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Arte no Dique

Arte no Dique

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Seção: Editorias - Categoria: Cultura
Seg, 19 de Janeiro de 2009 14:13
A arte tem mudado a realidade de crianças e jovens, moradores de bairros pobres da cidade de Santos, principalmente do Dique da Vila Gilda, localizado na Zona Noroeste. Um projeto iniciado há cinco anos nessa comunidade, em parceria com o Grupo Cultural Olodum da Bahia, Comissão de Moradores do Dique da Vila Gilda, Ministério da Cultura e Instituto Elos já mostra resultados efetivos. O que começou como projeto se transformou no Instituto Arte no Dique e em dezembro, um de seus núcleos, a Banda Querô, lançará seu primeiro cd.

O diferencial dessa proposta de inclusão social e cultural está na experiência e gestão profissional de seus executores, que primam pela qualidade das ações exercidas e mobilizam grandes empresas, órgãos públicos, universidades, artistas e profissionais de renome. José Virgílio Leal de Figueiredo, coordenador cultural da entidade, explicou que o Instituto hoje mantém a Escola Popular de Arte e Cultura “Plínio Marcos”. Por lá já passaram mais de 500 pessoas em cursos gratuitos de percussão, canto, violão, teatro, dança, desenho gráfico e artesanato, em turmas infantil, jovem e adulto.

DIQUE DA VILA GILDA

O Dique da Vila Gilda é uma das regiões mais carentes da cidade de Santos, com uma população de aproximadamente 22 mil habitantes. No entanto, as condições precárias, como moradias em palafitas à beira do mangue, sobre o Rio Bugre, não são impedimento ao talento, à criatividade e ao vigor artístico. Eles comprovam isso nos espetáculos, shows, exposições e demais atividades que impressionam e emocionam o público, pelo alto nível de produção.

EDUCAÇÃO

O coordenador explicou que a educação é uma das premissas do trabalho desenvolvido. A entidade obteve inclusive, a parceria de uma universidade da região, que fornece algumas bolsas de estudos, que são distribuídas aos integrantes que obtém os melhores resultados nos vestibulares. Mas além da oportunidade de graduação, o Instituto vislumbra outras propostas educativas. “Sabemos que atualmente há muitas pessoas com curso superior e poucas vagas no mercado de trabalho” – disse Figueiredo. Por isso, a entidade aposta na formação técnica em áreas artísticas. Como uma conseqüência natural obtida com o amadurecimento do projeto, o próximo passo será implementar os cursos técnicos para formação de cenógrafos, figurinistas, maquiadores, contra-regras, roadies (técnicos que afinam instrumentos musicais no palco). “Oferecer formação técnica no segmento artístico pode permitir que tenham bons empregos e sejam de fato, incluídos” – destaca.

NOVOS PROJETOS


Entre os novos projetos, que devem emplacar em 2008, está o espetáculo teatral “Refavela, refazendo o sentido”, que trata da obra e vida de Gilberto Gil. O projeto tem apoio do homenageado e de uma grande siderúrgica da região, através da Lei Rouanet de incentivo à cultura.

Outra ação prevista é o Núcleo de Rádio e TV. O estúdio já está pronto, assim como a parceria com uma Universidade santista, nas áreas de comunicação e biologia, para a realização de um documentário ambiental sobre o Dique, que está em área de manguezal. A água deve ser um dos principais temas abordados nesse trabalho.

FATOR DEMOCRÁTICO

O projeto nasceu por acreditar que a arte, assim como o esporte, é fundamental para a construção de uma sociedade, por sua capacidade inclusiva. Ela é uma evidência incontestável de que raça, cor, religião, condição social ou quaisquer outras características não são impedimentos para o talento, saberes e habilidades pessoais. Figueiredo relata que quando essas aptidões são bem direcionadas permitem vislumbrar um futuro promissor e se contrapõem às situações hostis como a violência, a marginalidade e o desemprego, tão presentes nas vidas das comunidades carentes. “Todo jovem quer um tênis de marca, um celular moderno, quer usar uma roupa boa, sair, se divertir” – defende ele. Por isso, garantir a eles uma formação profissional de qualidade é assegurar opções dignas de trabalho e abrir perspectivas de transformar esses sonhos em projetos de vida. Os integrantes da Banda Querô já sabem disso, atualmente, são todos músicos profissionais.

BANDA QUERÔ

O grupo nasceu da primeira oficina criada: de percussão. Hoje, já ganhou a inclusão de novos instrumentos e agora é composta por baixo, guitarra e teclados. O vocalista Ubiratan Santos, é também o mestre de percussão do grupo.

Esse primeiro álbum é composto de 14 músicas, dentre elas Refavela, de Gilberto Gil, Primavera e Gostava Tanto de Você, de Tim Maia. As demais faixas são canções cedidas por compositores como Gigi e Fabinho O’Brien (autores de Flor do reggae e Quando a Chuva Passar, sucessos de Ivete Sangalo), Elpídio Bastos e Rui Braga (diretor musical e tecladista do Olodum), além de Marquinhos Marques, Peu Meuray, Márcio Brasil, Leo Pit Bit, Índio, Dória, Duler, Serginho e Tonho Matéria. Os arranjos serão de Alex Oliver, Tubinaga e Elpídio Bastos. A foto da capa do disco é do fotografo Araquém Alcantara, considerado um dos maiores fotógrafos brasileiros.

O Cd apesar da influência do samba-reggae, tem a mistura de vários estilos, mas com preservando um estilo bem dançante.

O grupo já está profissionalizado e realizando shows, inclusive para empresas e eventos. O nome Querô é uma homenagem ao personagem principal de “Querô, uma reportagem maldita”, obra do dramaturgo santista Plínio Marcos.