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A arte de vencer obstáculos

A arte de vencer obstáculos

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Seção: Editorias - Categoria: Esportes
Escrito por Redação Qui, 29 de Janeiro de 2009 13:34
O exemplo dos paraatletas brasileiros, que surpreenderam pelos resultados, mostra que a capacidade de superação e a força do trabalho ainda são os melhores aliados para vencer qualquer crise. Esses atletas são experts em transformar obstáculos, dificuldades e descrença em metais valiosos.

Prova maior dessa excepcional performance foi vista em 2008, quando o Brasil alcançou a 9ª posição no ranking da Paraolimpíada de Pequim. Nesse evento, com menos assédio da mídia, os brasileiros trouxeram no peito 16 ouros, 14 pratas e 17 medalhas de bronze, quebrando paradigmas e comprovando que a eficiência transcende as limitações físicas, sociais e da visibilidade.

De grão em grão...

Responsável pela conquista de cinco medalhas em Pequim, o nadador André Brasil ensina que a mais importante lição está na dedicação e na seriedade com que são realizados os projetos de vida. Aos três meses, ele foi vítima de poliomielite que o deixou com uma seqüela na perna esquerda. Para amenizar seus efeitos, o médico sugeriu que ele se dedicasse à natação. Iniciou treinando com pessoas não-portadoras de deficiências e posteriormente, descobriu que poderia competir como paraatleta. “Muita gente não sabe que ele compete na categoria para atletas com baixo grau de deficiência física, mas quando tomam conhecimento, se surpreendem. sua excelente atuação também motiva outras pessoas portadoras de deficiência” – destaca Joana Bueno, uma das responsáveis pelo instituto superar, organização que agencia alguns dos principais paraatletas brasileiros, entre eles André Brasil.

Para Joana, os bons resultados obtidos por esses atletas vem abrindo espaço para novos atletas.

Deficiência eficiente

A história do recordista mundial nos 100m e 200m, Lucas Prado, que ganhou nove das dez competições que participou em Pequim, também se assemelha à do nadador. Após perder a visão em 2006, desenvolveu habilidades antes desconhecidas. Aceitou o convite de um amigo paraatleta para dedicar-se ao esporte, porque vislumbrou a possibilidade de viajar e conhecer novos lugares, como sempre quis. “Sempre gostei de quebrar barreiras e quando percebi que poderia ir além, aproveitei. É emocionante demais ouvir as vozes e tentar imaginar o que está se passando e ao mesmo tempo, relembrar de todo o caminho que enfrentei para alcançar este resultado” – disse Prado.

Ele é um grande incentivador da prática para-esportiva, visando manter uma trajetória de ascensão, de vitórias e valorização. “Não sou imbatível, quero que outras pessoas corram contra o tempo, não contra mim, e que batam novos recordes. Precisamos de mais atletas de ponta para obter mais investimentos. Estamos fazendo a nossa parte” – afirmou.

... Ainda falta visibilidade

De acordo com Joana Bueno, do Instituto Superar, o preconceito tem diminuído aos poucos, porém, ainda falta visibilidade. “O comitê Paraolímpico Brasileiro levou para a cobertura de Pequim 26 profissionais, somente um representava a mídia impressa e, mesmo assim, tínhamos pouco espaço nos telejornais” – ressalta.

Ela conta que a pouca divulgação também se deu nos demais países, frustrando os leitores, internautas e espectadores que esperavam mais informações sobre as provas.

“Durante as competições, um editor de esporte de um grande jornal brasileiro negou-se a publicar os resultados da Paraolimpíada, alegando que não se tratava de esporte, mas de responsabilidade social” – lamenta Joana.

Contudo, ela diz que os resultados mudaram este quadro e quem confirma isso é Lucas Prado: “antes dos bons resultados nenhum veículo de comunicação se interessava. Agora, são várias solicitações de entrevistas” – revela ele.

Segundo a representante do superar, esta exposição, mesmo que tardia e ainda limitada, é importante para o fortalecimento e o desenvolvimento de novas parcerias com empresas que começam a enxergar o patrocínio desses atletas por um novo prisma. Suas marcas estarão relacionadas à garra, determinação, persistência.

De acordo com Francisco Sogari, jornalista e Fundador Presidente do Instituto Gabi, que atende pessoas portadoras de necessidades especiais, a pessoa com deficiência carrega um grande estigma, causado por uma série de “nãos” que lhe são impostos pela sociedade, o que reprime a capacidade de pensar, sentir e agir. “É preciso dar as condições para que eles desenvolvam seus potenciais criativos e espontâneos, e uma das formas de se fazer isso é investir no esporte. Ele é um importante aliado para que essas pessoas respondam a esse estímulo, por vezes mais lento, mas real” – afirma Sogari.

“O desempenho da delegação brasileira na Paraolimpíada teve um simbolismo muito especial para todos os que lutam pela causa: a superação dos limites e a convicção do potencial transformado em resultados” – conclui. Que todo esse esforço sirva como lição para 2009.