Desse modo, as ex-metrópoles, criadoras da pobreza nas ex-colônias (Ásia, América Latina, África...), se dispõem a colaborar para que essa situação de miserabilidade desapareça. São enviados equipamentos, transferência de knowhow, planos estratégicos, empréstimos, especialistas; são realizados colóquios, ciclos de estudo, debates, teses, centros de pesquisa recebem financiamento
(Ford, Rockfeller, Fullbrigh, Gubenkian, dentre outras) convênios bilaterais são assinados. Assim, o desenvolvimento passa a ser aceito, de modo indiscutível como a nova religião dos tempos contemporâneos, que aliado ao mito do progresso se opõe á tradição.
Muitos autores renomados, como; Kamarck, apoiam-se, para elaboração de suas propostas, na visão do esquema dual de sociedade, vista como tendo dois eixos opostos complementares; o moderno e o tradicional. Aí teríamos dicotomias: campo/cidade, desenvolvido/subdesenvolvido, rural/urbano, atraso/progresso, tecnologias complexas/tecnologias simples, comunidades ágrafas/sociedades com escrita, economia com produção de excedente/economia auto-suficiente.
Enfim, a mística do desenvolvimento perpassa por todos os cantos do planeta, temos um globalização vinda de fora, burocratização das empresas e do aparelho do Estado, expansão do neo-liberalismo. No caso particular de nosso país, a partir das décadas de 70/80 vemos a penetração desse modelo, e da tese liberal de que a economia monetária é libertária, capaz de salvar a Humanidade das incertezas da dependência da natureza, mas o que assistimos é o êxodo rural, a intensificação da urbanização e formação de bolsões de miséria e de desigualdades.
Mas, os custos sociais e ambientais irreparáveis,e, em nomes das gerações futuras devemos pensar em modelos econômicos alternativos em soluções auto sustentáveis que permitam um expandir de nossas potencialidade e não apenas de transferências de um receituário exógeno.
Muitos dos projetos provocam efeitos perversos principalmente junto às comunidades envolvidas que não participaram da tomada das decisões, por serem destinatárias passivas em todo o processo. As resoluções são posta em ação a partir do que os especialistas acreditam que sejam os problemas, numa técnica racionalidade externas ás populações envolvidas,que introduz necessidades novas, antes inexistentes. Assim todo o ecossistema é atingido bem como os valore sociais pois os envolvidos tem a sua frente o novo deus
da modernidade que deve ser cultuado,e, os valores tradicionais rotulados de retrógrados e atrasados,devendo ser abandonados pois dificultam o progresso.
* Professora doutora da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, socióloga pela FFLCH\USP, mestre pela Universidade de Uppsala, Suécia, e Professora convidada para ministrar aulas sobre Cultura Brasileira na Universidade de Estudos Estrangeiros, no Japão, em Kyoto.
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