Na era do conhecimento, onde a competitividade exige a agilidade e eficiência, a atualização e a especialização continuada dos profissionais têm sido visto pelas empresas como um componente que agrega valores aos negócios. O subsídio e estímulo à educação tem sido foco de investimentos por parte das grandes empresas, que assim motivam seus colaboradores, reduzem a rotatividade de seu quadro funcional ao mesmo tempo em que atendem às necessidades do mercado. As empresas começam a perceber também ganhos por otimizar tempo e custos que seriam gastos com longos processos seletivos.
A estratégia que já é prática comum a diversas organizações no Brasil mostra uma tendência à ampliação. Um exemplo são as universidades coorporativas, onde são ministrados e administrados os cursos de capacitação oferecidos pelas empresas, que passaram a ocupar cada vez mais maiores espaços no mundo do empreendedorismo.
De acordo com a Associação Brasileira de Educação Corporativa – ABEC, existem cerca de 250 universidades corporativas em empresas públicas, privadas e outras instituições. A associação calcula que uma corporação, com um quadro entre cinco mil e dez mil funcionários, invista por ano em torno de mil reais por trabalhador.
Segundo o Eimar Fonseca Magalhães, gerente de comunicação da Arcelormittal, siderúrgica produtora de aço, com esta valorização a empresa passa a contar com empregados qualificados para atuar frente aos desafios definidos pelo negócio e pelo mercado.
Antenado a este cenário, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas inaugurou em setembro deste ano a universidade coorporativa SEBRAE em sua sede, em Brasília. “A formação continuada dos nossos colaboradores é indispensável para a evolução do conhecimento e as exigências do mercado, traduzindo nossa missão. Pois precisamos de profissionais habilitados para atender a demanda de auxílio à formação às pequenas e microempresas” – relata a responsável pela universidade, Alzira Vieira.
Em um mês de funcionamento da universidade, foram alcançadas 500 matrículas, 400 em cursos online, recurso utilizado para que todas as unidades da rede tenham o mesmo conteúdo e atendam o maior número de pessoas. “Por enquanto, temos somente dois cursos em andamento: negociação e gestão orientada. A partir do próximo ano, ampliarmos os cursos e as parcerias com instituições de ensino superior já estarão em andamento” – explica Alzira.
A mineradora Vale também tem despertou para este investimento, através da universidade corporativa Vale – Valer e para a corporação este método deixa claro que as pessoas são chave para o alcance de resultados. “Nos próximos anos cresceremos ainda mais. Para isso, precisamos que nossos profissionais cresçam junto conosco, (...), adquiram experiências e conquistem novos conhecimentos” – ressalta o diretor-presidente, Roger Agnelli.
Além dos cursos de continuidade, a Valer atua também na escolarização básica a cursos de aperfeiçoamento técnico, especializações, MBAs, mestrados ou doutorados, programas de idiomas, formação gerencial, treinamentos para elevar a segurança das operações e disseminar práticas responsáveis nos âmbitos econômico, social e ambiental e até mesmo atividades culturais e artísticas.
Fora dos portões da empresa
Além de oferecer educação formal, que inclui apoio e subsídio de cursos de formação regular, como por exemplo, o ensino médio para praticamente todo o quadro de empregados (mais de 15 mil empregados no Brasil), os investimentos em educação também alcançam a comunidade, com programas que fortalecem a qualidade de ensino, o que, conseqüentemente, também qualificará a mão-de-obra necessária pelas empresas. A Arcelormittal desenvolve o Programa Ensino de Qualidade – PEQ, um trabalho para o aperfeiçoamento da gestão escolar, com foco na melhoria dos processos de gestão e pedagógicos do ensino público, cujo objetivo é estimular as potencialidades dos estudantes, contribuindo para um aprendizado de qualidade.
Atualmente, o programa contempla os municípios de João Monlevade, Carbonita, Senador Modestino Gonçalves, em Minas Gerais, Cariacica, no espírito santo, e Feira de Santana, na Bahia. A metodologia já foi aplicada também nos municípios de Vespasiano (MG) e Piracicaba (SP).
A empresa também viabiliza o Programa Formação de Educadores, o PEQ contribui para o desenvolvimento da capacidade analítica e crítica dos professores, incentivando discussões sobre problemas e práticas cotidianas do ensino. Com estes objetivos, o programa promove a capacitação dos educadores, utilizando metodologia participativa e interativa, com a qual são reconstruídos conceitos e desenvolvidas habilidades para compreender e reelaborar o trabalho pedagógico.
Renúncia Fiscal
Conforme a Lei 9249/95, a empresa que investe na educação pode obter benefícios fiscais. Para tanto, seguem algumas informações importantes.
A renúncia fiscal é baseada na Lei Federal 9249/95, artigo 13, é aplicável apenas nas empresas de lucro real e consiste basicamente em:
• Destinação de 1,5% do lucro real, antes das deduções, para educação e pesquisa;
• Destinação de 2% do lucro real, antes das deduções, para trabalhadores da empresa doadora, seus dependentes e a comunidade onde atuar.
Esta poderá ser captada apenas pelas instituições que possuem título de Utilidade Pública Federal ou que tenham registro como OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público junto ao Ministério da Justiça.
Fonte: SIAI