A consciência ambiental e social não é uma moda, mas um avanço social e claro, uma necessidade de sobrevivência. A tendência atingiu todas as áreas, inclusive o esporte que viu nascer uma modalidade que, dia a dia, ganha mais praticantes: a Corrida de Aventura. Ela surgiu na década de 80 na Nova Zelândia, com o objetivo de integrar o homem ao meio ambiente, de uma maneira totalmente consciente, mas só foi introduzida no Brasil no fim dos anos 90, com a “Expedição Mata Atlântica (EMA)”. Ainda é uma novidade, mas vem se espalhando e sendo muito bem aceita nos quatro cantos do mundo.
Nesse esporte participam pessoas de ambos os sexos, dispostas em grupos, que precisam vencer diversas etapas do circuito, no menor tempo possível. Seu grande diferencial é que a prática se dá na natureza, normalmente em regiões remotas, de difícil acesso, com provas multiesportivas. Exige preparo físico e psicológico para superar as enormes provações, que podem chegar a cinco dias de competição.
Os adeptos dessa modalidade se mostram verdadeiramente apaixonados pelos desafios impostos. Quem se dispõe a praticá-la sabe que irá enfrentar imprevistos e dificuldades. Portanto, é bom que o espírito de aventura seja uma das características inatas do atleta desse esporte.
Saber conviver, aceitar as diferenças e os limites individuais, também são atributos importantes e auxiliam no trabalho em equipe, que precisa ter membros em condições de competitividade bastante semelhantes, que possam evoluir juntos.
Para o professor universitário, Alexandre Ricardo Machado, o senso de grupo é fundamental, bem como o respeito ao meio ambiente. “O contato com a natureza permite maior consciência de sua importância” - disse. Aliás, o estudo dos impactos do homem nesses locais fazem parte dos preparativos das provas de aventura. “Há a preocupação de utilizar trilhas já existentes, normalmente de pescadores e caçadores” – explicou o esportista. Eles também realizam ações sociais, em contrapartida ao apoio dos patrocinadores. “Ministramos cursos e palestras sobre trabalho em equipe, preservação da natureza, superação, etc. Esses eventos são definidos pelos nossos apoiadores” – contou Machado.
O praticante e organizador de provas de corrida de aventura, Francisco Peres, mais conhecido por Fran, explica que a modalidade reuniu diversos esportes como: trekking (corrida ou caminhada por trilhas naturais), canoagem ou raffting (descida de rios em botes ou caiaques), tiroleza, (cabo aéreo entre dois pontos, por onde se deslocam pessoas com equipamentos específicos), rapel (atividade praticada com uso de cordas e equipamentos para a descida de paredões ou vãos livres), mountain bike (ciclismo em terreno acidentado)....e outras que vão depender da escolha dos organizadores da prova.
Os conhecimento básicos incluem o uso de equipamentos como: mosquetões, caiaques, bússolas e a leitura de mapas, sendo estes entregues momentos antes da largada e são absolutamente necessários, para o cumprimento da prova.
Fran disse que o ineditismo de situações, os lugares sempre desconhecidos são ao mesmo tempo, as grandes dificuldades e atrativos. “Nesse tipo de competição a capacidade de sociabilização é muito exigida” – disse. Isso porque se uma pessoa do grupo não estiver bem, pode comprometer a prova dos demais. A valorização de pequenas coisas também é uma lição que se aprende nessa atividade. “Nessas situações limites, percebemos e aprendemos a dar valor às mínimas coisas. Ao que é realmente básico e importante na nossa vida” – afirmou.
O esporte ainda tem um custo elevado, segundo Peres, pois há necessidade de carro e equipe de apoio, treinamento multidisciplinar em várias modalidades, diversos equipamentos esportivos modernos e disponibilidade de tempo para participação de provas longas. As competições exigem muito de seus participantes. As mais curtas duram cerca de 5 horas. De qualquer modo é necessário portar diversos equipamentos de segurança, primeiros socorros, nutrição e localização. Isso significa carregar mochilas que pesam em torno de sete quilos, manter o equilíbrio e a motivação da equipe, superar os obstáculos, vencer dificuldades físicas, interpretar os mapas e cumprir todas as tarefas. Quem conseguir isso o mais rápido, vence a prova!
Equipamentos para a Corrida de Aventura
Apito - Serve para um companheiro indicar a sua localização aos outros do grupo.
Bicicleta - Apenas as mountain bikes são usadas.
Bússola - Utilizada para a navegação.
Capacete - Deve sempre ser usado.
Cobertor de sobrevivência - Medida de segurança para prevenir a hipotermia.
Faca ou Canivete - Cortar comida, galhos, ou qualquer outro obstáculo.
Kit de primeiros socorros - Sempre deve ser levado para casos de emergência.
Lanterna ou head-lamp - Uma para cada membro da equipe.
Light stick - Bastão com um fluido fluorescente que é usado na sinalização durante as etapas noturnas.
Mosquetões - Para as partes de escalada e rapel.
Fonte: http://oradical.uol.com.br