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FCF estuda potencial alimentar de algas do Sudeste do Brasil
Seção:
Neo Mondo Informa
-
Categoria:
Meio Ambiente
Escrito por Redação
Sex, 28 de Maio de 2010 11:03
Cientistas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP estudaram quatro espécies de algas marinhas coletadas no litoral do estado do Espírito Santo. Segundo o estudo, as espécies possuem moléculas como fonte de proteínas, aminoácidos, lipídeos e ácidos graxos ─ essenciais para seres humanos e animais. “As análises bioquímicas mostram que as algas podem ser utilizadas na indústria alimentícia e de cosméticos”, aponta o professor Ernani Pinto, do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da FCF.
As espécies de algas bentônicas Laurência filiformis, L. intricata, Gracilaria domingensis e G. birdiae ─ pertencentes à classe Rhodophyta, conhecidas como algas vermelhas ─ foram coletadas em 2008 como parte de um projeto de doutorado apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), orientado por Ernani Pinto e realizado pela química Vanessa Gressler. “O projeto ainda está em andamento, mas já obtivemos resultados interessantes quanto à composição bioquímica das algas”, revela o professor. Segundo ele, no Brasil há poucos grupos que se dedicam a estudar estas espécies. Os estudos com as algas, de acordo com o docente, foram todos encaminhados com a devida autorização do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (IBAMA). “Apesar de no Brasil haver pouco extrativismo de algas, no Nordeste, onde algumas empresas fazem o cultivo, ainda há a extração irracional. Há um projeto piloto interessante em Ubatuba, no litoral Norte de São Paulo, conduzido pelo Instituto de Pesca local”, lembra Ernani Pinto. Incentivo à indústria Ernani descreve que entre os principais compostos encontrados nas algas está o ágar, que pode ser usado tanto na indústria alimentar quanto de cosmético. “Essas espécies também produzem a carragenana, um agente espessante usado na composição de gelatinas e que também serve para consumo medicinal”, lembra o professor. Segundo ele, tanto a carragenana quanto o ágar são polímeros de açúcares encontrados nas algas. Além disso, elas apresentam compostos fotoprotetores, como os aminoácidos tipo micosporinas (chinorina, palitina, asterina e palitinol), que podem ser aplicados na produção de bloqueadores solares, além de compostos antioxidantes. De acordo com as análises realizadas, o conteúdo total de lipídeos nas quatro espécies variou de 1,1% para 6,2%; de ácidos graxos de 0,7% para 1,0%; proteína solúvel de 4,6% para 18,3% e aminoácidos de 6,7% para 11,3%. Os resultados mostraram que aproximadamente 50% dos aminoácidos presentes nestas espécies são aminoácidos essenciais e também que as algas são ricas em ácidos graxos poliinsaturados (PUFAs) das séries ω3 e ω6, os quais são considerados ácidos graxos essenciais. Os percentuais, segundo o pesquisador, indicam que as quatro espécies são potenciais fontes de proteínas dietéticas, aminoácidos e ácidos graxos essenciais para seres humanos e animais. Para o professor, a identificação bioquímica das quatro espécies é mais um incentivo para a implantação de cultivos racionais de algas no Brasil. “São iniciativas que poderiam envolver pescadores locais, principalmente em períodos de entre safra da pesca”, sugere o pesquisador. Os resultados das análises bioquímicas das algas foram recentemente publicados na revista internacional Food Chemistry com o título Lipídeos, ácidos graxos, proteínas, aminoácidos e cinzas em quatro espécies brasileiras de algas vermelhas. Imagem cedida pelo pesquisador / Mais informações:(11) 3091-1505, com o prof. Ernani Pinto; email Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
Fonte: Agência USP de Notícias, por Antonio Carlos Quinto |
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