No Brasil 41% da população está com sobrepeso, ou seja, acima do seu peso ideal. A informação é do Ministério da Saúde, com base em três inquéritos nacionais de antropometria, realizados pelo IBGE. Isso é um dado alarmante na medida que a obesidade já se tornou um dos mais graves problemas de saúde pública da sociedade moderna. Conforme o presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica - ABESO, Marcio Mancini, a obesidade vem adquirindo proporções epidêmicas.
Segundo Mancini há algumas formas de se medir o grau de sobrepeso e de obesidade, sendo que o IMC (Índice de Massa Corporal) se tornou o método padrão entre médicos. O cálculo considera o peso (em kg) dividido pelo quadrado da altura (em metro). “O IMC tem cálculo simples e rápido, apresentando boa correlação com a adiposidade corporal” – disse. Conforme a Organização Mundial da Saúde, as pessoas com IMC acima de 30Kg/m² apresentam obesidade (ver tabela).
Segundo a médica e professora de Endocrinologia da Faculdade de Medicina do ABC, Maria Angela Zaccarelli Marino, a obesidade já se tornou uma epidemia.
Ela explicou que a doença é caracterizada pelo acúmulo de gordura sob a pele e ao redor de certos órgãos internos. O mal traz sérios riscos à saúde e ocasiona doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, diabetes melito tipo 2, moléstias osteoarticulares, doenças respiratórias (Síndrome de Pickwick e apnéia noturna) e dermatológicas, cálculos biliares, esteatose hepática e problemas psicológicos. Ao contrário da crença popular de que todo “gordinho” é feliz e bem humorado, a pessoa obesa está mais sujeita a baixa estima, distorção da imagem corporal, solidão, dificuldade de relacionamento, de arrumar emprego, dentre outros.
Para a coordenadora da Política de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Ana Beatriz Vasconcellos, esse grave problemas de saúde pública tem sido alvo de preocupação por parte do governo federal, que através de políticas públicas tem buscado dar uma resposta à sociedade, mobilizando os serviços de saúde e de educação sobre as questões de alimentação saudável. Para ela, as soluções passam pela conscientização e por ações que permitam uma mudança comportamental no que tange a nutrição. “Além das campanhas e ações adotadas junto às redes de saúde e educação, há propostas e estudos que pretendem uma normatização mais ética das propagandas e publicidades de alimentos” disse ela, que entende que a forma como vêm sendo realizada hoje estimula um consumo inadequado de sal, açúcar e gordura.
A coordenadora disse que ainda este ano, o IBGE deve realizar novas pesquisas para verificar as mudanças de perfil nutricional da população brasileira. A região sul do país, segundo dados dos inquéritos realizados até agora apontam a região sul, como uma das mais afetadas. Também a camada populacional que tem renda de dois a cinco salários mostra-se bastante vulnerável ao problema.
Mas de um modo geral, conforme explicou a professora Maria Ângela, o mal atinge indiscriminadamente todas as camadas sociais e etárias, incluindo-se as crianças. “Os principais motivos, na sua opinião médica, são: o sedentarismo e a má alimentação (frituras, gorduras, embutidos, condimentos e excesso de carboidratos).
É unânime a percepção de que para evitar um quadro epidêmico, torna-se necessário criar um ambiente propicio à mudança de hábitos, inclusive culturais. “Precisamos eliminar o conceito de que obesidade é sinal de saúde e prosperidade” – enfatizou a professora
Ela defende ainda que em relação às crianças é preciso investir na educação, pois se educadas com bons hábitos alimentares, provavelmente, levarão essa influência para a vida adulta.
É nesse ponto que, segundo Ana Beatriz, o governo está reforçando sua atuação, através de portarias para inserir a educação alimentar de forma transversal no currículo escolar, bem como o monitoramento do perfil nutricional dos alunos. Outras medidas visam desestimular os maus hábitos alimentares, através da restrição ao comércio de alimentos ricos em açúcar, gordura e sódio nas cantinas (ainda aguardando regulamentação nacional) e o incentivo através da oferta de frutas, legumes e verduras na merenda escolar.