IN. Sustentabilidade 

Cinza que te quero verde.

POR – REDAÇÃO NEO MONDO

 

Juan Quirós, dono da Advento (holding de quatro empresas de construção e engenharia de infraestrutura), é entusiasta dessa prática. “O cenário da construção sustentável no Brasil é extremamente positivo e promissor.O País ocupa a quinta posição no ranking mundial de países que investem em construções verdes, atrás dos Estados Unidos, que está na liderança, França, Alemanha e Reino Unido. Hoje, no Brasil, cerca de 100 empreendimentos possuem certi?cado do LEED – Leadership in Energy and Environmental Design, sendo que 83% destes estão concentrados no estado de São Paulo. A expectativa é de que, até o ?nal deste ano, 200 empreendimentos estejam certi?cados em todo o País”, a?rma.

O empresário, que integra o Conselho da Agenda Global para o Futuro da Construção Sustentável, no World Economic Forum, enumera os cinco pilares que caracterizam o edifício verde: “O primeiro é a e?ciência na prevenção e redução da degradação ambiental na atividade construtiva, com foco no controle da erosão e sedimentação do solo; o segundo é o uso de tecnologias para o controle do desperdício de água potável, de forma que também estejam voltadas para a preservação dos lençóis freáticos que passam pela localidade do terreno; terceiro, a utilização de sistemas elétricos capazes de reduzir o consumo de energia do empreendimento; quarto, o desenvolvimento de atividades para armazenagem e coleta de resíduos recicláveis; e quinto, a utilização de sistemas de climatização que estejam voltados ao controle ambiental do ar no interior do edifício”.

O grupo Advento se destaca entre os que fazem o mercado brasileiro ser um dos que dispõe de tecnologias e recursos, no entender de Quirós, “extremamente avançados que atendem a requisitos seguindo os padrões americano e europeu de construções sustentáveis”.

Ganhos e economias

Realista, Quirós lembra que o tripé da sustentabilidade de uma construção – ser ambientalmente correta, socialmente justa e economicamente viável – é seguido à risca, ao menos pelos empreendimentos detentores da certi?cação LEED. Falta, porém, ao segmento da construção no Brasil caminhar em busca da saudável unanimidade.

Nessa caminhada, empresários e investidores precisam entender que “o retorno ?nanceiro de um projeto Green Building se dá em médio prazo e não em curto prazo. É importante que o mercado esteja convencido quanto aos ganhos e economias proporcionados pelo green building. Contudo, é importante registrar que o mercado brasileiro de construção civil acompanha a tendência na implementação de práticas de controle e preservação ambiental”, avalia.

Construções industriais e comerciais estão mais avançadas em relação às residenciais no País em projetos de sustentabilidade. O que faz o empresário apontar outra necessidade: “A ideia é que esses empreendimentos possam maximizar no curto prazo os ganhos com a preservação do meio ambiente, mediante a redução de 33 a 39% da emissão de CO2, 14% do consumo de água potável, 24 a 50% do consumo de energia elétrica e, por ?m, 70% dos resíduos sólidos gerados pela sua operação”.

Inversão cultural e CEF

Quirós ressalva que essa realidade não signi?ca que construções residenciais abdiquem das práticas de preservação ambiental. E defende a urgência de “uma inversão cultural que envolva sociedade, governo e iniciativa privada em torno de uma política de sustentabilidade para o setor residencial”.

Para quem já foi homem de governo (ele deu a sua contribuição à administração Lula, de 2003 a meados de 2008, quando esteve na presidência da Apex Brasil – Agência de Promoção de Exportação e Investimentos), o empresário se sente à vontade para sugerir: “Acredito que a Caixa Econômica Federal (CEF) tem todo o potencial para se tornar um agente viabilizador de projetos sustentáveis com linhas de ?nanciamento direcionadas à construção de residências sustentáveis”.

Diversidade e expectativas

Com mais de 1.300 obras realizadas no Brasil e no exterior – entre elas, a maior unidade da Sadia, em Lucas do Rio Verde (MT), o Ventura Corporate Towers, no Rio de Janeiro, e os hospitais Amil e Samaritano, na capital paulista -, a Advento é o único grupo de construção e engenharia turn key da América Latina.

Quirós é acionista majoritário nesse modelo de negócio (que tem entre seus acionistas o banco Credit Suisse), e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), desde 2007. Autoridade não lhe falta para falar das expectativas setoriais e do País como um todo.

“Se a comunidade empresarial mostra-se na vanguarda com relação à viabilização de projetos sustentáveis”, todavia “para que haja uma ampliação do mercado de green building no Brasil é necessária a articulação de uma política envolvendo governo, empresas e sociedade, na qual o governo entraria com o ?nanciamento e apoio, as empresas com a execução e a sociedade com a conscientização sobre a importância quanto aos ganhos obtidos com a preservação do meio ambiente”.

Copa do Mundo, divisor

Quirós está convicto de que empresários e investidores acompanham a mudança cultural do mercado em torno das construções sustentáveis. E considera a Copa de 2014, no Brasil, como um divisor de águas. Para o dono da Advento, “existe uma grande expectativa de que não só os novos estádios, mas também as obras de infraestrutura que serão executadas no País sigam as práticas de preservação do meio ambiente, reforçando a imagem do Brasil como um país preocupado com a sustentabilidade”.

Na visão do empresário, o evento esportivo de maior projeção mundial só trará avanços significativos se cada um fizer a sua parte, como explica: “O governo terá um papel preponderante na fase de viabilidade dessas obras, pois boa parte delas será financiada com recursos públicos. Diria que esta é uma excelente oportunidade para a criação de um esforço conjunto entre governo e iniciativa com foco na maximização do potencial do mercado de construções sustentáveis no Brasil”.

Convergência de interesses

O empresário chama atenção, ainda, para a necessidade da convergência de interesses que deve ser a base de um empreendimento sustentável. E fala de cátedra: “O cliente deve estar convencido quanto aos benefícios de uma construção planejada sob aspectos que envolvam responsabilidade ambiental; em contrapartida, nosso Grupo deve estar devidamente quali?cado para a execução dessas práticas, pois, paralelo ao compromisso que assumimos com o cliente, temos também a responsabilidade pelo bem-estar de todos aqueles que estarão envolvidos no projeto, incluindo seus futuros ocupantes”

O pioneirismo do grupo Advento é facilmente percebido em sua trajetória, desde a origem em 1994, em Campinas (SP), até chegar ao porte da organização nos dias de hoje. Para Quirós, questão de honra é a
quali?cação de seus pro?ssionais – de engenheiros a funcionários do canteiro de obras, passando pelos técnicos – que resulta na obtenção de números promissores para a empresa e garantia de tranquilidade social. “Hoje, entre 5 e 10% dos projetos executados por nós obedecem às práticas do LEED, e seus respectivos proprietários consideraram a expertise do Grupo no momento da negociação”, conclui.

Quadro 1- Benefícios abrangentes

O edifício verde proporciona:
• preservação do meio ambiente
• ganhos econômicos e institucionais ao investidor
• redução de 8 a 9% dos custos operacionais
• valorização de 7,5 a 10% do valor de mercado
• 3% de valorização no preço de aluguel

Fonte: Grupo Advento

Quadro 2 – Composição da holding

Principais características do grupo Advento:
• sede em São Paulo e obras no Brasil e no exterior;
• 2 mil funcionários;
• 4 empresas especializadas em engenharia de infraestrutura: Serpal Construtora, Vecotec Sistemas de Climatização, Vox Engenharia Elétrica, Hidráulica e Mecânica, e Temar – Manutenção Integrada;
• uma de suas realizações, o Ventura Corporate Towers é o principal empreendimento comercial de alto padrão green building do Rio de Janeiro;
• R$ 580 milhões em negócios durante 2008.

Fonte: Grupo Advento

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