randomica2.jpg

Banner

Brasil paraesportista

Brasil paraesportista

Imprimir E-mail
Seção: Editorias - Categoria: Esportes
Escrito por Redação Qui, 15 de Janeiro de 2009 13:55

Este ano o verde e amarelo brasileiro está em destaque no quadro de eventos esportivos mundiais. O país que já sediou os Jogos Pan-Americanos, também cedeu espaço para o Parapan-Americano e a terceira edição do “Jogos Mundiais para Cegos”, que aconteceu na capital de São Paulo e em São Caetano do Sul, uma das sete cidades que compõem o Grande ABC Paulista, entre os dias 28 de julho e 08 de agosto. Competição classificatória para as Paraolimpíadas de Pequim (Beijing), em 2008.

Com um destaque mais tímido que os Pans, o Mundial, organizado pela Confederação Brasileira de Desportos para Cegos (CBDC) e pela Federação Internacional de Esportes para Cegos (IBSA), trouxe à terra da garoa 62 delegações internacionais e mais de 1.600 atletas que se dividiram em seis competições: atletismo, judô, levantamento de peso, que se concentraram na cidade de São Paulo, e natação, futebol e goalball, que aconteceram em São Caetano.

Segundo o presidente da CBDC e do comitê organizador dos Jogos, David Farias Costa, as cidades foram escolhidas de acordo com a infra-estrutura necessária para abrigar uma competição desse porte. São Paulo por ser a maior cidade da América do Sul e São Caetano por apresentar os melhores índices sociais do país.

Estrutura

Foram necessários 900 voluntários para auxiliar na organização do evento. Segundo a responsável pelo Comitê de Voluntariado, Regina Matsui, as inscrições para trabalhar no Mundial foram iniciadas no começo do ano em faculdades e escolas, próximas aos locais das competições, no site oficial dos jogos (www.ibsabrasil2007.org.br) e em seguida em escolas de idiomas, para atender as delegações internacionais.

Após a seleção, os candidatos escolhidos passaram por um treinamento de capacitação para condução de deficientes visuais, curso de acessibilidade e postura.

Público

São Caetano incentivou os moradores a prestigiarem as competições. De acordo com o secretário do Comitê Organizador, Antônio Menescal, alunos das escolas próximas foram levados para assistirem aos jogos com o intuito de valorizar o esporte e de aprender a lidar com as diferenças.

Os moradores também compareceram e vibraram com as disputas. “Moro aqui ao lado e quando soube que haveria uma competição mundial ao lado de casa não pensei duas vezes. “Assisti a todos os jogos com a minha filha”, revela a moradora Márcia Maria.

No encerramento dos jogos o presidente da CBDC, David Farias Costa, citou a cidade como referência no esporte paraolímpico. “São Caetano mostrou que o esporte é acessível ao deficiente, facilitando e valorizando sua inclusão social” – declarou.

Divisão por grau de deficiência visual

B1 – Atletas totalmente cegos ou que têm alguma percepção de luz;
B2 – Possuem acuidade visual (aquilo que se vê em determinada distância) reduzida. São capazes de reconhecer a forma de uma mão;
B3 – Têm maior acuidade visual que o atleta B2.


Modalidades Adaptadas

Atletismo
As provas são divididas por grau de deficiência. Os B1* e B2* correm com um “guia”, unidos por uma corda presa às mãos. Já os competidores B3 seguem as mesmas regras do atletismo regular.

Levantamento de peso
Os atletas cegos seguem as mesmas regras que os competidores com visão. A competição consiste em levantamento de três movimentos: supino, agachamento e terra. Para cada atleta são permitidas três tentativas e a melhor é válida para o final da competição.

Judô
É a única arte marcial dos Jogos Para-olímpicos e a modalidade que mais tem regras parecidas com a disputa convencional. A diferença é que os atletas cegos não são punidos quando saem da área de combate e a luta é interrompida quando os competidores perdem o contato, mas o sistema de pontuação é o mesmo.

Natação
Os deficientes visuais disputam os quatro estilos: livre, costas, peito e borboleta, sempre divididos pelo grau da deficiência. Um auxiliar fica à beira da piscina com um bastão para tocar nas costas ou na cabeça do atleta avisando o momento da virada ou chegada.

Goalball
É a única modalidade criada especialmente para deficientes visuais, ao contrário das outras que foram adaptadas. O jogador se orienta de acordo com o barulho da bola, que tem guizos dentro. Por isso o silêncio é importante. No goalball participam duas equipes de três jogadores. Cada equipe joga a bola, com a mão, na direção do gol adversário, em dois tempos de 10 minutos. Ganha quem fizer mais gols nas traves de 9m de largura por 1,3m de altura. Os três jogadores atacam e defendem.

Futebol
B1*: A quadra tem as mesmas medidas do futsal, 38 x 18m até 42 x 22m. São dois tempos de 25 minutos, com intervalo de 10 minutos. Cada time tem um “chamador”, pessoa que fica atrás do gol adversário orientando seu ataque. O goleiro, único do time que enxerga perfeitamente, orienta a defesa. O jogador também se orienta de acordo com o barulho da bola, que tem guizos dentro.
B2*/B3*: As regras não diferenciam muito do futsal regular, têm apenas algumas adaptações e uma preocupação com a luz, que não pode ter variações. A bola pode ter cor chamativa, para facilitar a localização. O goleiro não pode sair da área de seis metros.

(Fonte: Site da Federação Internacional de Esportes para Cegos)


Infra-estrutura do Parapan é a mesma do Pan

Diante da proximidade de datas entre o Pan e o Parapan-Americano, o Brasil saiu na frente ao construir a Vila Olímpica de acordo com as normas de acessibilidade, equiparando as modalidades de esportes.

“Estamos certos de que, ao adotar para os Jogos Parapan-americanos o mesmo formato que se aplica aos Jogos Olímpicos e aos Jogos Paraolímpicos, o Brasil e o Rio de Janeiro abrem novas perspectivas para que essa iniciativa se repita nas próximas edições dos Jogos Pan-americanos” – declarou o presidente do Comitê Organizador Rio 2007, Carlos Arthur Nuzman.