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Tábua de plástico ecológica

Tábua de plástico ecológica

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Seção: Editorias - Categoria: Meio Ambiente
Ter, 20 de Janeiro de 2009 16:39


As conhecidas sacolinhas de plástico, bem como as embalagens de diversos objetos são feitas a partir de resinas (polímeros) sintéticas, derivadas do petróleo e apresentam grande resistência à biodegradação. Em função disso, a destinação desse resíduo tem sido motivo de preocupação ambiental. Diversas campanhas defendem a sua substituição por materiais de decomposição mais rápida, após o descarte. Paralelamente a essa discussão, uma solução de reaproveitamento do material chamou a atenção e vem sendo desenvolvida no sul do país. As sacolinhas passam por um processo de reciclagem e são transformadas em tábuas de plástico ecológicas. Com essas tábuas são produzidos bancos de jardim, cercas, apoio ergonômico para os pés, floreiras, paletes, deck de piscina, além de uma infinidade de outras possibilidades.

A idéia surgiu numa indústria em Dois irmãos, no interior gaúcho, que precisa dar destinação a nove toneladas mensais de resíduos. Utilizando tecnologia dominada (já conhecida) a empresa iniciou o processo para fundir os saquinhos e transformá-los em uma matéria sólida, bastante resistente e que foi batizada de “tábua de plástico”.

A experiência chegou ao curso de Engenharia industrial da Universidade Feevale, em Novo Hamburgo/RS. O engenheiro químico Diego Rafael Bayer, da Feevale, descobriu as aplicabilidades para o material. “Realizamos uma espécie de consultoria para a indústria, caracterizando melhor e sugerindo mudanças ao processo, obtendo um produto final bem homogêneo” disse ele. Esse estudo durou cerca de quatro anos e contemplou os testes para a aplicação dessas tábuas em objetos utilitários. O resultado agradou a todos. O campus da universidade ganhou bancos muito mais resistentes que os antigos de madeira e floreiras. Os funcionários que utilizam computadores ou que trabalham sentados receberam apoios ergonômicos para os pés, tudo feito com as tábuas ecológicas.

Bayer acredita que a solução mostrou a possibilidade criativa, a um custo baixo do reaproveitamento desse material, com ganhos econômicos e sobretudo, ambientais, já que esse plástico, utilizado na fabricação desses itens deixou de ser descartado na natureza. Para a construção de um banco de jardim são necessárias cerca de 10 mil sacolas e para uma floreira, aproximadamente, 8 mil.

“O produto não pega cupim, não está sujeito a fungos, não apodrece e tem uma durabilidade muito maior que a madeira. o material ainda pode ser reciclado outras vezes”, comenta o engenheiro industrial, que informou que novos estudos com outros tipos de polímeros já estão também bastante avançados.

Atualmente, o processo não está sendo desenvolvido em larga escala, pois o insumo (plástico) para a fabricação das peças ainda vem apenas da indústria de embalagens de Dois irmãos, mas o interesse de diversas empresas indicam a implementação de um novo negócio. “O material utilizado hoje é um resíduo limpo. Se utilizarmos material de coleta seletiva de lixo será necessário inserir uma nova etapa, que é a lavagem desse material, evitando o odor muito forte” – disse o engenheiro.

Processo para transformação das sacolas plásticas em tábuas ecológicas:
1. Trituração: o plástico é moído, transformando-se em fragmentos de um centímetro.

2. Aglutinação: o material é movimentado e submetido ao calor, de modo a unir as partículas e formar uma massa plástica;

3. Extrusão: a massa é derretida e se funde tornando-se homogênea. Em seguida, é empurrada para dentro de uma matriz, de onde sai já no formato de tábuas.

Obs: O processo utiliza água para resfriamento (que pode ser reaproveitada indefinidas vezes) e energia elétrica.

 
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