Começou cedo na política, eleito vereador de Manaus, aos 21 anos. E não parou de evoluir na carreira, eleito com expressiva
votação para deputado estadual em 1986. Na Câmara Municipal e na Assembleia Legislativa, destacou-se pela combatividade e
atuação marcantes. Já em 1990 foi o deputado federal mais votado do PMDB.
Do Legislativo ao Executivo, foi vice-prefeito de Manaus em 1992 e assumiu a Prefeitura Municipal em março de 1994. Administração marcada por um trabalho inovador, com obras nas áreas de infraestrutura, saúde, educação e habitação, que transformou de vez a capital amazonense. O suficiente para deixar a Prefeitura, em 1996, com 98% de aprovação da população, índice recorde na história da cidade e do País.
Deu-se um tempo na administração pública, para dedicar-se à de suas empresas, e com a mesma disposição, no retorno à vida pública, em 2002 foi eleito com maioria absoluta no primeiro turno das eleições para o Governo do Estado do Amazonas. Com programas considerados revolucionários para a população do Amazonas, por levar desenvolvimento ao interior do estado, ou responsável pela maior transformação urbanística da capital nos últimos 50 anos, Braga foi reeleito em 2006, já no primeiro turno. Deixou o governo do Amazonas, para concorrer a senador pelo Estado. Vale a pena conferir a íntegra da entrevista.
NEO MONDO: Manaus, de modo especial nos dois dias do Fórum, tornou-se, a nosso ver, a capital do mundo. Qual contribuição do seu governo para que se chegasse a essa relevância?
Eduardo Braga: Ao longo dos sete anos de meu primeiro e segundo mandatos, trabalhei, com uma equipe muito competente, a questão do desenvolvimento sustentável. O entendimento de que é necessário preservar a floresta e promover o crescimento do Amazonas, assim como valorizar as pessoas que habitam a floresta, vem desde o tempo em que eu estava fora do governo, na oposição. Então, no
momento de elaborar um projeto de governo, criamos o programa Zona Franca Verde, que tem como filosofia, entre outros pontos, que a "floresta vale mais em pé do que derrubada"; as populações locais são as verdadeiras guardiãs da floresta. A pobreza e a ineficiência na educação são os principais vetores de desmatamento. Desta forma, acho que uma política de governo bem elaborada fez com que o mundo passasse a perceber a importância do Amazonas.
NEO MONDO: Na qualidade de anfitrião do Fórum, qual o papel que o senhor desempenhou para viabilizar o evento? Em outras palavras, a ideia do evento surgiu do governo do Amazonas, dos organizadores ou já nasceu como parceria?
Eduardo Braga: Recebemos do João Doria uma proposta para sediar o Fórum. Foi uma iniciativa totalmente do Doria, que entendeu que o Amazonas seria o lugar ideal para sediar um evento que discutiria a sustentabilidade.
NEO MONDO: O programa Zona Franca Verde pode-se dizer que é o carro-chefe de sua gestão?
Eduardo Braga: O Amazonas possui programas de grande importância, relevantes para o estado. Temos o Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), que mudou a cidade de Manaus; temos a construção da ponte sobre o rio Ne-
gro, que vai interligar a região metropolitana da cidade; temos o projeto Jovem Cidadão, que oferece oportunidades de crescimento e aprendizagem para a juventude; e temos o Zona Franca Verde, que é um sucesso e uma mostra de que é possível melhorar a renda da população e continuar preservando a floresta. De 2003 para 2009, o PIB per capita no Amazonas passou de R$ 8,1 mil para R$ 14,6 mil, enquanto o índice de desmatamento no estado caiu 73,9%.
NEO MONDO: Que outros programas - a exemplo da Lei de Mudanças Climáticas e de Conservação Ambiental, do Bolsa Floresta - o senhor destaca como relevantes. Há algum específico para transportes, tema de caderno especial nesta edição?
Eduardo Braga: A Lei de Mudanças Climáticas e o Bolsa Floresta são programas importantes. A lei é a primeira do Brasil a tratar da questão do clima; o Bolsa Floresta marca o início de um novo tempo e de uma nova relação entre homem e natureza e representa um dos esforços desenvolvidos pelo estado para combater as mudanças climáticas. O benefício possui as seguintes modalidades: Bolsa Floresta no valor de R$ 50 pagos por mês, preferencialmente à mulher que represente a família, e o Bolsa Floresta Associação, valor pago uma vez por ano à associação de moradores da RDS, correspondente a 10% do valor anual recebido por todas as famílias dasunidades de conservação.No que diz respeito ao transporte, temos o projeto do Monotrilho para Manaus, que visa melhorar o transporte público e resolver um problema crônico existente na cidade. Este é um dos projetos de Manaus como uma das subsedes da Copa 2014.
NEO MONDO: Quais resultados o senhor destaca como mais significativos em termos socioeconômicos e ambientais para a região?
Eduardo Braga: Melhoramos bastante os índices do Amazonas. E todos representam o resultado de um trabalho feito com seriedade e dedicação. Acho que tudo o que foi possível foi feito, mas tenho consciência de que ainda há muito a fazer, e por isso o trabalho deve seguir adiante.
NEO MONDO: Que resultados o senhor considera mais expressivos deste Fórum (foi firmado algum documento oficial?), seja em termos de expectativas de curto, médio e longo prazos, seja de compromissos já firmados, como o feito com o Walmart?
Eduardo Braga: Mostrar ao mundo a importância do Amazonas, da floresta que temos aqui e fazer com que todos a queiram preservada é uma vitória importantíssima. Ter o Al Gore aqui, o James Cameron, empresários e personalidades é importantíssimo. Quanto mais pessoas souberem do que o Amazonas abriga e o quanto isso é importante para o mundo, melhor. O Fórum serviu
para ampliarmos a discussão. E esta é uma vitória.
Amazonas - 2003 a 2009
* 1,5 milhão de km2
* redução em mais de 73% do desmatamento
* aumento do PIB estadual de R$ 25 bilhões para R$ 49,5 bilhões
* + 160% no total de unidades de conservação existentes
* mais de 6 mil famílias atendidas no Bolsa Floreta (mais de 28 mil pessoas em 14 unidades de conservação)
* mais de 6,9 mil títulos de terras entregues
* 6,7 mil famílias retiradas de moradias em áreas de risco
* redução da mortalidade infantil (de 21,54 % para cada mil nascidos vivos, em 2003, para 15,82% em 2009)
* melhoras no nível de ensino (de 72,5% aprovados, em 2005, para 76,5% em 2007; de 16.247 matriculados na zona rural da capital e interior, em 2003, para 38 mil em 2010)
* salto de R$ 56 milhões para R$ 296 milhões nos investimentos em ciência e tecnologia
Fonte: Governo do Estado