dietas”, acredita.
O entendimento acerca do impacto da cadeia é um dos caminhos para torná-la mais resiliente. “O processo de mudanças climáticas passa por uma discussão muito grande sobre o acesso as informações. Munido de dados, os consumidores conseguirão fazer escolhas mais sustentáveis”, afirma Juliana Lopes, diretora de sustentabilidade da Amaggi.
Outro caminho é a aplicação de tecnologias disruptivas, como a integração lavoura, pecuária e floresta (ILPF). A modalidade, que prevê produção integrada, aumenta a produção por hectare ao mesmo tempo que reduz as emissões. A aplicação da técnica esbarra em algumas barreiras: assistência técnica e acesso ao crédito.
Renato Rodrigues, presidente da rede ILPF, destaca que, no Brasil, as áreas com utilização de técnicas de ILPF saltaram de dois milhões de hectares, em 2005, para 15 milhões, em 2018. A expectativa é de que, até 2030, 35 milhões de hectares estejam aplicando a tecnologia.
“A ILPF é uma tecnologia completa. Através dela fomos capazes de alcançar as metas do plano de agricultura de baixo carbono (ABC) antes do prazo. É um conjunto de técnicas que permite aumentar a produção garantindo a sustentabilidade do agronegócio”.