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É eco e não é chato

É eco e não é chato

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Seção: Editorias - Categoria: Cultura
Escrito por Heloisa Moraes Qui, 25 de Fevereiro de 2010 14:45

Outros defendem a genial criação de mundo, raça e cultura completamente nova, além do apelo sustentável e da mensagem socialmente correta que parecem reforçar o lembrete de uma realidade na qual nós, humanos, andamos meio desesperados em busca de uma solução planetária. Apesar da divergência de opiniões, todos admitem a beleza surreal proporcionada pela tecnologia de ponta, desenvolvida especialmente para o filme, e os assustadores US$ 2 bilhões de bilheteria mundial, alcançados apenas 46 dias após a estreia (18 de dezembro de 2009).

A cifra, que corresponderia à maior bilheteria da história se não fossem considerados os reajustes inflacionários, é uma resposta do argumento consistente em que a fórmula “algo valioso + líder ganancioso + civilização invasora = guerra”, bem conhecida no mundo inteiro, apenas muda de lugar. A iminente e necessária harmonia com o meio ambiente, pregada por povos indígenas desde o início dos tempos, é a versão nova de uma velha história que todo mundo já conhece. Em Avatar não é diferente. Quando humanos descobrem a existência de um minério valiosíssimo em Pandora, uma das luas de um gigante gasoso fictício que orbita Alpha Centauri, a terceira estrela mais brilhante do céu vista a olho nu, cientistas, pesquisadores, mercenários e robôs se dirigem ao planeta para começar a exploração que possibilitará a sobrevivência da Terra, cujos recursos naturais foram esgotados em 2154, ano em que a ação dramática é ambientada. No entanto, o povo nativo Na’vi não pretende sair do local de onde vive, que considera sagrado, para deixá-lo à mercê da destruição humana. Para tanto, corpos geneticamente modificados de humanos e Na’vis, conhecidos como avatares, são remotamente controlados para facilitar a interação com o meio ambiente (constituído de diferentes espécies animais e vegetais, além de gases tóxicos aos humanos) e a infiltração na tribo nativa, que revelará detalhes importantes para aqueles interessados apenas na exploração dos recursos locais.

O diretor James Cameron afirmou ao jornal Telegraph que Avatar se trata de “uma ampla metáfora, nem tanto sobre política, como muitos poderiam supor, mas sobre como tratamos a natureza”.

De fato, a mensagem pacifista-ecológica ecoa o mito do bom selvagem de Rousseau, que afirmava que os problemas do homem decorriam dos males que a sociedade havia criado e que não existiam no estado selvagem. O enredo, que reúne o romance conquistador de Titanic (1997), o choque de civilizações de Aliens: O Resgate (1986) e as máquinas ciborgues de Terminator (1984), todos filmes dirigidos por Cameron, tem tudo para ficar ainda mais complexo e profundo em futuras sequências. “Faz sentido pensar o filme como o potencial início de uma saga, com outros filmes mostrando episódios desta grande história”, declarou ao site Collider.

Avatar nos mostra uma realidade que só na ficção poderia existir. Será verdade? Levando em conta a premissa de que o ser humano é a espécie que se adapta com mais facilidade, é curioso e um tanto contraditório perceber o desinteresse de mudar velhos hábitos. A necessidade do trabalho de formiga no qual cada um faz a sua parte existe, mas mais que isso, é preciso refletir e aplicar conhecimentos e ideias que possam, de fato, fazer a diferença e não guardá-las debaixo da cama. Para isso, inspiração não falta. Acompanhe abaixo uma seleção de filmes e documentários que despertam uma consciência mais socialmente justa e ecologicamente correta.

2012

Geólogos, pesquisadores e especialistas descobrem que a atividade incomum de erupções solares começa a esquentar rapidamente o núcleo da Terra, como um verdadeiro micro-ondas gigante. Uma série de desastres naturais é desencadeada e coincide com referências à cultura Maia e à data final do Calendário de Contagem Longa Mesoamericano, que possui ciclos de 5.125 anos e encerra-se no dia 21 ou 23 de dezembro de 2012. O mais desesperador, no entanto, é a constatação de que os governos do planeta não estão preparados para isso. Políticos importantes passam a comprar entradas de US$ 1 bilhão para as arcas construídas, destinadas a salvar uma parte da população de terremotos, megatsunamis e vulcões ativos, que provocam o deslocamento da crosta terrestre e a inversão dos polos magnéticos.

A destruição da civilização humana é assustadora e se resume na frase proferida pelo presidente dos Estados Unidos no início do filme: “O mundo como conhecemos está para mudar dramaticamente em breve”. Os efeitos especiais que aumentam as proporções catastróficas chocam, mas o filme catástrofe se mantém otimista até o final.

EUA, 2009 / 158 min

Wall-e

O ganhador do Oscar 2009 de melhor animação conta a história de um robô processador de lixo deixado para trás pela humanidade, que viaja por tempo indeterminado no espaço. Durante 700 anos, Wall-e (acrônimo para “Waste Allocation Load Lifters - Earth-Class”, em português, “Levantadores de Carga para Alocação de Lixo - Classe Terra”) foi o único responsável pela limpeza de um mundo soterrado pelo lixo que todos os outros robôs não resistiram às condições inóspitas e acabaram deixando de funcionar.

A graça fica por conta da consciência e da personalidade que Wall-e adquire nesse período, o que o faz colecionar objetos, fazer amizade com uma barata e até se apaixonar pela robô EVA (Examinadora de Vegetação Alienígena), que passa pela Terra à procura de exemplares vegetais vivos. Isso significaria que a vida no planeta é novamente possível e os humanos já podem voltar.

A história de amor e os diálogos escassos cativam quem assiste e relembra a necessidade de enfrentar o problema, e não acumulá-lo em pilhas de lixo.

EUA, 2008 / 98 min

O dia em que a terra parou

A readaptação do filme de 1951, dirigido por Robert Wise, foi causa e consequência da mudança do cerne da história: o que ameaça o planeta, agora, não é mais a corrida armamentista, e sim os danos que a humanidade causou no meio ambiente.

Em meio ao caos provocado pela chegada de esferas alienígenas, uma cientista tenta se aproximar de Klaatu, o alien em forma de homem, para entender o motivo de estarem aqui.

A ideia de que o planeta Terra não é nosso e que uma civilização evolui apenas quando está próxima da destruição são os pontos principais do filme, que se mantém otimista e crente à capacidade humana de mudar.

EUA, 2008 / 103 min

A Última Hora (The 11th Hour)

Narrado e produzido por Leonardo DiCaprio, o documentário contou com a colaboração de mais de 50 políticos, cientistas e líderes mundiais, dentre eles o físico Stephen Hawking, o líder soviético Mikhail Gorbatchev e a ativista Wangari Maathai para discutir sobre aquecimento global, desmatamento, entre outros temas que preocupam o mundo inteiro.

Além de propor soluções para estes problemas por meio da tecnologia, responsabilidade social e conservação, o filme também defende que o aquecimento global, uma das questões mais importantes de toda a humanidade, deve conscientizar e mobilizar as pessoas para lutar por um futuro sustentável. Através de um belo mosaico de imagens, gráficos e trilha sonora, o filme foca na importância do último momento, no qual acontece a mudança, e torna impossível deixar a sala de cinema ou de casa impassível perante o destino do planeta.

EUA, 2007 / 95 min

Uma verdade inconveniente

O documentário produzido e narrado pelo ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore é essencialmente uma versão em película da apresentação de slides que vem exibindo desde 1978 sobre a sistemática destruição do meio ambiente por conta do aquecimento global.

O filme não tem intenção de tornar os fatos mais confortáveis, mas justamente o de conscientizar de que nossas ações podem sim acabar com o planeta em pouco tempo e de alertar sobre comportamentos. Seu conteúdo desperta o senso de urgência de que governos, empresas e pessoas precisam mudar hábitos e padrões para que a Terra seja poupada. E nós também.

EUA, 2006 / 100 min

O dia depois de amanhã

Entre cenários apocalípticos e pós-apocalípticos, Roland Emmerich nos dá um show de efeitos especiais e cenários cataclísmicos - consequências claras do efeito estufa e do derretimento das calotas polares. Apesar da previsão de que isso se refletiria no mundo séculos mais tarde, a corrente marítima Norte-Atlântica se altera e começa a resfriar drasticamente países do hemisfério norte. Com a aproximação de uma era glacial, milhões de sobreviventes começam a rumar para o sul.

Nesse meio tempo, um pai atravessa o país para buscar o filho, preso em uma Nova York congelada. O enredo, embora pareça girar especialmente em torno da catástrofe e do ufanismo americano, choca pela destruição e principalmente pela grande probabilidade de ser um processo que está acontecendo, uma verdadeira bomba-relógio climática.

EUA, 2004 / 124 min