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Amor pago com amor
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Editorias
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Perfil
Escrito por Da Redação
Sex, 07 de Outubro de 2011 16:07
Mesmo sem fazer disso uma bandeira de promoção, Ayrton Senna ficou conhecido como alguém que se orgulhava de ser brasileiro. Fez o cidadão comum redescobrir o sentido de orgulho da Pátria. O amor do povo brasileiro por ele se devia ao enorme sentimento de auto-estima que cada bandeirada vencedora lançava sobre seu povo. Junto com ele, o brasileiro subia no pódio, estourava a champanhe e o domingo parecia mais pleno. Ele retribuía esse sentimento em demonstrações rasgadas de patriotismo, empunhando a bandeira e o coração de todos que vibravam nas manhãs e madrugadas de Grande Prêmio, acompanhadas pela telinha por milhares de compatriotas. Passados 15 da sua morte, ele ainda é reconhecido como um exemplo e seu legado de valores e história permanece cada vez mais vivo. A família, através de Viviane Senna, presidente do Instituto Ayrton Senna, mantém viva sua memória e tributo, através de ações sociais que, com certeza, devem fazê-lo, de onde estiver, vibrar a cada conquista obtida em prol de crianças e adolescentes. Abaixo, ela nos fala sobre Ayrton Senna e o Instituto que leva seu nome.
Neo Mondo: O Brasil conhece a figura do grande campeão, que por sua postura exemplar espelha o melhor aspecto dos brasileiros. Mas como era o brasileiro Ayrton: como ele era quando criança, como era a convivência com a família e com os irmãos? Do que gostava, qual era seu temperamento? Viviane: Meu irmão era uma criança esperta, vivaz. Desde pequeno, as rodas e a velocidade o encantavam. Aos 4 anos, ganhou o primeiro kart do meu pai. Embora ele fosse um pouco tímido com as pessoas, não deixava de se relacionar do jeito mais simples. Lembro de um aniversário, acho que dos 6 ou 7 anos, que ele quis fazer uma festinha. Ele saiu na rua convidando toda criança que via pela frente. Encheu nossa casa. E minha mãe, depois que tudo acabou, perguntou de onde conhecia toda aquela gente. Ayrton respondeu que não conhecia quase ninguém. A adolescência foi bastante madura, já que a carreira começou a ser traçada, profissionalmente, aos 13 anos, quando também conquistou sua primeira vitória numa corrida oficial. Ayrton era uma criança feliz, um adolescente comprometido com seu futuro, um filho e um irmão carinhoso, afetivo. Temperamento forte, mas muito maleável. Ele sabia o que queria e lutava para conseguir. Sempre foi muito determinado. Neo Mondo: Ele conhecia a realidade de outros países e cultura, por conta de sua profissão. Viajava pelo mundo e poderia viver longe do seu país, mas sempre que possível voltava ao Brasil, lugar de desigualdades, de sérios problemas sociais. O que o trazia de volta? Viviane: Mesmo vivendo a maior parte do tempo no exterior, o coração do Ayrton sempre esteve no Brasil, porque ele amava este país. Além de querer estar junto da família e de seus amigos, era aqui que se sentia à vontade quando não estava correndo ou treinando. A questão da desigualdade sempre incomodou meu irmão. Ele era bastante sensível a isso, especialmente ao que afetava crianças e jovens. Achava inconcebível que as pessoas, em sua maioria, não tinham as mesmas oportunidades que ele teve. E talvez por isso achava-se ainda mais comprometido com o Brasil. E gostava de vencer também para dar essa alegria aos brasileiros, que tinham a auto-estima alimentada ao vê-lo no pódio, carregando a nossa bandeira. Neo Mondo: Ele tinha idéia da dimensão da admiração do povo brasileiro e do quanto poderia influenciar com suas atitudes e comportamentos? Viviane: Ayrton sabia de seu papel como um esportista que representava todo o País. Também sentia o amor e o carinho do povo por ele. Nas suas atitudes na pista e na vida, ele cultivava valores que hoje são o seu maior legado: motivação, determinação, superação e orgulho de ser brasileiro. Trabalhar para conquistar objetivos, acreditar no seu potencial, não se sentir vencido por obstáculos... era o que ele defendia e acreditava que qualquer pessoa era capaz. Neo Mondo: Qual foi o papel da família para a vida e carreira do Ayrton e de que forma o sucesso dele influenciou e mudou a família Senna? Viviane: Meu irmão recebeu todo o apoio de minha família, especialmente de meus pais. Ele nunca se sentiu sozinho na sua trajetória, que não foi fácil. O meio da Fórmula 1 é muito competitivo. Mesmo assim, Ayrton pautava-se naquilo que meus pais deram a ele. E por isso conseguiu superar muitas dificuldades. O sucesso sempre foi encarado como resultado de muito trabalho, esforço e dedicação. Mas era o sucesso dele. Nossas vidas caminhavam do mesmo jeito. Neo Mondo: Como surgiu o Instituto Ayrton Senna? Por que a sra. assumiu esse desafio? Viviane: O Instituto é a concretização do sonho de Ayrton. Como ele se incomodava com a questão da desigualdade, tinha planos de estruturar alguma coisa que pudesse ajudar a mudar isso, especialmente na vida de crianças e jovens. Ele chegou a manifestar esse desejo meses antes do acidente. Minha família resolveu criar o Instituto em novembro de 1994, primeiro para realizar esse desejo e, segundo, como uma resposta carinhosa e grata ao amor do povo brasileiro ao meu irmão. Neo Mondo: Quais as principais dificuldades do Instituto para atuar socialmente? Viviane: Combater a má qualidade do ensino público é o grande desafio não apenas do Instituto, mas de todo o País. Em 15 anos de atividades, o Instituto já atendeu a cerca de 11,5 milhões de crianças e jovens, mas o número de crianças que não recebem educação de qualidade ainda é muito grande. Um exemplo é que de cada 10 alunos matriculados, 5 concluem o Ensino Fundamental e 3 o Ensino Médio. Essa realidade precisa ser transformada para que o país possa crescer em todos os níveis. Neo Mondo: De onde vem os recursos para esse trabalho? Viviane: Uma parte dos recursos vem dos 100% dos royalties sobre o licenciamento da imagem do Ayrton e do Senninha cedidos pela minha família ao Instituto. Hoje temos 350 produtos licenciados com a imagem de Ayrton e personagem Senninha. Outra parte é gerada pelas alianças com empresas socialmente responsáveis, como Bradesco Capitalização, Credicard, Microsoft, Votorantim, Citigroup, HP, Martins, Neoenergia, Lide/EDH, Lilly, Tribanco, IBM e Grendene. Neo Mondo: Por que a escolha pela abordagem da educação nos projetos desenvolvidos? Viviane: Acreditamos que a educação é a única via capaz de transformar o potencial nato de cada um em competências e habilidades para a vida. Se garantirmos educação de qualidade à maioria da população – o que hoje não acontece – podemos melhorar o desenvolvimento econômico e humano do país. Uma nação que tem por base uma sociedade desigual, não forma cidadãos conscientes, críticos, solidários e participativos. Daí a fundamental importância da educação nesse processo. Neo Mondo: E quais projetos são desenvolvidos hoje? Viviane: Hoje, desenvolvemos e implementamos 9 soluções educacionais. Por meio delas, são trabalhadas a aceleração de aprendizagem, o combate ao analfabetismo de crianças repetentes, a gestão escolar, a avaliação e o acompanhamento do aprendizado do aluno nas séries iniciais do ensino fundamental (Programas Acelera Brasil, Se Liga, Gestão Nota 10 e Circuito Campeão, respectivamente). Para qualificar o tempo em que o aluno está fora da escola, oferecemos soluções que utilizam o esporte, a arte e o trabalho com a juventude (Programas Educação pelo Esporte, Educação pela Arte e SuperAção Jovem). Na área de educação e tecnologia, temos os Programas Escola Conectada e Comunidade Conectada, que qualificam a educação, promovem a inserção digital e preparam jovens e adultos para um melhor desempenho no mercado de trabalho.Todos os nossos Programas cumprem o mesmo objetivo: desenvolver potenciais de crianças e jovens, transformando-os em competências pessoais, sociais, cognitivas Neo Mondo: Quais as metas e novidades do Instituto para o ano de 2009? Viviane: Em 2009, o Instituto completa 15 anos de atividades. Ayrton e o Instituto serão homenageados em vários eventos ao longo do ano, como a exposição “Arte para um Mito”, no Conjunto Nacional em São Paulo, com curadoria de Paulo Solaris. A exposição Ayrton Senna no Vale da Anhangabaú, em parceria com a UGT, um presente para os trabalhadores da cidade de São Paulo. E a exposição Vitória, no Memorial da América Latina, dentre outras ações. |
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