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Escrito por Neo Mondo | 2 de julho de 2019
De acordo com o relatório, os novos investimentos na infraestrutura levará ao aumento na produção e consumo de GNL, indo no sentido contrário daquilo defendido pelo Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (IPCC, sigla em inglês), que aponta para a necessidade de diminuir o uso de gás natural em 15% até 2030 e 43% até 2050 para limitar o aquecimento global em 1,5 grau Celsius neste século com relação aos níveis pré-industriais.
"O boom do GNL está acontecendo rapidamente, assim como metano está se tornando um fator significativamente pior do que se imaginava em termos de aquecimento global", argumenta Ted Nace, diretor executivo da GEM e coautor do relatório. "Há uma década, o fracking em larga escala estava apenas começando, e não tínhamos ideia de que a América do Norte se tornaria um grande exportador de gás. Os cientistas ainda não tinham percebido quão grandes e potentes seriam as emissões fugitivas de metano. Ainda hoje, fala-se em gás natural como uma ponte para energias renováveis, o que contraria completamente os fatos".
Devido à queda nos custos de alternativas renováveis, a expansão da infraestrutura de GNL pode enfrentar questões sobre viabilidade financeira de longo prazo e risco de ativos ociosos. No entanto, de acordo com o relatório, ainda há tempo para reverter esses investimentos, já que a maioria dos projetos ainda está em fase de pré-construção. Assim, ainda há tempo para uma moratória na infraestrutura de GNL antes que isso cause danos climáticos irreversíveis.
"O IPCC deixou claro que limitar o aquecimento a 1,5 grau Celsius exige reduções profundas nas emissões de metano imediatamente e a neutralidade de nossas emissões até 2050. Isso significa manter os estoques remanescentes de carvão no solo, reduzir pela metade o uso de petróleo e gás até 2050 e remover as emissões de metano resultante da produção e transporte de gás natural", aponta Christiana Figueres, ex-secretária-executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e uma das arquitetas do Acordo de Paris. "Não há espaço para mais infraestrutura de longo prazo dedicada a combustíveis fósseis no mundo. As fontes renováveis estão ganhando cada vez mais espaço e, hoje, são muito mais baratas, limpas e de produção descentralizada do que os combustíveis fósseis, que são poluentes e ainda precisam ser transportados até o consumidor. Para os países inteligentes, o futuro é renovável".
O levantamento é baseado no Global Fosssil Infrastructure Tracker (GFIT), um censo de instalações de petróleo e gás desenvolvido pela Global Energy Monitor. O GFIT usa a mesma metodologia que o Global Coal Plant Tracker (GCPT), que faz o mesmo tipo de análise para usinas de carvão e é usado por instituições como o Banco Mundial, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
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