randomica3.jpg

Banner

Comerciante das boas causas

Comerciante das boas causas

Imprimir E-mail
Seção: Editorias - Categoria: Perfil
Escrito por Gabriel Arcanjo Nogueira Ter, 18 de Maio de 2010 14:36

Não é por acaso que o jovem político é também vice-presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas). Seu empreendedorismo o capacita a enxergar e chegar antes da maioria em várias frentes: meio ambiente, sustentabilidade, qualidade de vida com moradia, saúde e transporte qualificado para a população.

Orlando tem consciência de que, acima de tudo, é cidadão e está deputado. Muito bemavaliado, por sinal, por seus pares e pela mídia.
Confira a entrevista que concedeu a NEO MONDO, em seu escritório de São Bernardo do Campo (SP), numa manhã nublada e garoenta, com as dependências do imóvel lotadas, logo cedo, de gente que o procura como representante que é das boas causas.


NEO MONDO: Nesta edição, nosso foco especial são os biomas brasileiros. Em sua avaliação, o que é preciso fazer para cuidar melhor deles?

Orlando Morando: O grande desafio nacional - e aí São Paulo procura fazer a sua parte - é propiciar fontes de energia limpa.
O impacto das hidroelétricas é muito forte para o meio ambiente e para as pessoas. Belo Monte está aí como exemplo da insistência em se investir nessa alternativa. Mesmo com possíveis aprimoramentos do projeto, não dá para dizer que é o caminho correto.

NEO MONDO: O que é possível ser feito, então?

Orlando Morando: O que é feito em São Paulo, para otimizar o uso do bagaço de cana como energia limpa, deve ser estendido a outros estados. Não podemos descartar esforços para investir em termoelétricas e nas usinas eólicas também. E, enquanto isso,
deixar de ver o lixo apenas como lixo. É o hábito do desperdício, próprio de uma país que não enfrentou os horrores da guerra, como as que sacudiram a Europa.
A borra de esgoto, por exemplo, é um elemento orgânico que é possível ser aplicado na produção de cana, de frutas. Aliado a soluções bastante simples, como essa, o combate ao desperdício no transporte de gêneros (que chega a 10% de tudo que se produz
no campo) deve ser incentivado.

NEO MONDO: Há instrumentos legais que ajudem nessa empreitada?

Orlando Morando: São Paulo criou algo precioso nessa linha, que é o Código Estadual de Resíduos Sólidos (ver quadro), cuja elaboração contou com o meu mandato.

NEO MONDO: O senhor é muito direto e sincero no que fala. Esse estilo é um dos motivos que o faz próximo do governo estadual, e que papel o senhor desempenha na campanha presidencial dos tucanos à Presidência da República?

Orlando Morando: Nossa agenda política é muito intensa e afinada com o governo do Estado, porém voltada às necessidades do Grande ABC (na região metropolitana de São Paulo). Temos laços fortes com a administração estadual e uma experiência acumulada
que nos dá visibilidade. Na campanha tucana de José Serra à Presidência da República vou me empenhar como um cidadão, um
militante, um soldado do partido, para que se consiga aqui na região um desempenho expressivo com folga de votos para o nosso candidato.

NEO MONDO: O senhor tem-se destacado no mandato por emplacar a aprovação de emendas no orçamento do governo paulista, bem como em iniciativas em saúde e habitação, mas o Rodoanel, pode-se dizer, mereceu toda sua atenção desde sempre. Como dar conta de tudo isso?

Orlando Morando: Tenho uma folha de serviços prestada ao Grande ABC, suprapartidária, de olho nos interesses da população; não de partidos que estejam no governo das prefeituras locais. Exemplos são o empenho na educação profissionalizante (está aí a Fatec), em recursos para habitação (a CDHU está presente em São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Santo André, cidades da região administradas por governos diferentes). Tudo é fruto de muito trabalho: acordo cedo, durmo tarde, com foco nos interesses da população. Acima de tudo, sou um cidadão. Agora, em meu segundo mandato, posso dizer que a prioridade foi a construção do trecho sul do Rodoanel, na correta percepção de que a obra, parte de um empreendimento mais abrangente, só poderia trazer benefí-
cios para o Grande ABC.

NEO MONDO: O impacto ambiental do Rodoanel, a seu ver, foi bem equacionado no planejamento e execução das obras?

Orlando Morando: As críticas que essa obra gigantesca e histórica - fundamental para o desenvolvimento do estado, como um todo - recebeu extrapolaram a realidade. Todos os cuidados foram tomados, na viabilização do trecho sul, no sentido de racionalizar os trabalhos. Desde as pesquisas feitas, as contribuições dos vários segmentos, entre estes, moradores e ONGs. Cada um deles foi
ouvido e participou desde os estudos à efetivação do traçado.
Trabalho conjunto que resultou em soluções que permitiram cuidar da flora e da fauna mediante a adoção de campos de manejo nos cinco lotes em que o empreendimento se efetivou. Exemplos são as passagens subterrâneas, para que animais se locomovessem sem correr risco; ou a compensação florestal: se não foi possível evitar a supressão de 297 hectares do que havia no trajeto, por outro lado, foi feita a reposição de 1.200 hectares de mata nativa. Outras medidas preventivas foram adotadas, com sucesso, como os diques de contenção, para evitar que eventuais incidentes (um caminhão tombado, um vazamento) atingissem mananciais.

NEO MONDO: A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) constatou que a poluição diminuiu nas duas primeiras semanas de abril, na capital paulista, sobretudo em trechos de vias por onde deixaram de transitar caminhões que se utilizam agora do Rodoanel. O senhor vê isso como significativo e algo que só tende a melhorar?

Orlando Morando: Significativo, sem dúvida, mas não deve ir além disso porque a frota de veículos cresce a cada ano. Mas estamos diante de um bom sinal de que os ganhos ambientais vieram quase que simultaneamente à inauguração do trecho sul porque a grande quantidade de caminhões que não passa mais pela avenida dos Bandeirantes, ao deixar de cruzar a cidade, dá um ganho muito grande
na qualidade do ar.
Sem querer entrar no mérito se essa melhora veio para ficar, me deixa falar de um ganho socioeconômico significativo. Um empresário de Jundiaí (SP) me disse que, antes do Rodoanel, conseguia fazer duas viagens até o porto de Santos. Agora, dobrou o movimento de sua frota, ou seja, faz mais viagens com o mesmo número de veículos e economiza combustível porque não enfrenta congestionamentos. Caminhão parado joga muito mais poluentes no ar.

NEO MONDO: Serra no Planalto fará o deputado alçar voos mais altos ou a região do ABC Paulista continuará como sua prioridade política?

Orlando Morando: Há muitos desafios pela frente, independentemente de quem vença as eleições presidenciais. O meu foco continua sendo o Grande ABC, região pela qual pretendo disputar o terceiro mandato. Na Assembleia Legislativa, os desafios se traduzem em me dedicar a aprimorar a mobilidade urbana, e uma das soluções, a meu ver, está na renovação da frota. Somos um país em que
ainda não se permite exportar veículos usados, ao contrário do que acontece com nossos vizinhos. Não obstante a boa qualidade das estradas paulistas, a malha rodoviária está esgotada.

NEO MONDO: Que outras iniciativas o senhor pretende desenvolver ou já desenvolve na área de transportes?

Orlando Morando: Vou me concentrar na necessidade de se investir forte em monotrilhos, modalidade bem menos poluente e muito mais barata, que precisa ser adotada nos grandes centros urbanos. Dá para baixar o custo do investimento por habitante pela metade (de R$ 38 mil para R$ 19 mil) e, no caso do VLT (veículo leve sobre trilho), se avança muito mais: em vez de se construir 100 mil km, dá para fazer 400 km nessa modalidade. As ciclovias também não podem ser descartadas, em que pesem o fator cultural e as características topográficas de nossas cidades, além do clima. Sem falar na extensão do metrô para o Grande ABC, que é uma de nossas metas. Com muita transparência, temos acompanhado de perto a evolução dos estudos para a ligação da Estação Tamanduateí do Metrô, na capital paulista, aqui para a região. Acredito que, no ritmo em que estamos, dentro de três a quatro anos o metrô chega ao ABC.

NEO MONDO: Como o senhor vê a eventual administração federal José Serra em relação ao meio ambiente. Teremos um governo mais regulador, mais fiscalizador, com mais diálogo com os vários segmentos? Como ficaria o Ministério do Meio Ambiente?

Orlando Morando: Aqui não se trata de uma expectativa. A prática administrativa no estado paulista é austera no trato ambiental porque entendemos que, acima de tudo, é uma questão de respeito. Agimos de maneira inteligente, sem conivência com a impunidade.
Paralelamente desenvolvemos projetos qualificados, como o que está em andamento na Serra do Mar, porque entendemos que não se deve acomodar na tese de que ‘não se pode fazer nada', para mudar situações críticas, que na verdade acaba no ‘pode tudo', para deixar o que está ruim ainda pior.


O que a Cetesb registrou
• o trecho sul do Rodoanel foi inaugurado em 30 de março
• nas duas primeiras semanas de abril, a média do nível de monóxido de carbono melhorou em relação à média do mês de março
• no bairro de Pinheiros, houve a queda mais sensível (46,8%) no nível de partículas inaláveis (fuligem)
• na avenida dos Bandeirantes, e na região de Cerqueira César (centro da capital paulista), houve redução de 28,2% e 26,9%, respectivamente
Fonte: O Estado de S. Paulo

Pressupostos do Código de Resíduos Sólidos
• Lei 12.300/06
• defende acesso da sociedade à educação ambiental
• estabelece a adoção do princípio do poluidor pagador
• reconhece o resíduo sólido reutilizável e reciclável como um bem econômico, gerador de trabalho e renda
Fonte: Comunicação dep. Orlando Morando


Mandato suprapartidário
Em habitação,
• 1,5 mil unidades em São Bernardo, 420 delas em 2009
• mais de 2 mil no Grande ABC

Em saúde,
• R$ 5 milhões ao Hospital Mário Covas, referência de atendimento

Dos R$ 2 milhões de emendas pontuais,
• R$ 800 mil foram para São Bernardo *
• R$ 300 mil para Santo André *
• R$ 150 mil para São Caetano *
• R$ 300 mil para Ribeirão Pires *
• R$ 150 mil para Diadema *
• R$ 300 mil para Rio Grande da Serra *
* Cidades que compõem o Grande ABC, além de Mauá
Fonte: Diário do Grande ABC