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Schwarzenegger defende

Schwarzenegger defende

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Seção: Editorias - Categoria: Especial
Escrito por Gabriel Arcanjo Nogueira Seg, 25 de Abril de 2011 15:15

 O ex-governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, na abertura dos trabalhos em Manaus, defendeu a necessidade de haver maior entendimento político, para que a continuidade de ações se efetive.  Em entrevista coletiva para 170 jornalistas, ao lado do cineasta James Cameron, ao falar sobre o mau uso dos combustíveis fósseis no passado, Schwarzenegger ressaltou a importância da utilização de fontes alternativas de energia. “Nós temos chance de utilizar energias alternativas, como a eólica, a solar, o etanol e a biomassa. A questão é como fazer isso cuidando também dos animais e pessoas envolvidas”, afirmou. Ele defendeu a cooperação entre os países na busca de formas sustentáveis de energia.  “Quando o assunto é meio ambiente, precisamos ser bastante inclusivos”, disse.

Parceiros no cinema - Terminator, em 1984; Terminator 2, em 1991 – passados 20 anos, ambos destacaram o papel de liderança do Brasil no debate internacional sobre o desenvolvimento de energias alternativas. Para o cineasta, o Brasil tem-se colocado de forma única no cenário mundial como o grande líder para encontrar soluções de sustentabilidade.

“Tudo o que o Brasil fizer na área ambiental será a linha-mestra para outros países”, afirmou. Grande estrela da edição inaugural do Fórum, em 2010, Cameron acredita que crescimento econômico e desenvolvimento de novas energias renováveis são temas intimamente ligados.

Ao admitir que os Estados Unidos não conseguem desenvolver uma política de energias sustentáveis porque “democratas e republicanos” estão sempre brigando, o ex-governador não se restringiu ao aspecto crítico e salientou o que de fato interessa. “Nós fomos muito bem-sucedidos com os renováveis, muito tempo atrás, durante o governo de Jimmy Carter. Nos anos 80, o governo federal não deu continuidade a projetos importantes, mas a Califórnia seguiu em frente”, disse. “Quando assumi o governo (do estado), em 2003, estabelecemos a meta de 20% de energia renovável até 2017; conseguimos atingir essa marca em 2010.”

Bem-vinda ironia! Quem já encarnou “o exterminador do futuro”, por duas vezes, agora anuncia que a Califórnia constrói a maior estação de energia solar do mundo. 

“Sem medo”
Em sua palestra de cerca de uma hora, Schwarzenegger criticou ambientalistas que “causam medo” ao referir-se aos riscos das mudanças climáticas e apontou mudanças nos discursos para convencer as pessoas a se preocupar mais com o aquecimento global.

“É necessário pensar diferente sobre sustentabilidade. Somos todos ambientalistas, temos paixão sobre o assunto. Mas medo e culpa não são sustentáveis. Precisamos de uma abordagem mais dinâmica. As pessoas precisam acreditar (nas ameaças climáticas) e ver que a esperança ainda vive. As pessoas precisam de uma nova versão”, disse.

Sobre as leis ambientais e os empreendimentos de energia sustentável aplicados na Califórnia, na época em que foi governador, foi muito claro: “A razão por que vencemos não é porque falamos sobre mudanças climáticas globais. Tínhamos argumentos. As pessoas entenderam que as nossas leis de meio ambiente são boas para emprego e para saúde dos cidadãos. E provamos que republicanos e democratas podem trabalhar juntos”, disse o ex-governador.

Ele destacou a necessidade de mudar a ordem mundial de energia e a necessidade de se criar “empregos para melhorar o meio ambiente”. “O meu ponto não é debater a ciência, mas tomar atitude agora. Quando falamos sobre agir é porque estamos no momento de superação. Todos discutem se devemos fechar as fábricas de energia. Devemos utilizar, mas não construir outra”, afirmou.

E foi direto ao ponto: já que os Estados Unidos não possuem um projeto de “energia verdadeira”, o que têm de fazer “é simples: seguir o exemplo da Califórnia”.

Na quarta-feira (23), Schwarzenegger e James Cameron sobrevoaram o Rio Xingu e conversaram com índios em Altamira, no Pará. Eles também se encontraram com o cacique Raoni, líder dos Kayapós. Mas o ator foi econômico com os jornalistas: “Foi uma visita muito interessante, descendo e subindo o rio, na qual pudemos contar com a ajuda de especialistas brasileiros que explicaram todas as questões relacionadas à floresta”.

A abertura oficial do Fórum teve as presenças do governador do Amazonas, Omar Aziz; do senador Eduardo Braga; do prefeito de Manaus, Amazonino Mendes; e de líderes empresariais.

Nome indígena e humildade
James Cameron, desde este Fórum, passa a se chamar também Kapremp-Ti, nome que lhe foi dado pelo cacique Kayapó, Raoni Txucarramãe. Algo como grande dono dos animais da mata, conforme apurou NEO MONDO. 

Na coletiva à imprensa, Cameron falou de seus projetos ambientais e mostrou preocupação com o que acontece na construção da hidrelétrica de Belo Monte (PA). “Eu tenho três projetos: fazer dois novos filmes da série Avatar, nos próximos cinco anos; fazer documentários sobre sustentabilidade e energia e me dedicar mais aos assuntos de meio ambiente e indígenas no Brasil”, disse.

Para o cineasta, existe uma crise humanitária que se observa na usina de Belo Monte, no rio Xingu, onde indígenas e ribeirinhos são expulsos de suas terras. Para ele, trata-se de uma das mais graves crises da Amazônia, que pretende abordar em seus documentários e filmes. Especialmente em Avatar, no que se refere à luta dos povos da floresta pela sustentabilidade.

“Devemos pensar em projetos de energia com mais sustentabilidade e diversidade de tecnologias. Tem que ser algo para um milênio, não para 20, 30 ou 50 anos de desenvolvimento sustentável”. O cineasta defendeu que se aproveite melhor a energia solar no Brasil, bem como as derivadas de biocombustíveis, biomassas e eólica.

Não tem como a fama subir à cabeça de Cameron, mas sobram-lhe carisma e humildade, como quando se postou ao fundo do lotado auditório do Hotel Tropical numa das palestras, e sua presença era reclamada lá na frente, entre os notáveis. Assim que foi localizado e convidado para se deslocar até o devido lugar, foi aplaudido de pé pelo seu despojamento. O mesmo que o fez receber e folhear, para quem quisesse ver, o exemplar de NEO MONDO, especial sobre a primeira edição do Fórum.