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Soluções ambientais

Soluções ambientais

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Seção: Editorias - Categoria: Meio Ambiente
Sex, 20 de Março de 2009 16:33
Mas o que acontece com a água depois de utilizadala Sim, porque cada gota de água que consumimos ou que utilizamos vai para algum lugar. Estima-se que os brasileiros produzam 32 milhões de metros cúbicos de esgoto por dia.

Conforme números do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, do Ministério das Cidades, apenas 25% desse esgoto é tratado antes de ser descartado. Isso demonstra o tamanho do desafio ambiental que essa questão representa para o país.

O saneamento básico, que é o nome dado ao conjunto de ações que engloba a captação, tratamento e distribuição de água, coleta e tratamento de esgoto, bem como sua disposição final é realizado por empresas públicas e privadas. Até 2010, o governo deverá investir R$ 40 bilhões em obras de saneamento. Esses investimentos precisam ser cumpridos para que o país alcance a meta estabelecida pela ONU nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

MAIOR PROJETO DE SANEAMENTO EM EXPANSÃO

Um dos maiores projetos de saneamento e recuperação ambiental em andamento no Brasil é o Onda Limpa, desenvolvido pelo Governo do Estado de São Paulo, através da Sabesp, na Região Metropolitana da Baixada Santista (RMBS). As obras que foram iniciadas em maio do ano passado deverão estar concluídas em 2011. De acordo com o superintendente da Unidade de Negócios da Baixada Santista, Reinaldo Young, o programa visa aumentar os índices de coleta de esgoto da região, de 53% para 95% e o de tratamento de esgoto para 100% até 2011. São previstos investimentos de R$ 1,23 bilhão, sendo R$ 1,04 bilhão em empreendimentos de coleta e tratamento de esgotos e R$ 187 milhões em aprimoramento de água, com o financiamento do Japan Bank International Cooperation (JBIC) e a contrapartida da Sabesp e do BNDES.

Serão instalados 1.175 km de redes coletoras, coletores-tronco, interceptores e emissários; 120.424 mil ligações domiciliares; 101 Estações Elevatórias de Esgoto; 7 Estações de Tratamento de Esgotos e Emissários Submarinos de Santos e Praia Grande, beneficiando uma população de 1,6 milhão de habitantes (residentes) e 1,35 milhão de pessoas em período de alta temporada e que nos momentos de pico chega a alcançar 2,95 milhões. O Onda Limpa prevê ainda a ampliação do emissário submarino de Santos, numa complexa operação que envolverá mergulhadores, helicópteros, embarcações e que interromperá o trânsito do maior Porto da América Latina, o de Santos, durante a operação que transportará uma tubulação de quase mil toneladas e 425 metros, que será acoplada à tubulação já existente sob o mar.

PROGRAMA REÚSO DE ÁGUA

A Sabesp, a exemplo do que fazem países desenvolvidos, implantou o Programa Reúso de Água, que vem sendo, a cada dia, mais adotado por indústrias e alguns condomínios privados. Os objetivos são: proteção da saúde pública, manutenção da integridade dos ecossistemas e uso sustentado da água. A conta é simples, cada litro de água de reúso é um litro a menos de água captada.

Também é um litro a mais de água potável destinada para uso mais nobre: o consumo humano. Cabe lembrar que fazemos parte de uma população que dá descarga, lava o carro e o quintal com água potável.

A água de reúso, atualmente produzida e disponibilizada dentro das estações de tratamento de esgotos, pode ser utilizada para lavagem de ruas e pátios, irrigação e rega de áreas verdes, desobstrução de rede de esgotos, assentamento de poeira em canteiros de obra e cura de concreto. Ela não pode ser utilizada para consumo, nem para banhos, nem para agricultura de produtos de consumo direto (ex: ervas, verduras ou frutas).

Os municípios de São Paulo, São Caetano, Diadema, Carapicuíba e Barueri já utilizam o produto para lavagem das vias públicas e desobstrução de galerias pluviais. Empresas do setor petroquímico, têxtil, construção civil e demais segmentos industriais já fazem uso dessa água em seus processos.

A distribuição acontece através tubulações ou por caminhões-pipas, dependendo da demanda, utilização e projeto apresentado.

São tratados em São Paulo, 16 mil litros de esgoto por segundo. Apenas 1% está sendo utilizado como água de reúso. Conforme explicou a analista Eliane Rodrigues de Almeida Florio, do Departamento de Planejamento, Controladoria e Desenvolvimento Operacional, da Sabesp, teoricamente, todo esgoto tratado poderia ser disponibilizado como água de reúso. É evidente que esse fornecimento teria que ser estruturado conforme a demanda e especificações de uso. “Acredito que a prática do reúso da água é irreversível e uma das melhores soluções ambientais” – disse ela.

Atualmente, são fornecidas na Região Metropolitana de São Paulo, 1,08 milhão/m3/ano (dados 2008) de água de reúso para usos não-potáveis.

CUSTOS

Os preços atuais (a partir de 11/09/08) são de R$ 0,48/m³ para empresas públicas e R$ 0,81/m³ para empresas privadas e são reajustados de acordo com a política tarifária da Sabesp. Projetos customizados para fornecimento via rede têm seus preços determinados de acordo com as características de cada contrato.

PLANTAS NO TRATAMENTO DE ESGOTO

Um tratamento de esgoto com utilização de plantas tem se mostrado um eficiente método alternativo para recuperação de água servidas. Chamado Sistema Zona de Raízes é um tratamento primário que funciona como um decantador com três câmaras e um filtro anaeróbico. A decantação primária remove os sólidos em suspensão de maior dimensão. Em seguida, o efluente é conduzido para o filtro biológico (tratamento secundário) por gravidade, por meio de uma canalização de PVC de 100 mm de diâmetro. O líquido que passou pelo meio filtrante vai até o poço de sucção e é bombeado para o tratamento final: O canteiro de juncos – “Zona de Raízes“.
Conforme explicou Stephan Posch, diretor da ADESCAN - Agencia de Desenvolvimento Econômico e Social de Caldas Novas, o sistema tem sido utilizado para tratamento de esgoto doméstico e efluente industrial (após análise). São utilizadas plantas da família de juncos, como por exemplo, a taboa e também bambu e plantas ornamentais. As plantas oxigenam o efluente e permitem a limpeza do esgoto. A água limpa por essa técnica pode ser utilizada para irrigação de jardins, descarga de vaso sanitário ou ser descartada sem riscos de contaminação. O melhor é que tem baixo custo, exige uma operação menor que o tratamento tradicional, reaproveita a água utilizada e a estação de tratamento ainda se assemelha a um jardim comum. O mecanismo tem sido utilizado por empresas, residências e universidades de Goiânia.

VANTAGENS

• Permite o reúso da água sem lâmpada ultravioleta;
• Consome pouca energia;
• Permite ligação no pluvial;
• Um jardim ornamental;
• Exige mínima manutenção e operação;
• É supersilenciosa;
• Inibe mau cheiro.

TECNOLOGIA SOCIAL

Uma pesquisa divulgada pela Agência FAPESP mostra que cientistas irlandeses estão utilizando a nanotecnologia para aprimorar um método de baixo custo para a desinfecção da água por meio da luz solar. Segundo a matéria, de autoria de Fábio de Castro, os estudos coordenados por Patrick Dunlop, professor da Escola de Engenharia da Universidade de Ulster, na Irlanda do Norte, buscam desenvolver fotocatalisadores nanoestruturados para aplicação em um equipamento de baixo custo que possa utilizar a energia solar para purificar a água em regiões carentes. O método é muito simples e consiste em depositar água em garrafas PET, que são colocadas sob o sol por um período de cerca de 6 horas, normalmente sobre os telhados das casas, antes do consumo. O projeto é realizado em diversos países da África, Sudeste Asiático e América Central, além de Peru, Equador, Bolívia e Brasil, onde foi implantado na comunidade de Prainha do Canto Verde, na região de Fortaleza (CE). Estudos mostraram que crianças com menos de 6 anos que utilizaram água submetida à desinfecção solar tiveram sete vezes menos probabilidade de contrair cólera. Por outro lado, alguns patógenos ainda são resistentes e há problemas para garantir a qualidade e as condições da garrafa. Por isso mesmo, o grupo coordenado por Dunlop desenvolveu protótipos de equipamentos que utilizam fotocatalisadores para acelerar a desinfecção da água, com a intenção de substituir as garrafas PET por um reator de fluxo contínuo que está sendo desenvolvido na Espanha. Depois de uma análise de custo, esses aparelhos, em formato portátil, serão testados em comunidades africanas em 2009, aumentando a eficiência e a segurança do processo.