... no Assentamento Agroextrativista Praia Alta Piranheira, em Nova Ypixuma, no sul do Pará. Ele era castanheiro e vivia da extração de castanhas e outras frutas da floresta amazônica. O lugar onde o casal morava é protegido por lei e o corte de árvores é ilegal.
Como ele sempre se negou a negociar as árvores com os madeireiros da região e denunciou a manobra desses exploradores, ele se viu ameaçado de morte. Numa palestra que realizou no
TEDxAmazônia, evento organizado por uma entidade internacional com a participação de 400 pessoas (que NEO MONDO cobriu - foto acima, reproduzida da edição de Dezembro de 2010) para discutir o bioma, ele previu o seu assassinato:
“Em 1997 a gente tinha uma cobertura vegetal de 85% de floresta nativa onde concentrava castanha e cupuaçu. Hoje com a chegada das madeireiras resta pouco mais de 20% dessa cobertura. É um desastre para quem vive do extrativismo como eu, que sou castanheiro desde os 7 anos de idade. Eu vivo da floresta, protejo ela de todo jeito, por isso eu vivo com a bala na cabeça a qualquer hora, porque eu vou pra cima, eu denuncio os madeireiros, denuncio os carvoeiros e por isso eles acham que eu não devo existir.
A mesma coisa que fizeram no Acre com Chico Mendes querem fazer comigo, a mesma coisa que fizeram com a irmã Dorothy, querem fazer comigo. Eu posso estar hoje aqui conversando com vocês e daqui a um mês, vocês podem ter a notícia da minha morte.
Eu tenho medo sim, porque eu sou um ser humano, mas o meu medo não permite que eu fique calado. Enquanto eu tiver força eu estarei denunciando todos aqueles que prejudicam a floresta. Essas árvores são minhas irmãs, eu sou filho da floresta, eu vivo dela, eu dependo dela, faço parte dela. Quando eu vejo uma árvore dessas em cima de um caminhão indo para serraria me dá uma dor muito grande. É mesmo que eu estar vendo o cortejo levando o ente mais querido que você tem porque para mim que vive da floresta, ela é vida. E é vida para vocês que vivem nos centros urbanos porque ela está lá purificando o ar.
A floresta precisa ser preservada de qualquer maneira porque tudo que existe na floresta é rentável. Mas esses ambiciosos só acham que ela dá lucro quando é derrubada ou ser queimada para produzir o carvão.
A gente tem que pensar: é viável desmatar ? Não, ela é viável em pé. A floresta é sustentável duas vezes mais em pé do que derrubada, porque quando você derruba, você só tem uma vez, e quando você tem ela em pé, você tem ela para sempre.”
Zé Cláudio e Maria do Espírito Santo, Chico Mendes e a irmã Dorothy Stang tombaram pela ideia da defesa da floresta amazônica. Outros ainda morrerão por causa da sanha devastadora de homens insanos que não se preocupam com o bem-estar da humanidade.
E nesse momento em que o Congresso Nacional e o Governo Federal discutem as diretrizes do novo Código Florestal é importante que a opinião pública esteja atenta para esses fatos que maculam a nossa consciência.
O homem não parou ainda para pensar no crime que está cometendo contra ele mesmo e insiste em destruir o único lugar que ele tem para viver. Destruir a floresta é destruir a vida.
Obcecado pela ideia de desenvolvimento, e pela ambição desmesurada, ele se recusa a mudar com a maior urgência, como deveria ser, o seu comportamento nocivo perante o meio ambiente.
O homem precisa da água, do ar, e do alimento para sua sobrevivência, mas ele prefere buscar formas de desenvolvimento industrial, mesmo que isso represente a destruição das suas formas de vida.
Não bastam os horrores provocados pelo furacão Katrina, pelos tsunamis, terremotos e maremotos, tempestades com inundações nos quatro cantos do planeta. A ambição do homem é maior e ele é cego diante da terrível realidade que se aproxima.
O mundo está sendo destruído. Esse é o verdadeiro fim do mundo tão pregado pelos profetas do Apocalipse. Não precisa ser profeta para prever a tragédia que se aproxima.
Mais perto é o pensamento indígena que diz com a sua singular “inteligência: ”Quando a última árvore for derrubada, o último rio secar, o último peixe for morto, é que o homem branco vai saber que dinheiro não se come”.