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Consumo cidadão

Consumo cidadão

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Seção: Editorias - Categoria: Economia e Negócios
Qua, 21 de Janeiro de 2009 15:18

Em meio a tantos problemas ambientais, a AES Eletropaulo optou por uma saída ecologicamente correta: a instalação de equipamentos de energia solar em comunidades de baixa renda, com consumo elevado (acima de 150 kw/h), que tiveram as ligações legalizadas. A instalação do aquecedor solar é parte do Programa de Regularização de Ligações Elétricas, iniciado em 2004. Um conjunto de ações que ajuda a reduzir bastante o gasto com consumo de eletricidade, utiliza energia limpa e ainda acaba com a poluição visual por eliminar o horrível emaranhado de fios em incontáveis gambiarras.

Ao buscar soluções, como essa, de viabilidade econômica e socioambiental, a empresa se insere entre as que lêem pela cartilha da responsabilidade social. Desde abril de 2008, o projeto passa por um teste piloto em 20 casas da favela de Paraisópolis, na Zona Sul da capital paulista, e deve chegar a 200 mil famílias, em 60 favelas da área abrangida pela empresa. A AES Eletropaulo atende a 24 municípios na Região Metropolitana de São Paulo, entre eles a capital do Estado, num total de 5,7 milhões de consumidores.

“Depois dos testes em Paraisópolis, esperamos chegar com nossos fornecedores ao aprimoramento da solução para aquecimento solar adaptado às condições de urbanização de favelas. Nelas, os imóveis possuem peculiaridades de construção, e seria oneroso e complexo instalar o equipamento-padrão de energia solar nesses locais”, disse o gerente de Recuperação de Mercado, José Cavaretti. A distribuidora espera, até 2010, instalar 10 mil equipamentos de energia solar em favelas e conjuntos habitacionais.

Ações educativas

A preocupação da empresa com o projeto do aquecedor solar leva em conta três componentes: o econômico, o social e o ambiental, como “estratégia para reduzir o consumo e possibilitar clientes economicamente viáveis”, afirma Cavaretti. Com isso, “evitamos ações traumáticas, que podem chegar ao corte de fornecimento ou a negativação do cliente. Preferimos ações educativas, para otimizar o uso de energia por essas pessoas” – disse o gerente.

A AES Eletropaulo considera clientes de baixa renda os moradores de favelas, cortiços e conjuntos habitacionais populares para efeito desse projeto. Por isso, escolheu um equipamento diferenciado, feito de placa coletora de plástico, mais barato, mas de eficiência igual à de outros disponíveis no mercado. Os gestores da empresa acompanham diariamente o correto uso do aparelho, que permite, por exemplo, que uma família de até sete pessoas tome banhos de no máximo 10 minutos, com economia superior a 30% no consumo. “Mesmo nesse sentido, nossa prática é educativa”, diz o gerente de Recuperação de Mercado.

Chuveiro, o maior vilão

O aquecedor solar instalado, gratuitamente, em casas da favela Paraisópolis é de uso exclusivo nos chuveiros (maior vilão nos gastos excessivos de energia nas residências), e os moradores passaram por treinamento sobre a melhor maneira de utilizá-los.

Entre os beneficiados pelo projeto estão a autônoma Rosane Conceição Macário, o marido dela, Everaldo, três filhos com idades de 12 a 16 anos, mais duas pessoas. O exemplo típico da família de 7 membros, citado pela AES Eletropaulo. Rosane diz que “foi muito bom contar com esse aquecedor” e que “ficou muito bonito o visual por aqui” depois da regularização das ligações.

A expectativa da moradora - além de tocar direitinho a sua lanchonete na comunidade -, é de, na primeira conta de luz depois dessas mudanças, economizar como uma de suas vizinhas: “A conta dela caiu de 30 para 12 reais”. Além da economia, Rosane está contente com “as crianças”, que souberam entender a novidade como meio de se educar para o consumo cidadão. “Sabe como é adolescente, né. Demora muito no chuveiro. Mas agora eles estão mais disciplinados e colaboram com a gente.”

O operário da construção civil, Aloísio Batista da Silva, “desempregado no momento”, mora apenas com a filha de 17 anos e comemora o fato de poder “gastar mais dois minutinhos no banho”. Ainda mais quando está envolvido em alguma empreitada. Chega cansado e empoeirado em casa, e uma ducha relaxante é o que mais quer. Aloísio destaca a importância de poder contar com um equipamento bem prático, de fácil manuseio e capaz de armazenar 200 litros de água. “Dá para quase 10 banhos, se a pessoa não gastar mais do que 25 litros debaixo do chuveiro.”

Econômico-ambientalmente correto

O correto uso de recursos energéticos, em que o Brasil é rico potencialmente, está na agenda do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, empossado em maio e nesse caso a AES Eletropaulo faz a sua parte, na iniciativa privada. O ministro, em uma de suas entrevistas, lembrou que pretende estender para o País uma de suas realizações como secretário estadual no Rio de Janeiro. Lá não se constrói mais prédio público que não conte com energia solar, por força de lei, garante a autoridade. Cavaretti esclarece que a empresa, da qual é um dos gerentes, não faz caridade nem favor. De 2004 a 2007, investiu R$ 110 milhões (R$ 80 milhões em reforma e ampliação e R$ 30 milhões do Programa de Eficiência Energética). Tudo constituído de recursos próprios, do que resultou recuperação de R$ 150 milhões pela empresa. “O que significa que o valor acumulado no período supera o investido”, contabiliza.


Famílias com energia elétrica regularizada
80 mil em 2006
71 mil em 2007
70 mil em 2008*
50 mil em 2009*
*Previsão

Passo a passo da regularização
- Contatos com as lideranças comunitárias
- Conscientização das pessoas
- Cadastro das famílias
- Instalação gratuita de postes, caixas e cabos de medição
- Em grandes comunidades, faz-se um posto de atendimento