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Maurren Maggi: uma brasileira que vale ouro

Maurren Maggi: uma brasileira que vale ouro

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Seção: Editorias - Categoria: Esportes
Escrito por Rosane Araújo Qui, 23 de Abril de 2009 17:11

Ela também sofreu uma contusão na coxa durante as eliminatórias das Olimpíadas de Sydney, em 2000, terminando na 25ª posição e foi suspensa poucos dias antes dos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, em 2003, acusada de dopping. Ficou de fora de Athenas 2004 devido à suspensão e viu os jornais noticiarem o fim de sua carreira.

Os extremos parecem mesmo acompanhar a trajetória de Maurren Higa Maggi. Mas, ao que parece, uma outra palavra também está sempre com ela: superação.

“As pessoas sempre me param e a palavra que mais ouço é essa: superação. Tenho consciência do impacto que minha história tem sobre as pessoas e me preocupo sim em provocar, com meu exemplo, mudanças positivas na vida delas”, revelou a atleta.

Descoberta em 1993 pelos que ainda hoje são seus técnicos, Nélio e Tânia Moura, a saltadora de 32 anos, como boa parte dos atletas brasileiros, passou por dificuldades no início da carreira. Ficou longe da família, dividiu alojamentos com outras atletas, batalhou para conseguir bons patrocinadores.

A certeza de que estava no caminho certo, porém, fez com que persistisse. “Minha família sempre me apoiou e desde pequena eu tinha a intenção de me tornar uma atleta. No começo, não tinha certeza quanto à modalidade, e isso foi bom para mim, pois pude experimentar um monte de coisas. Quando a Tania me convidou para ir treinar em São Paulo, me convenci que meu futuro estava no atletismo”, conta.

Já em 1996, Maurren integrou as estatísticas da Federação Internacional de Atletismo (Iaaf), registrando 6,47m. Em 1999, obteve a melhor marca da sua carreira, que dura até hoje, com 7,26m, em uma competição em Bogotá, na Colômbia. No mesmo ano, veio a medalha de ouro no Pan de Winnipeg, no Canadá.

A carreira tão bem sucedida ficou à beira do abismo em 2003, com o episódio do doping, quando a substância clostebol foi encontrada em seu organismo. O composto estava na fórmula do creme cicatrizante Novaderm, que foi aplicado após uma sessão de depilação definitiva. A droga é a primeira na lista de proibições da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF).

Na ocasião, a atleta pensou mesmo em abandonar o esporte. “Logo no começo, acreditei que poderia provar minha inocência. Foi um momento muito difícil, mas fui absolvida em meu julgamento no Brasil e isso para mim valeu muito. Depois desse processo desgastante, a Federação Internacional recorreu, e eu realmente me afastei dos treinos, abandonando inclusive minha defesa. Mas há males que vêm para bem: foi nessa época que tive a Sophia, e ela foi minha maior força para voltar a treinar e competir”, avalia.

Renovada pelo nascimento da filha, Maurren voltou aos treinamentos em 2006 e os resultados já apareceram no ano seguinte: ouro no Pan do Rio, com a marca de 6,84m. Foi sua volta oficial às manchetes dos jornais, novamente de forma positiva.

E para coroar de vez seu retorno, a consagração veio nas Olimpíadas do ano passado, logo no primeiro salto, com a marca de 7,04m. A russa Tatyana Lebedeva, que havia sido campeã olímpica em Atenas-2004, chegou perto: 7,03m. Mas, por um centímetro, Maurren garantiu o ouro, uma conquista que emocionou os brasileiros.

A medalha foi dedicada à filha. “É pela Sophia que eu estou aqui”, declarou ao final da prova. A resposta inusitada de Sophia, de 4 anos, foi acompanhada com graça por todo o país. “Eu queria de prata”, disse a pequena aos repórteres.

E com esta história emocionante, Maurren entrou para a galeria de ídolos do esporte brasileiro. Tanto carinho recebido pelo Brasil afora tem sido retribuído por meio de iniciativas de cunho social. “Além das ações com o Clube Rede Atletismo (sua equipe), também participo junto com a Federação Paulista de Atletismo e a Secretaria de Esportes e Turismo de São Paulo de programas sociais, com várias escolinhas de atletismo espalhadas por São Paulo. Quero continuar emprestando minha imagem para promover iniciativas como essas. Tenho certeza que descobriremos muitos campeões, e que formaremos muita gente responsável com esse tipo de trabalho”, comentou.

Suas expectativas em relação ao desenvolvimento do esporte no país também são positivas. “Estamos melhorando muito, em vários níveis. Temos hoje mais equipes, mais apoio governamental, a Confederação e a Federação Paulista estão bem estruturadas. Quase toda minha preparação foi feita no Brasil, com pequenos períodos realizados no exterior, para me manter perto das competições. Mas o que me anima é saber que estamos preocupados em continuar melhorando, dentro e fora das pistas. Com isso, nossa chance de continuar obtendo resultados de destaque internacional vai continuar sendo grande”, afirmou.

Muita da confiança nos bons resultados e no crescimento do esporte brasileiro certamente vem da paixão da atleta pelo país e seu povo. “O povo brasileiro é vibrante, acolhedor, e o país é lindo. Tenho orgulho da exuberância da natureza e da persistência do povo”, declarou. Em matéria de persistência, ninguém pode negar que a saltadora é uma autoridade.

E em breve, ela terá oportunidade de mostrar isso novamente. Suas dores no joelho, as quais vem sendo apontadas pela imprensa como um problema de peso, terão que ser superadas para que ela consiga participar do Campeonato Mundial, que será disputado em agosto, em Berlim, Alemanha.

“Não tenho dúvidas que chegarei a Berlim em condições de competir de igual para igual com as melhores do mundo. Quando se falou a respeito de minhas dores no joelho, houve uma supervalorização. Elas não eram assim tão fortes, diria até que eram dores normais pelo tipo de atividade que tenho. Quando aparecem, reduzo os treinamentos, me afasto um pouco das competições e volto com mais força ainda”, disse.

Alguém ainda tem dúvidas de que ela consegue?