sustentabilidade, participantes de processo seletivo na Pró-Reitoria de Pesquisa da universidade paulista (ver números desse projeto no Quadro). E avisa: “a FAU não engatinha no tema”.
Elaborado no Laboratório de Informatização de Acervo de Arquitetura (Labarq) da FAU e desenvolvido pela coordenadora desse laboratório, professora doutora Marlene Yurgel, com o vice-diretor, professor doutor Marcelo Romero, e o professor doutor Eduardo de Jesus Rodrigues, a iniciativa tem a participação de estagiários e alunos da Faculdade.
O edifício ?cará no campus Butantã, em terreno que resultará em 7,4 mil m2 de área construída, com subsolo, térreo, 3 pavimentos e cobertura técnica. Tudo em 3 blocos funcionais capazes de manter tanto uma independência relativa como uma interatividade. “Dois vazios entre os blocos funcionam como túneis verticais de iluminação e ventilação”, adianta o professor doutor. Estão previstos no projeto um auditório, local de exposições e de encontro, além de laboratórios e salas de aula.
Oreste de?ne o conceito que está na essência do prédio “vivo”: ser auto-sustentável, o que signi?ca ser automático em seu todo, com o gerenciamento preciso dos equipamentos e sistemas de climatização, iluminação, geração de energia, aquecimento e consumo de água quente e fria. Se não bastasse, a obra “será também um artefato didático para a pesquisa de projetos e edi?cações auto-sustentáveis”.
Entre as inovações do projeto da FAU, o professor doutor cita o uso de coletores fotovoltaicos, para a geração de eletricidade, “na forma de placas em painéis posicionados na cobertura, com outras placas destinadas a reter o calor para o aquecimento da água”. Outro dispositivo, este de forma paraboloide, se destina ao fornecimento de ar condicionado.
Excedente de luz e menos água “A previsão de consumo é de 245 mil quilowatts/hora por mês, obtidos dos painéis fotovoltaicos. O sistema solar acaba por gerar um excedente de luz durante o dia para ser aproveitado à noite”, contabiliza Oreste. Com experiência em Arquitetura e Urbanismo no país e no exterior, ele lembra outra novidade no projeto: estão previstas turbinas eólicas de pequeno porte para a geração de eletricidade. E esclarece:
“Com a instalação de equipamentos especiais de torneiras e válvulas com sistemas antidesperdício, pelos cálculos do projeto, o consumo de água tratada poderá ser reduzido em até 30%´”. Além do que, a água utilizada nos vasos sanitários será captada
da chuva armazenada na cobertura.
Persianas e paisagismo O prédio “vivo” leva em conta outras inovações. A exemplo das persianas, a ser colocadas na parte exterior das fachadas. “Elas servem como elementos de proteção solar, cujo controle será automizado por meio de sensores, ou seja, abrirão e fecharão de acordo com a intensidade da luz solar”, a?rma Oreste.
Para o tratamento paisagístico, “serão adotadas espécies vegetais que se adaptem ao solo e clima da Cidade Universitária e que sobrevivam somente com as águas da chuva”, explica.
Amplas opções Da graduação à pós, o IMT, cujo campus ?ca em São Caetano do Sul, no ABC Paulista, oferece amplas opções. “Durante o curso de graduação de Engenharia Civil, nossos alunos têm a oportunidade de realizar visitas tecnológicas na área da construção civil para vivenciar a atividade pro?ssional na prática. Os conceitos sobre a sustentabilidade são inseridos nas disciplinas de graduação. Na pós-graduação lato sensu, o Instituto oferece, desde 2006, um MBA na área com o título de Gestão Estratégica do Meio Ambiente. Na graduação temos ainda, desde 2007, um Curso Superior de Tecnologia, com duração de dois anos, com o título de Gestão do Meio Ambiente”, a?rma o reitor do Centro Universitário do IMT, professor doutor Otávio de Mattos Silvares.
O IMT buca oferecer uma formação ampla e generalista sobre Engenharia Civil e Meio Ambiente, de modo a colocar no mercado pro?ssionais comprometidos com o desenvolvimento sustentável. “Do projeto até a execução ?nal da construção”, ressalta o professor doutor Márcio J. Estefano de Oliveira, do curso de Engenharia Civil. Ele considera positivo o fato de questões ambientais serem tema de discussões em escolas desde o ensino fundamental.
Cuidados com a sustentabilidade “A educação é a matéria-prima principal para impulsionar as mudanças. Entretanto, quando se fala em construção sustentável, outros cuidados devem ser tomados, como não confundir sustentabilidade com economia de projeto, redução de mão-de-obra especializada, dispensa de consultores, economia de material e de outros insumos necessários”, diz.
A preocupação do professor doutor faz sentido porque o setor da construção civil anda no ?o da navalha. “Quando se fala que é o que mais impacta o meio ambiente” (com todas as implicações negativas de ocupação de áreas de risco, desmatamento, geração de poluentes e resíduos de construção e demolição), “no entanto, é também aquele que mais benefícios traz à população com habitações, edifícios de todo tipo e obras que reduzem os impactos ambientais”.
A capacidade inesgotável do ser humano de encontrar soluções de problemas é posta à prova a todo momento. O ensino de engenharia civil é prova disso, ao englobar na área da construção civil disciplinas como materiais de construção, construção de edifícios, instalações prediais, sistemas construtivos, tecnologia das construções, arquitetura, topogra?a, construções pesadas e outras. São disciplinas que, no entender de Estefano, “além de apresentarem o conteúdo, especi?cam e discutem a maneira otimizada de se construir, ou seja, o dimensionamento e práticas construtivas que evitem desperdícios e minimizem o consumo de energia. Nosso aluno recebe informações que auxiliam na concepção de projetos mais sustentáveis”.
Estudos de caso Entre os diferenciais dos cursos do IMT o professor doutor ressalta a combinação do preparo do corpo docente com a realidade do mercado: “Atuamos na concepção de projetos que sejam compatíveis com as novas exigências ambientais ditadas por legislações brasileiras e internacionais. Os conhecimentos dos professores são adquiridos pelos alunos em aulas e estudos de caso, que são a base e o subsídio importante em sua futura vida pro?ssinal”.
Seu colega de cátedra, professor Hélio Narchi, lembra a importância de atividades desenvolvidas nos cursos de Engenharia Civil na linha da construção sustentável. “Nos últimos anos abordamos temas como impacto ambiental de urbanizações, utilização de águas de chuva em empreendimentos habitacionais, condomínio ecológico e gestão ambiental na implantação de edifícios.
Narchi lamenta que “ainda não haja normas, regulamentações legais su?cientes para o amplo escopo de temas abrangido pela construção sustentável”, mas reconhece que as “certi?cações, em especial as da linha ISO 14000, são instrumentos muito e?cientes para alavancar a sustentabilidade na construção. Muito embora sua aplicação se restrinja a poucas empresas do setor, longe de atingir pequenos construtores”.
“Pensar ambientalmente” Nem tudo está perdido, porém, mesmo ao considerar que a construção sustentável está longe de fazer parte da ordem do dia de construtoras, empresas em geral, cidadãos e ONGs. O professor faz coro com outros segmentos, como o dos organismos certi?cadores (ver matéria na página 14), que apontam entre os grandes desa?os a falta de informação e conscientização da importância do tema. Mas vê a ação de órgãos públicos de licenciamento ambiental como algo que pode ajudar muito o desenvolvimento da sustentabilidade na construção.
Narchi cita o Semasa, de Santo André, no ABC Paulista: “Nos casos previstos pela lei local, edifícios habitacionais ou comerciais são objeto de licenciamento ambiental em que são exigidos do empreendedor o equacionamento de questões. Entre outras, a gestão adequada de resíduos de construção, o reuso das sobras que ?cam nas caixas de retenção de águas pluviais e o controle dos principais impactos causados pela obra”. Um conjunto de medidas, na avaliação do professor, que faz “o empreendedor pensar ambientalmente na obra como um todo - cenário ideal para a implantação dos conceitos de sustentabilidade”.
Se no setor público há bons exemplos, a iniciativa privada também faz a sua parte, como a produção de literatura técnica disponibilizada pelo Sinduscon a seus associados, de modo a incentivá-los na prática da sustentabilidade. A lupa do professor do IMT não deixa escapar nada: “Há ainda os programas de qualidade de obra desenvolvidos por entidades públicas e privadas, que embora não visem exatamente o tema da sustentabilidade, abordam questões a ele relacionadas”.
Pesquisa permite avanços
Roberto de Souza, engenheiro civil e doutor pela Escola Politécnica da USP, lembra a importância das pesquisas tecnológicas como aliadas do setor produtivo no desenvolvimento da construção sustentável.
Mesmo porque, argumenta, em “todo o mundo, e em especial no Brasil, o assunto é novo e o desenvolvimento de produtos requer investigação, ensaios e validação, antes de serem aplicados em larga escala no mercado”.
Roberto, que é diretor-presidente do Centro de Tecnologia de Edi?cações (CTE), empresa associada ao Instituto Ethos, USGBC, GBC Brasil e CBCS – Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, destaca o papel que as universidades representam. Sobretudo porque “realizam pesquisas no campo dos materiais, sistemas construtivos, e?ciência energética, conforto ambiental, economia de água e modelos de avaliação da sustentabilidade”.
As iniciativas acadêmicas somam-se às da indústria de materiais, por exemplo. Setor que “também faz a sua parte, ao desenvolver produtos e sistemas com características sustentáveis, já disponíveis no mercado”, a?rma o especialitsa. Entre outros, ele cita componentes hidráulicos economizadores de água, componentes elétricos economizadores de energia, sistemas construtivos industrializados que combatem o desperdício e componentes de revestimentos fabricados com materiais reciclados.
Embora exista uma in?nidade de tecnologias em uso, das quais o mercado já tem domínio, Roberto acredita que seria necessário ampliar o seu alcance. “As di?culdades em sua adoção muitas vezes estão ligadas ao investimento necessário. Por outro lado, o aumento da demanda por produtos sustentáveis tem provocado uma diminuição signi?cativa desses custos; há também o surgimento de novos fornecedores e com melhores preços”, conclui.
Números do prédio “vivo”
- em 2007, a Pró-Reitoria de Pesquisa da USP recebeu 20 projetos; dos 20, 10 são selecionados
- o projeto da FAU, cujo mentor é o vice-diretor prof. dr. Marcelo Romero, é o escolhido
- encaminhado à Finep, o projeto recebe verba de R$ 700 mil da ?nanciadora do Ministério da Ciência e Tecnologia
- a Reitoria da USP destina R$ 5 milhões ao projeto
- a soma desses recursos é su?ciente para a construção das fundações
- o custo estimado da obra é de R$ 20 milhões
- a inauguração do prédio está prevista para 2011
- empresas privadas interessadas em parcerias para efetivar o projeto podem contatar
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Fonte: FAU-USP