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Moda Social

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Seção: Editorias - Categoria: Economia e Negócios
Seg, 19 de Janeiro de 2009 15:24
Nas passarelas da Fashion Rio, badalado evento de moda que conta com a participação de grifes famosas como Colcci, Coca-Cola Clothing e a presença de modelos como a consagrada Gisele Bündchen, uma estréia chamou a atenção, o lançamento da marca AcomB, que foi apresentada ao mundo fashion e ao público consumidor. O inusitado é que se trata de uma grife surgida nas oficinas de um programa social de inclusão e geração de renda, da entidade Ação Comunitária do Brasil, uma ong carioca. Outra curiosidade é que muitas da peças traziam estampas que faziam referências à história dos integrantes da ONG, moradores de Cidade Alta, em Cordovil no Rio de Janeiro - comunidade surgida após um processo de reurbanização, que removeu da Zona Sul, a Favela do Pinto, na década de 60. A idéia dessas estampas, que já vinha sendo desenvolvida há alguns anos, acertou em cheio e teve grande aceitação, principalmente do público de classe alta e classe média alta, segundo informou Viviane Martins, coordenadora da grife.

COMO TUDO COMEÇOU
Ela explicou que tudo começou nas oficinas de capacitação, oferecidas à comunidade. Ali, no Núcleo de Moda & Estilo, da Ação Comunitária, os inscritos puderam aprender a costurar, a bordar e a serigrafar. Com o grupo já qualificado, iniciaram-se as oficinas de produção, que passaram a prestar serviços de terceirização para outras confecções e marcas. “Deu tão certo que resolvemos criar a nossa própria grife” – disse a coordenadora. O nome escolhido foi AcomB, uma licença poética ao próprio nome da entidade Ação Comunitária do Brasil e, que também, numa conotação, bem humorada dos integrantes, faz alusão às kombis, utilizadas no transporte da comunidade. Pois é exatamente a esperança de que esse trabalho possa transportá-los à uma condição melhor, que os integrantes se dedicaram nesse novo projeto e vibraram com a participação na Fashion Rio. “Eles se emocionaram quando assistiram o desfile no vídeo e reconheceram as peças produzidas por eles” – contou Viviane.

Hoje, o Núcleo conta com 37 pessoas com idades que vão de 16 (aprendizes) à 82 anos. Segundo Viviane, muitos dos alunos, já capacitados nas oficinas, permanecem trabalhando no Núcleo e outros estão atuando no mercado. O sucesso desse trabalho com moda, segundo a coordenadora, se deve também ao talento natural dessa comunidade, que assimilou com facilidade o glamour e o empreendedorismo do negócio.

PRODUÇÃO
A produção das peças é realizada em etapas, passando pelas oficinas de artes visuais, serigrafia, moda e bordado. Os alunos de artes visuais criam ilustrações a partir do cotidiano da favela e essas imagens são estampadas na serigrafia e posteriormente, o núcleo de moda cria a coleção. “O trabalho desenvolvido procura não só ensinar as técnicas, mas também capacitar os participantes para atuarem no mundo da moda, com produtos originais e de qualidade” – explicou Viviane.

A iniciativa garantiu um salto importante para a sustentabilidade do Núcleo, sendo que o rendimento dos negócios já responde por 70% dos custos, incluindo a oficina para qualificação, além de gerar renda e auto-estima para os seus integrantes.

FASHION RIO
Para desenvolver a coleção para a Fashion Rio, a AcomB contou com a orientação do estilista Beto Neves, que valorizou as técnicas artesanais no mercado da moda. As peças produzidas foram divididas em três fases: a executiva (moda do dia-a-dia), a jovem (urbana) e a rainha (noite). A participação nesse importante evento de moda foi fruto da união entre a Ação Comunitária, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro e a Petrobras, que criaram o projeto Moda em Ação, com o objetivo fortalecer a marca social da instituição, no setor de moda.

Os artesãos da Ação Comunitária do Brasil já vinham participando das últimas quatro edições do Fashion Business - evento paralelo ao Fashion Rio, sempre apresentando coleções inspiradas em aspectos do dia-a-dia, cultura e história de sua comunidade.


A Ação Comunitária do Brasil/RJ foi fundada no Rio de Janeiro por um grupo de empresários, há mais de 40 anos. Tem como objetivo promover a cidadania e elevar a auto-estima dos moradores de comunidades de baixo desenvolvimento econômico. A instituição organiza seus projetos em quatro frentes de trabalho. Os programas de Qualificação Profissional e Oficinas Produtivas; Arte, estética e cultura; Saúde e Qualidade de vida e Educação. Todo trabalho é focado na capacitação profissional, geração de renda e regaste da identidade cultural afro-brasileira. Também tem o intuito de democratizar o acesso à cultura, à informação e à saúde, assim como aumentar o nível de escolaridade de todos os envolvidos.