Seção:
Editorias
-
Categoria:
Meio Ambiente
Escrito por Caio Martins
Seg, 05 de Outubro de 2009 18:15
Isso representa apenas 8% do total de mata que existia na chegada dos portugueses ao Brasil, em 1500 (a área de florestas ocupava 15% do território brasileiro, ou seja, 1.306.421 km²).
A pesar de tais dados, levantamentos recentes divulgados pelo Governo Federal apontam um crescimento de 12% na área florestal do bioma. Isso porque a Mata Atlântica possui uma alta propriedade de regeneração. Outros dados, divulgados pela fundação SOS Mata Atlântica, mostram uma queda no desmatamento da floresta em oito estados brasileiros. No entanto, alguns estados, como Santa Catarina e Paraná, continuam com altos níveis de destruição.
Esse desmatamento e degradação mostram-se como grandes problemas, principalmente porque as 120 milhões de pessoas que vivem na região do bioma dependem da manutenção e dos serviços ambientais prestados por ele, sendo na proteção de nascentes e fontes que abastecem as cidades e comunidades do interior, na regulação do clima, da temperatura, da umidade e das chuvas, na fertilidade do solo ou na proteção das escarpas e encostas de morros de eventuais processos erosivos.
Mata Atlântica Florestal
Independente da área reduzida, a Mata Atlântica continua na lista dos biomas mais ricos do mundo em diversidade de plantas e animais. Entre os vegetais, levando em consideração apenas o grupo de angiospermas, plantas que possuem sementes protegidas dentro dos frutos, acredita-se que a Mata Atlântica possua cerca de 20.000 espécies, ou seja, aproximadamente 35% das existentes em todo o Brasil. Desse total, cerca de 8 mil são endêmicas (exclusivas do bioma). Esses dados fazem com que a floresta seja a mais rica do mundo em árvores. Um exemplo da tamanha diversidade está no sul da Bahia. Em apenas um hectare de terra, foram encontradas 454 espécies distintas de árvores (Veja o quadro comemorativo ao Dia da Árvore).
Entre as espécies de frutas exclusivas da Mata Atlântica, destaca-se a jabuticaba (Myrciaria trunciflora). Seu nome vem da palavra tupi iapoti-kaba, que significa “frutas em botão”. Outras frutas típicas do bioma são a goiaba, o araçá, a pitanga e o caju. Já entre as árvores, o destaque fica para a erva-mate. A partir de suas folhas é produzido o chimarrão, popular bebida da Região Sul do país.
No entanto, da mesma maneira que há o lado positivo de se haver tantas plantas endêmicas no bioma, há também o lado negativo: grande parte das espécies está ameaçada de extinção. Entre os fatores que contribuem para o desaparecimento das plantas está o consumo exaustivo, como é o caso do pau-brasil, espécie que deu origem ao nome do nosso país.
Outros fatores são as queimadas dos terrenos para a criação de gado, o desmatamento e o comércio ilegal. Este último é um dos principais causadores da destruição da vegetação, mesmo com leis que proíbem o plano de manejo. Espécies, como o palmito-juçara, as orquídeas e as bromélias, quase entraram em extinção por causa da exploração intensiva. Plantas medicinais também sofrem muito com o comércio ilegal, sendo retiradas sem quaisquer critérios e planos de reposição.
Mata Atlântica Animal
A Mata Atlântica possui uma grande diversidade de animais. Vivem no bioma aproximadamente 1,6 milhão de espécies de animais, incluindo os invertebrados. Grande parte dessas espécies é endêmica, ou seja, não podem ser encontradas em nenhum outro lugar do planeta. Ao todo, estão catalogadas 270 espécies de mamíferos (73 endêmicas), 849 espécies de aves, 370 espécies de anfíbios, 200 de répteis e cerca de 350 espécies de peixes. O destaque entre os animais fica para o Mico-leão-dourado. Confira um pouco sobre esse animal no quadro.
Bicho Destaque: Mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia)
O mico-leão-dourado, endêmico da Mata Atlântica de Baixada Costeira do estado do Rio de Janeiro, é uma espécie de macaco que mede cerca de 60 cm, pesando entre 550 a 600 gramas. Encontrado sempre em grupos de 5 ou 6 indivíduos, o primata se alimenta de frutos silvestres, insetos, pequenos vertebrados e, eventualmente, de goma de algumas árvores. Com expectativa de vida média de oito anos, reproduzem-se de uma a duas vezes por ano, produzindo, normalmente, dois filhotes gêmeos.
Assim como a maioria dos animais do bioma, o mico também está ameaçado de extinção. Este só não entrou para a história por causa de um programa instalado no Rio de Janeiro na tentativa da recuperação da população desses animais. Para se ter uma idéia, nos anos 70 existiam apenas 200 micos-leões-dourados na natureza. Hoje, o número de micos chega a mil.
Extinção Animal
Os anos passam e as espécies ameaçadas de extinção aumentam. Em 1989, a lista publicada pelo Ibama já trazia dados impressionantes, mostrando que 202 espécies de animais eram consideradas oficialmente ameaçadas no Brasil, sendo que 171 viviam nas florestas atlânticas. Em 2003, dados ainda piores foram liberados pelo Ministério do Meio Ambiente. O total de espécies ameaçadas no país subiu para 633, sendo que a maioria reside na região da Mata Atlântica.
Das 265 espécies de vertebrados ameaçados, 185 ocorrem nesse bioma (100 endêmicas). Das 160 aves da lista, 118 vivem na região atlântica (49 endêmicas). Das 69 espécies de mamíferos, 38 residem no bioma (25 endêmicas). Dos anfíbios da lista, todas as 16 espécies ameaçadas são exclusivas da Mata Atlântica. Exemplos de animais ameaçados são o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) e o muriqui, também conhecido como mono-carvoeiro (Brachyteles arachnoides).
Os motivos para essa ameaça variam muito. Um dos principais é o tráfico de animais. O comercio ilegal no Brasil movimenta cerca de 10 bilhões de dólares por ano. A cada 10 animais traficados, apenas um resiste às pressões da captura e cativeiro.
Outro problema é a perda do habitat para outras espécies. Estes “estrangeiros” invadem regiões de onde não são nativos por terem perdido seu próprio lar. Em outra situação, o próprio homem solta espécies não-nativas em locais inapropriados, prejudicando o desenvolvimento das espécies locais. Isso porque os animais de outras regiões se multiplicam de maneira muito mais acelerada, já que não tem predadores e têm comida abundante.
Um exemplo da soltura indevida aconteceu no Parque Estadual da Ilha Anchieta, em São Paulo. Foram soltas pelo governo, em 1983, 8 cutias e 5 mico-estrelas. Essas espécies multiplicaram-se muito rápido, chegando a ter populações de 1.160 e 654 indivíduos, respectivamente. Como consequência, cerca de 100 espécies de aves, cujos ninhos são predados por esses animais, foram extintas na ilha.
Mata Atlântica Social
A Mata Atlântica abriga quase 65% de toda a população do Brasil, ou seja, cerca de 120 milhões de pessoas. Isso porque foi na área original do bioma que os primeiros aglomerados urbanos, pólos industriais e principais metrópoles foram formados.
Além da população urbana, nela vivem diferentes tribos e culturas tradicionais, o que faz com que a área tenha uma das maiores diversidades culturais brasileiras. Entre os indígenas, destacam-se os Guarani. Já entre as culturas tradicionais não-indígenas, o destaque fica com os caiçaras, os quilombolas, os roceiros e os caboclos ribeirinhos.
Mesmo possuidora de tal patrimônio cultural, a Mata Atlântica também é muito excludente. Muitas vezes as comunidades ficam marginalizadas da sociedade. Isso ocorre por causa do processo de desenvolvimento desenfreado das redes urbanas, que acabam por deixar de lado essas populações e até, muitas vezes, acabam expulsando os moradores de seus territórios originais.
Desmatamento e Degradação
Muitos são os fatores que implicam na destruição da Mata Atlântica. Um deles é o avanço das cidades espontâneas, ou seja, aquelas que não são planejadas e acabam por crescer “desgovernadamente”. Esse tipo de crescimento não leva em conta os remanescentes florestais, o que faz com que o bioma seja destruído. Além disso, sem um prévio estudo da melhor maneira de expandirem-se, muitos desastres acabam por ocorrer, como deslizamentos e enchentes.
Outro fator é o da construção de hidrelétricas, em especial em duas regiões: na da Bacia do Rio Uruguai, que fica na divisa de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul, e na da Bacia do Rio Ribeira de Iguape, divisa de São Paulo com Paraná. Quando construídas, as hidrelétricas alagaram grande parte das áreas ao redor, acabando com a biodiversidade daqueles pontos.
Um terceiro fator é a atividade mineradora. As regiões do sul de Santa Catarina e as áreas de Minas Gerais e Espírito Santo têm essa atividade ocupando um alto número de hectares da floresta, o que significa que os montantes de impactos ambientais negativos também são grandes.
Outra questão importante é o avanço das monoculturas de árvores exóticas e da própria agricultura feita sem planejamento, ordenamento ou controle dos governos estaduais. O desmatamento feito para o plantio de exóticas e de grãos é responsável pela maior parte da atividade destruidora dessas áreas.
Curiosidades
- A cobertura florestal da Mata Atlântica já ocupou quase 15% do território nacional. Hoje, apenas 8% da cobertura original está intacta.
- Segundo as metas da Conservação da Biodiversidade, precisamos ter 10% de cada bioma preservado em unidades de conservação para que este não entre em extinção em poucos anos. No entanto, o índice da Mata Atlântica mal chega a 3%.
- A Reserva Biológica de Uma, na região sul da Bahia, possui a maior diversidade de árvores do mundo: cerca de 450 espécies diferentes em apenas um hectare de mata. (Dados obtidos através de um estudo realizado por técnicos do Jardim Botânico de Nova Iorque, em 1993)
- A Mata Atlântica abriga o primeiro parque nacional brasileiro: o Parque Nacional de Itatiaia. Criado em 14 de junho de 1937, entre os estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, ele abriga 360 espécies de aves e 67 espécies de mamíferos.
- A UNESCO reconheceu, no começo da década de 90, parte da Mata Atlântica como Reserva da Biosfera. Com uma área total de 290 mil km², a Reserva estende-se por cerca de 5 mil quilômetros ao longo da costa brasileira.
- Ao todo, existem quatro espécies de micos-leões, todas exclusivas do Brasil: o mico-leão-dourado, residente da Mata Atlântica de Baixada Costeira do estado do Rio de Janeiro; o mico-leão-da-cara-dourada, que mora na região cacaueira do sul da Bahia; o mico-leão-preto, residente do Morro do Diabo, Pontal do Paranapanema (SP); e o mico-leão-da-cara-preta, encontrado na região do Lagamar (Paraná e São Paulo). O detalhe fica para o último, que foi descoberto apenas em 1990.
Receita Típica da Mata Atlântica: Bolo de Pinhão
Ingredientes:
Massa:
- 1 xícara de chá de manteiga
- 1 lata de leite condensado
- 4 gemas
- 1 pitada de sal
- 1 xícara de chá de pinhão cozido, descascado e moído
- 1 xícara de chá de farinha de trigo
- 1 colher de sopa de fermento em pó
- 4 claras em neve
Glacê:
- 1 e 1/2 xícara de chá de açúcar de confeiteiro
- 1 colher de sopa de suco de limão
Preparo:
Massa:
1. Bata a manteiga e, aos poucos, coloque o leite condensado até obter um creme;
2. Sem parar de bater, junte as gemas, o sal, o pinhão, a farinha e o fermento;
3. Por último, misture delicadamente as claras em neve;
4. Coloque a massa em uma assadeira untada e leve ao forno;
5. Após 30 minutos, retire a assadeira do forno e deixe-a esfriar.
Glacê:
1. Em uma panela, coloque o açúcar, o suco de limão e 2 colheres (sopa) de água quente.
2. Leve ao fogo e mexa até obter uma mistura homogênea.
3. Por fim, desenforme o bolo e cubra com o glacê.
21 de Setembro: Dia da Árvore
No dia 21 de Setembro, comemoramos o Dia da Árvore. Formalizado há 30 anos no Brasil, esta data relembra os laços do nosso povo com a cultura indígena. Um desses laços é o amor e respeito pelas árvores.
Dia 21 marca também a chegada da primavera no hemisfério sul. Uma das mais belas estações, a primavera data um novo ciclo para o meio ambiente, na qual recupera-se a vida na natureza, após os meses de silêncio do inverno.
Fontes:
Almanaque Brasil Socioambiental - ISA 2008
Mundo de Sabores - www.mundodesabores.com.br
WWF Brasil – www.wwf.org.br
Instituto Ambiental Nova Era - http://www.diadaarvore.org.br