O Fórum de Manaus reuniu líderes empresariais, políticos e ambientais em torno de um tema extremamente importante: a sustentabilidade econômica, ambiental e social da Amazônia. Como foi ressaltado diversas vezes durante o Fórum, o Estado
do Amazonas é um modelo em preservação florestal, possuindo mais de 90% da sua cobertura original de floresta, uma realidade que é bem diferente do que acontece nos demais estados da região.
Pode-se ter certeza que a existência do polo industrial do Estado do Amazonas tem contribuído e tem sido um dos responsáveis pela manutenção dessa impressionante cobertura florestal, pois viabiliza outras formas de desenvolvimento econômico para a população. Já existe o programa Zona Franca Verde, o qual visa promover o desenvolvimento sustentável do Estado do Amazonas a partir da filosofia que a floresta vale mais em pé do que derrubada. A produção florestal, pesqueira, agropecuária e a atividade turística baseiam-se na tríade da sustentabilidade: uma relação harmoniosa entre o meio ambiente, a exploração econômica e o bem-estar social.
Durante o Fórum, foi apresentada a proposta de criação do “Selo Amazônia Sustentável” para diferenciar, no mercado nacional e internacional, os produtos feitos na Zona Franca de Manaus e, assim, incentivar o crescimento do polo industrial, gerando mais empregos e alternativas de renda para a população da região. Somando-se os incentivos fiscais e a prioridade governamental em fomentar a produção industrial na Zona Franca de Manaus com a falta de estradas para o escoamento de produtos florestais e a política de agregar valor aos produtos naturais que compõem a principal riqueza do Estado do Amazonas, existe uma clara consciência, conforme destacado pelo governador Eduardo Braga, de que as 66 etnias de povos indígenas e as populações locais são os verdadeiros “guardiões da floresta”.
Com esta política, o amazonense é incentivado a buscar outras fontes de renda em vez de explorar de forma indiscriminada os recursos naturais, prática que deixa um rastro de miséria ambiental e social após sua passagem. É fácil perceber que o caminho mais eficaz para manter a floresta em pé é não sobrecarregar a exploração da madeira nem tratá-la como única fonte de renda.
Dentre as lideranças nacionais e internacionais que estiveram no Fórum em Manaus, o prêmio Nobel da Paz, Al Gore, também ressaltou a importância da preservação da Amazônia e a necessidade de se proteger a rica biodiversidade que existe na floresta. O ex-vice-presidente norte-americano afirmou enfaticamente que: “vender uma floresta pelo valor da madeira é o mesmo que vender um computador pelo preço do silício. O valor real da Amazônia está em toda a informação que ela contém. A cura de diversas doenças está na floresta”.
Também foi muito enfatizada a responsabilidade das presentes gerações em relação às gerações futuras. Este compromisso, aliás, é um princípio basilar do Direito Ambiental e está presente no próprio artigo 225 da Constituição Federal de 1988. A nossa Constituição é categórica ao afirmar que o Poder Público e a coletividade têm o dever de defender e preservar o meio ambiente para as presentes e as futuras gerações. Foi essa linha de pensamento que levou o cineasta James Cameron, também presente no evento, a indagar da platéia: “que tipo de ancestrais nós queremos ser?”.
Sem sombra de dúvidas, a organização de um Fórum para reunir lideranças empresariais para discutir a sustentabilidade da região amazônica foi muito pertinente e oportuna. Diversas perguntas que surgiram durante o Fórum diziam respeito às medidas e incentivos que precisam ser adotados para direcionar o mundo para uma economia de baixo carbono ou, ainda, como as empresas podem participar do mercado de carbono e, até mesmo, qual a responsabilidade das empresas na criação de uma economia sustentável na Amazônia.
Fica claro que o primeiro passo é deixar de lado as soluções imediatistas. Um excelente exemplo de que é preciso investir em soluções de longo termo, e não apenas momentâneas, são as questões que envolvem os problemas causados pelas mudanças climáticas. Se estamos realmente preocupados com a qualidade de vida das futuras gerações, precisamos fazer grandes investimentos agora. É verdade que muitas empresas ainda não incluíram o tópico mudanças climáticas em seus programas de sustentabilidade.
Muitos empresários não sabem como lidar com os riscos e até mesmo com as oportunidades relacionadas com esse tema tão complexo. Na verdade, o mais grave é que muitas empresas ainda não possuem programas e estratégias voltadas para a promoção da sustentabilidade. Esta realidade nos leva de volta à frase inicial: é necessário conhecer para preservar. É a partir do conhecimento dos riscos e das oportunidades que as empresas vão investir e participar com liderança na busca pela sustentabilidade, não apenas no Estado do Amazonas, mas em todo o País.
* Advogada e consultora ambiental e mestre em Direito Ambiental (UFSC), Doutoranda na Humboldt Universität (HU) em Berlim.
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