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Certificadoras defendem nova cultura

Certificadoras defendem nova cultura

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Seção: Editorias - Categoria: Economia e Negócios
Qua, 18 de Fevereiro de 2009 17:18
os benefícios da construção sustentável”. O apelo para vencer esses dois grandes desafios vem, quase em uníssono, de especialistas de organismos de respeito ouvidos por NEO MONDO para esta edição especial.

O mais enfático deles é o engenheiro civil Marcos Alberto Casado Pereira, gerente técnico do Green Building Council Brasil (GBC Brasil). Organismo que, no País, promove o sistema LED – Leadership in Energy and Environmental Design do Green Building Council United Sates (USGBC). Casado diz que este é “considerado a principal ferramenta mundial na avaliação socioambiental e no reconhecimento de empreendimentos projetados e operados visando à diminuição dos impactos negativos ao meio ambiente”. Ele cita a agência Granja Viana do Banco Real, em Cotia (SP), como a primeira construção sustentável da América do Sul pelo selo LED. E acrescenta: outros 100 empreendimentos estão registrados em busca da certificação no Brasil.

Para chegar a essa conquista, cada um deles “deve ser concebido, projetado e construído de acordo com as diretrizes do sistema escolhido”.

Engenheiro civil há mais de 10 anos, com duas pós-graduações, Casado fala de experiência própria, como gestor de obras por 7 anos na instituição financeira e coordenador de todo o processo. “Desenvolvi e implantei o PPICS - Programa Prático de Implantação da Construção Sustentável, com o desenvolvimento de fornecedores, materiais e tecnologias a serem utilizados”.

O especialista aponta, entre as principais vantagens do LED, a possibilidade de ele ser aplicado fora dos Estados Unidos, seu país de origem, com resultados positivos ao ambiente, à saúde do ocupante e retorno financeiro. O GBC Brasil tem um grupo de trabalho que elabora estudo para adaptar os atuais créditos do sistema, para torná-lo ainda mais eficiente à realidade brasileira.

Empreendedor e equipes

O selo Aqua - Alta Qualidade Ambiental, por enquanto, é o único no País com critérios brasileiros. Quem garante - e o fato é reconhecido no mercado - é o engenheiro civil Manuel Carlos Reis Martins, coordenador executivo de Certificação da Construção Sustentável - Processo Aqua e coordenador técnico Certificação de Sistemas de Gestão Ambiental ISO 14000 da Fundação Vanzolini.

Martins destaca aspectos que considera relevantes para a mudança de cultura no setor, em que a importância do empreendedor e das equipes de trabalho sobressai. Entre outros, é preciso cuidar para que “o projeto do empreendimento seja gerenciado, com continuidade de equipe e responsáveis, desde o programa passando pela concepção até a realização”; o comprometimento do empreendedor é fundamental desde o programa

- fase em que “se definem os objetivos e se analisa o custo-benefício do investimento”; as equipes necessitam sempre de mais tempo, nas várias etapas, para levar o projeto a bom termo - o que inclui a participação da equipe do projeto no gerenciamento da obra. “Em países onde o processo é mais organizado, como na França (o selo Aqua é adaptado do modelo francês - N.R.), esse esforço inicial resulta em coerência, economias e desempenho nas fases subsequentes e, portanto, valor”, esclarece.

Com a autoridade de quem é PhD e passagens em cargos diretivos no IPT e na ABNT, Martins elenca entre os principais benefícios da construção sustentável: para os usuários, economia de água, energia, gestão de resíduos e manutenção, além de manutenção da atualização, do valor e da durabilidade do imóvel; a sociedade e o meio ambiente ganham em integração sócio-econômico-ambiental do empreendimento no bairro.

Ao longo do mês de março, adianta o engenheiro, serão auditados os primeiros cases do processo Aqua, que se encontram na fase programa. Se atendido o Referencial Técnico, terão como exibir seus certificados e demonstrar as soluções adotadas.

Interesse do cliente em primeiro lugar

O processo de certificação obedece a uma sequência lógica:

• interesse do cliente pela sua obtenção;

• critérios - pode ser uma norma existente ou desenvolvimento de específicos

• implantação do sistema ou adequação de produto/serviço, conforme critérios estabelecidos

• avaliação pelo organismo certificador

• correção de eventuais desvios

• concessão do certificador e licença para uso da marca

Selo ecológico de produto

O Instituto Falcão Bauer da Qualidade (IFBQ) não deixa por menos quando trata da necessidade de cultivar a “cultura do melhor desempenho ambiental por parte seja dos produtores seja dos consumidores”. Quem afirma é o engenheiro civil Cesar Augusto de Paula Pinto, coordenador do Polo da Construção Civil do Instituto. “Somos a segunda organização a receber a acreditação para produtos pelo Inmetro”, lembra Marisa Plaza, administradora de empresas e analista de produto do IFBQ.

Os dois especialistas desenvolveram o Selo Ecológico Falcão Bauer e enfatizam que o organismo tem presença constante em comissões de estudos, nas quais se discutem elaborações e revisões do normas de produtos. “Para sistemas de gestão, nossa atuação é mais recente, mas já representativa no universo da certificação”, diz o engenheiro.

Já concedido à escória de aciaria da Arcelor Mittal, o selo IFBQ destina-se a materiais e tecnologias sustentáveis, avaliados em ensaios e auditorias in loco. Cesar e Marisa citam pré-requisitos para alcançar a certificação, como o atendimento a normas técnicas de desempenho e legalidade da empresa (licenças, obrigações fiscais e trabalhistas). São feitas análises de caracterização química, do ciclo de vida (ACV), em que o produto é avaliado desde a entrada de matérias-primas passando pelo processo produtivo, utilização e destinação final. Ações socioambientais do fabricante no entorno também são verificadas.

Todas acreditadas no Inmetro

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é organismo-chave quando o assunto é normatização e também certificação. Guy Ladvocat, engenheiro mecânico com 27 anos de experiência em qualidade e gerente de certificação de sistema da Associação, explica como funcionam as certificadoras.

“Também chamadas de organismos de certificação, são entidades que prestam serviços de avaliação de conformidade com o objetivo de certificar produtos, sistemas ou serviços. São independentes da relação cliente-fornecedor, o que dá credibilidade do processo de certificação”, diz.

Ladvocat cita a variedade de atuação das certificadoras: pode ser de produtos, de sistemas ou áreas específicas – caso da construção civil. “Todas têm alguma acreditação junto ao Inmetro”, acentua, para lembrar que acessar o site deste Instituto (www.inmetro.gov.br) é a maneira mais adequada de identificar as empresas habilitadas.

O especialista ressalta: “A ABNT também é organismo de certificação e opera um programa de rotulagem ambiental para a concessão do Rótulo Ecológico ABNT, que pode ser concedido a construções”. A entidade representa no Brasil o Global Ecolabelling Network (GEN), com cerca de 30 membros pelo mundo. Entre eles, Reino Unido, Japão, União Européia, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Alemanha.

Sinal de que o País está em boa companhia quando o assunto é sustentabilidade. Esta deve sempre levar em conta três dimensões: a social, a ambiental e a econômica, conclui Ladvocat.

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Para contatar:

O GBC Brasil - por telefone: (11)4191-7805; pelo site www.gbcbrasil.or.br

A Fundação Vanzolini - por telefone: (11)3836-6566, ramais 102 a 106 e 114/115; por e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

O Instituto Falcão Bauer - por telefone: (11)3611-1729, ramais 189 e 205

A ABNT - pelo site www.abnt.org.br

Para acessar o site do Inmetro: http://www.inmetro.gov.br/credenciamento/organizacoesCredenciadas.asp#oc