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Escrito por Neo Mondo | 3 de julho de 2019

Para limitar a temperatura abaixo de 2oC, que é o objetivo menos ambicioso do acordo do clima, a situação é um pouco melhor: o “teto” estimado de emissões da humanidade é de cerca de 1,2 trilhão de toneladas, embora ele seja contestado por alguns cientistas – que argumentam que nós já gastamos quase metade disso e é preciso considerar emissões de outros gases de efeito estufa além do CO2.
“Nossos resultados mostram que basicamente não existe espaço para nova infraestrutura emissora de CO2 com as metas climáticas existentes. E, se o mundo quiser alcançar 1,5o C, as usinas fósseis e os equipamentos industriais existentes precisarão ser aposentados mais cedo, a menos que possam ser equipados com captura e armazenamento de carbono ou que suas emissões possam ser compensadas”, disse Steve Davis, de Irvine, coautor do estudo, publicado no periódico Nature.
Não ajuda o fato de a maioria dessas usinas e desses equipamentos estarem na China: 41% de toda a infraestrutura carbonizante está operando ou planejada para operar no gigante asiático – que tem 250 gigawatts de usinas a carvão para construir, mais do que todo o parque elétrico do Brasil somado.
Os investimentos na China para essa infraestrutura chegam a US$ 6 trilhões, e dificilmente alguém dirá aos chineses para abrirem mão disso. Afinal, mesmo que mais de metade do carbono emitido pela humanidade tenha ido para o ar apenas nos últimos 30 anos, foram os países desenvolvidos que causaram o problema originalmente – e os países em desenvolvimento não se esquecem disso.
A matemática do clima, porém, é implacável e não respeita história ou geografia: usinas chinesas, oleodutos norte-americanos e caminhões brasileiros vão ter que sair de cena.
“Embora analistas de clima e energia enfatizem que evitar 1,5oC de aquecimento, por exemplo, é ‘tecnicamente possível’, nossos resultados botam essa possibilidade em contexto: nós teríamos chance razoável de atingir a meta de 1,5oC com (1) uma proibição global de qualquer novo equipamento emissor de CO2 – incluindo a maioria das usinas fósseis já propostas, e (2) reduções substantivas nas vidas úteis históricas e/ou na taxa de utilização da infraestrutura já existente”, escrevem Tang e colegas.
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