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ESPECIAL DIA DA AMAZÔNIA – CARLOS NOBRE EXCLUSIVO PARA NEO MONDO

POR – ELENI LOPES, DIRETORA DE REDAÇÃO DE NEO MONDO

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“Estivesse a democracia firmemente implantada no país, jamais assistiríamos à barbárie que estamos vendo de ataque frontal à Amazônia” (CN).

Presente no imaginário nacional e internacional, a preservação da Amazônia é unanimidade entre leigos e especialistas. No entanto, cresce a discussão sobre modelos sustentáveis de exploração da floresta. NEO MONDO teve uma conversa exclusiva sobre o desenvolvimento econômico da Amazônia com Carlos Nobre, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza e Climatologista, uma reunião de profissionais, de referência nacional e internacional, que atuam em áreas relacionadas à proteção da biodiversidade e assuntos correlatos, com o objetivo de estimular a divulgação de posicionamentos em defesa da conservação da natureza brasileira.

NM – O que o Brasil perde com a ameaça à Amazônia?

 CN -A Amazônia mexe com o imaginário da população de todo mundo e isso é particularmente notável entre nós, brasileiros. Em todas as pesquisas de opinião recentes, cerca de 95% da população brasileira é contra o desmatamento desta magnífica floresta tropical. Estivesse a democracia firmemente implantada no país, jamais assistiríamos à barbárie que estamos vendo de ataque frontal à Amazônia, pois qualquer iniciativa que colocasse em risco a estabilidade da floresta, dos rios e dos inúmeros ecossistemas teria que ser amplamente discutida pela e com a sociedade e deveria ser aprovada.

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NM – Mas então qual o modelo econômico ideal que garanta sua preservação mas também o desenvolvimento da economia local? 

CN – O Brasil perde muito com as ameaças que rondam a Amazônia pelos riscos de um desenvolvimento que é literalmente cego para as riquezas da floresta. É um modelo baseado na extração e exportação de commodities e de minérios de uma economia primária e primarizada cada vez mais. Em primeiro lugar, o desmatamento, a devastação, as queimadas, a poluição dos rios, a extinção de plantas e animais retiram o valor imaterial de um bem desejado pelas pessoas que querem conservar a Amazônia para si e para as futuras gerações, desejo este que deveria ser respeitado antes de mais nada. Mas a Amazônia é também um celeiro imenso de riquezas materiais. O grande valor econômico da floresta não é sua substituição para expansão da fronteira de commodities e para extração de minérios. Seu incalculável valor econômico se esconde na imensa biodiversidade e nos ativos biológicos de literalmente milhões de espécies que lá existem.  As modernas ferramentas da ciência e da tecnologia podem ser colocadas a serviço de relevar estes segredos biológicos e muitos deles encontrariam inúmeras aplicações para a sociedade brasileira e para a sociedade global.

NM – Você teria um exemplo da aplicação deste modelo que una ciência, conservação e tecnologia?

CN – A palmeira do açaí dá uma pequena medida deste gigantesco potencial, ainda muito pouco explorado. Hoje, já gera uma potente economia regional que depende da floresta em pé em sistemas agroflorestais bem manejados por populações locais e atinge mercados globais. Há centenas ou milhares de produtos originários da biodiversidade Amazônica para os quais já se conhecem aplicações, ainda que um potencial muito maior necessita ser descoberto. Uma combinação de moderna ciência e tecnologia com educação de populações amazônicas e o surgimento de bioindústrias de aproveitamento dos ativos biológicos da floresta e dos rios seria vetor de desenvolvimento econômico, com inclusão social. Algo que todos os brasileiros aspiram e a Amazônia definitivamente não está a venda.

 

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