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Morrer de fome ou vítima de obesidade?

Morrer de fome ou vítima de obesidade?

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Seção: Editorias - Categoria: Artigos
Escrito por Rosane Magaly Martins* Qua, 07 de Julho de 2010 23:16

Enquanto países em desenvolvimento estudam estratégias políticas e econômicas para extirpar a fome e pobreza de seu “menu”, outros países tratam a obesidade
de seus cidadãos como um problema que deverá ser combatido e enfrentado. Países desenvolvidos como Japão e Estados Unidos enfrentam uma verdadeira epidemia de pessoas obesas que desenvolvem as mais variadas doenças decorrentes de uma alimentação hipercalórica e do sedentarismo.

O paradoxo é a informação das Nações Unidas que prevê que o século 21 será o século da fome. O problema da fome agravou-se em 2009 e, segundo o relatório apresentado pela ONU, a quantidade de famintos em todo o planeta aumentou para 1,02 bilhão de pessoas. Em termos estatísticos, uma em cada seis pessoas do planeta não dispõe de alimentação em quantidade suficiente. A maioria dos subnutridos e famintos vive em países em desenvolvimento, em especial no continente africano.

A humanidade sempre se preocupou com a alimentação da população, pois a fome e a subnutrição sempre estiveram presentes na sociedade. A tualmente o
percentual de pessoas obesas igualou e/ou superou o de pessoas subnutridas, fato que ocorreu pela primeira vez na história da humanidade. A obesidade é caracterizada pelo acúmulo de gordura, que aumenta a massa corpórea, assim, o peso fica acima do ideal.

O estado patológico provoca uma predisposição maior a doenças, como problemas de coração, diabetes, sem contar que pessoas obesas têm uma expectativa de vida menor do que a de um indivíduo de peso normal. Na China, o país mais populoso do mundo, estimativas revelam que o índice de obesos já atingiu 15% da população, enquanto que o de subnutridos é de 11%. O agravante é que à medida que diminui o percentual de subnutridos, aumenta o de obesos.

Nos EUA, recente levantamento mostra que 30% dos americanos são obesos, mas esse número provavelmente deve ser maior, cerca de 50%, isso porque eles possuem critérios avaliativos não muito rígidos, diferentemente dos europeus. Na Europa e Japão a obesidade atinge 20% da população. No Brasil a porcentagem de obesos atinge 11% da população adulta, número bastante superior ao de subnutridos, que é de 4%. As principais causas da obesidade é o alto consumo de alimentos não saudáveis, sedentarismo e consumo de alimentos industrializados.

A Organização Mundial de Saúde criou um termo chamado “globesidade”, decorrente das mudanças ocorridas no processo de globalização. Mas esse problema não se restringe aos ricos e à classe média, é também problema dos pobres. Nas duas últimas décadas os brasileiros transformaram os modos alimentares, deixaram de lado o tradicional arroz e feijão, para ingerir alimentos como cachorro quente, sanduíches e fastfood em geral. Esse tipo de alimento é altamente prejudicial à saúde. Estas são algumas das novas demandas da saúde pública mundial, onde combate-se a subnutrição em algumas regiões e obesidade e sedentarismo noutras. Na maioria dos governos o risco de evento futuro é repassado ao indivíduo, que deverá assumir a fatura de seu modo de vida.

Termos uma cintura fina e hábitos de vida saudável não evitará que sejamos acometidos de alguma doença, muito menos que estaremos livres de qualquer sofrimento. Os riscos de viver estão presentes desde nossa concepção. Vitoriosos aqueles que podem viver e morrer longe de toda esta pós-modernidade controlada, individualizada em que estamos nos inserindo e sofrendo por antecipação.

Campanha contra obesos

O Japão não é um país conhecido pelo excesso de peso de seus cidadãos, mas mesmo assim empreendeu uma das mais ambiciosas campanhas nacionais já tentadas para criar uma população mais magra e – em consequência –, saudável. Para atingir seu objetivo de reduzir em 10% (próximos quatro anos) e em 25% (próximos sete anos) a população com excesso de peso, o governo imporá penalidades financeiras às empresas e governos regionais que não consigam cumprir metas específicas.

Uma lei nacional que entrou em vigor no início de 2010 obriga que empresas e governos realizem a medição das cinturas dos japoneses com idade entre 40 e
74 anos, como parte de seus exames anuais de saúde. Isso representa mais de 56 milhões de cinturas, ou cerca de 44% da população do país. Aqueles que excederem os limites prescritos pelo governo - 85 centímetros para os homens e 90 centímetros para as mulheres (norma estabelecida em 2005 pela Federação
Internacional do Diabetes) poderão apresentar riscos de saúde. Aqueles que estiverem sofrendo de doenças relacionadas ao excesso de peso receberão orientação dietética, caso não percam peso em prazo de três meses. Se não houver resultado, as pessoas serão encaminhadas a novos programas de reeducação depois de seis meses.

O Ministério da Saúde japonês argumenta que a campanha ajudará a manter sob controle a expansão de doenças como o diabetes e as circulatórias. Óbvio que o objetivo da redução de peso dos japoneses é reduzir os custos dos serviços de saúde, em uma sociedade que está envelhecendo de forma acelerada. Caso os japoneses continuem a engordar, poderão aumentar os custos de consultas, internações e o uso excessivo de medicamentos que elevam os custos de saúde no país. Aqueles que não alcancem as medidas estipuladas, perderão os benefícios dos planos públicos de saúde, passando a arcar integralmente com os custos
de planos de saúde privada.

O perigo desta campanha do Japão e iniciada em outros países é desenvolver uma fobia social contra obesos, que passam a ser vistos de maneira negativa.
Empresas japonesas estão obrigando seus funcionários a cumprir as metas de emagrecimento ou correm o risco de pagar multas de até US $ 19 milhões ao governo, por conta do aumento dos custos com a saúde pública.

Corra que a polícia vem ai

No mesmo mês em que as drásticas notícias do Japão tomam noticiários do mundo, outro fato estarrece gordinhos do mundo todo. O governo da África do
Sul não vai mais tolerar policiais acima do peso. Alguns estados adotaram a partir de março a política de tolerância zero para os policiais obesos do país. Eles
terão que caber nos uniformes que usavam quando foram treinados para entrar para a polícia. Os que fizerem pedidos de ajustes e alargamento das fardas terão
seus pedidos negados e, em vez dos ajustes, receberão um plano de perda de peso que dura um ano, para que suas antigas roupas voltem a servir. Aqueles
que não conseguirem perder peso depois deste programa serão demitidos.

Já no México o governo também incentiva seus policiais, frequentemente obesos, a emagrecer, com apelo positivo da recompensa. Algumas cidades mexicanas prometem um prêmio de 100 pesos (cerca de 7 euros) por quilo perdido. Há uma forte orientação para que os policiais pratiquem mais esporte e vigiem seu peso, o que não surtiu resultados esperados.

Síndome metabólica

O termo “Síndrome Metabólica” descreve a associação de diversos problemas que aumentam a chance de uma pessoa desenvolver doenças cardíacas, derrame cerebral e diabetes. A causa exata da síndrome metabólica ainda não é conhecida, mas a carga genética (características herdadas da família), além do excesso de gordura no corpo e a falta de atividade física, auxilia no desenvolvimento dessa condição. O diagnóstico de síndrome metabólica é feito quando a pessoa apresenta três ou mais dos problemas como ganho de peso, especialmente no abdômen, história de diabetes na família, pressão alta, alto nível de colesterol (gorduras) no sangue e sedentarismo (pouca atividade física).

Possuir três ou mais desses fatores de risco é um sinal de que o corpo é resistente à ação da insulina, um importante hormônio produzido pelo pâncreas. A
insulina tem várias ações importantes, sendo uma delas o controle dos níveis de glicose no sangue. Quando a insulina é produzida mas não consegue exercer
seus efeitos adequadamente, surge a resistência à ela – ou seja, mais insulina que o normal é necessária para manter o corpo funcionando e para controlar a
glicemia.

Uma em cada cinco pessoas, nos países desenvolvidos, é portadora da síndrome metabólica. A síndrome geralmente segue um padrão familiar. Isso quer dizer que, se alguma pessoa tem a síndrome, várias outras pessoas na sua família geralmente também são portadoras dela. É mais comum em negros, indígenas e orientais. Quanto mais velha a pessoa, também maior é sua chance de desenvolver a síndrome metabólica.

A maioria das pessoas que têm a síndrome metabólica sente-se perfeitamente saudável e pode não apresentar quaisquer sintomas. No entanto, essas pessoas têm uma chance muito aumentada de desenvolver doenças sérias no futuro, tais como infarto do miocárdio, diabetes e derrame cerebral, e por isso devem ser tratadas.

Pessoas com risco de apresentar a síndrome metabólica devem procurar um médico, de preferência um especialista. O endocrinologista, especialista em hormônios e metabolismo, pode avaliar se a pessoa apresenta ou não a síndrome metabólica e também recomendar o melhor tratamento.


CONFIRA OS PARÂMETROS DA SÍNDROME METABÓLICA

Vários critérios foram criados para encontrar e diagnosticar a síndrome metabólica. Em 2005, a American Heart Association e outras entidades coligadas fizeram uma revisão de critérios. Estabeleceram o diagnóstico de síndrome metabólica quando a pessoa apresenta em conjunto três ou mais dos seguintes critérios:

• Perímetro abdominal aumentado:
Homem — Igual ou superior a 102 cm
Mulher — Igual ou superior a 88 cm
• Triglicerídeos elevado: Igual ou superior a 150 mg/dL (ou a utilização de fármacos para o controle)
• Colesterol HDL (“bom”) diminuído (ou a utilização de fármacos para a sua elevação)
Homem — Inferior ou igual a 40 mg/dL
Mulher - Inferior ou igual a 50 mg/dL
• Pressão arterial elevada: Igual ou superior a 130/85 mmHg (ou a utilização de fármacos para o seu tratamento)
• Elevação da glicose em jejum: Igual ou superior a 100 mg/dL (5.6 mmol/L) (ou a utilização de fármacos para o tratamento da hiperglicemia

* Escritora, advogada pós-graduada em Direito Civil, com especialização em Mediação de Conflitos pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Pós-graduada em Gerontologia (FURB/2005) e Gerencia em Saúde para Adultos Maiores (OPS/México) com formação docente em Gerontologia (Comlat/Colômbia). Fundadora e presidente da ONG Instituto AME SUAS RUGAS, participando desde 2007 na Europa e na América Latina de congressos, cursos e especialização que envolve o tema. Organiza a publicação da coleção de livros “Ame suas rugas” lançados no Brasil e em Portugal.

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Site: www.rosanemartins.com