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Programas contemplam a segurança alimentar

Programas contemplam a segurança alimentar

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Seção: Editorias - Categoria: Saúde
Seg, 19 de Janeiro de 2009 13:05

A alimentação adequada é um dos direitos fundamentais da humanidade, que foram definidos em um pacto mundial, do qual o Brasil é signatário. Vivemos num país de dimensões continentais, marcado por fortes contrastes e desigualdades sociais.

Por outro lado, quem nunca ouviu falar na célebre frase de Pero Vaz de Caminha: “esta terra, em se plantando tudo dá’ - na carta enviada em 1500 ao rei de Portugal, sobre o Brasil recém descoberto”. Porém, passados 507 anos, a fome e a desnutrição ainda fazem parte de uma triste realidade nacional. Conforme dados de uma pesquisa sobre segurança alimentar (2004), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) , mais de 72 milhões de brasileiros (40% da população do país) vivem em situação de insegurança alimentar, ou seja, não têm garantia de acesso à comida em quantidade, qualidade e regularidade suficiente. Cerca de 14 milhões passam fome.

A segurança alimentar e nutricional é uma questão política na medida em que é um direito social a ser assegurado pelo Estado e um dos pilares centrais de qualquer projeto de desenvolvimento. Um outro dado, da FAO – Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação – mostra que a produção no país é mais do que suficiente para alimentar a todos os brasileiros (IPEA, supra, n. 4). Isso significa, que o problema da fome no Brasil não decorre da insuficiência de alimentos, como bem vislumbrara Caminha, mas sim, da falta de acesso aos mesmos.

Tanto o governo federal, através da implementação de políticas públicas, como o Terceiro Setor vêm abrindo frentes de combate a essa triste e inconcebível mazela brasileira. A SESAN desenvolve ações estruturantes e emergenciais de combate à fome por meio de programas e projetos de produção e distribuição de alimentos, de apoio e incentivo à agricultura familiar dentre outros que compõem o conjunto de estratégias do Fome Zero.

Mantendo as contradições, o Brasil tem números assustadores de desperdício de alimentos. Segundo dados disponibilizados no site da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – ABRELPE, das 43,8 milhões de toneladas de lixo geradas anualmente no Brasil, mais da metade, o equivalente a 26,3 milhões, é composta por restos de alimentos.

Educação Nutricional

Duas reconhecidas entidades do Terceiro Setor, Fundação Nestlé e Sesi (Serviço Social da Indústria), desenvolvem há anos, projetos voltados à educação alimentar e combate ao desperdício. Esse esforço vai de encontro a um novo perfil da situação nutricional do brasileiro. Conforme resultados da Pesquisa de Orçamento Familiar, do IBGE, a desnutrição calórico-protéica do brasileiro reduz-se ao mesmo tempo em que se acentua o crescimento da obesidade em todas as categorias de renda. O grande vilão está escondido nas mudanças de hábitos alimentares, que substituíram os alimentos in natura pelos produtos industrializados. Ganha-se peso, mas não se garante a nutrição adequada, fazendo permanecer ou agravando problemas como a carência de vitamina A e de cálcio. A única receita nesse caso está em fornecer informações que assegurem refeições com qualidade e de quebra ainda evitando o gigantesco desperdício que cometemos ao preparar os alimentos, por vezes, descartando as partes que contém o maior valor nutricional. Através de receitas e metodologias próprias, os programas ensinam e estimulam o total aproveitamento do alimento, resultando em verdadeiras surpresas, como o bolo de casca de banana, esfiha de folhas de couve-flor, quiche de casca de abóbora, suflê de talos de agrião, geléia de casca de frutas, casca de maracujá recheada, bobó de frango com talos, refresco de casca de mamão com laranja e semente de jaca ao vinagrete, dentre outras que fazem parte das receitas saborosas criadas pela equipe do SESI-SP e cujos resultados nutricionais são afiançados pela Unesp, que analisou quimicamente os alimentos.

Alimente-se bem

O programa Alimente-se Bem, do SESI-SP, surgiu em 1999 para disseminar o conceito do aproveitamento integral dos alimentos, com ênfase na orientação nutricional. Sua proposta é mudar hábitos alimentares, por meio de cursos gratuitos oferecidos em 40 endereços – 39 unidades da instituição e uma por meio de parceria, em Birigui -, somando 36 municípios do Estado atendidos.

Segundo Tereza Watanabe, diretora da área de alimentação do SESI-SP, o objetivo do Alimente-se Bem é incentivar o consumo de itens com alto teor nutritivo, principalmente in natura, e conscientizar a população sobre o desperdício desses produtos.

“Infelizmente, nem todas as pessoas realizam suas refeições com equilíbrio, conciliando os prazeres da mesa com as reais necessidades do organismo, seja por desconhecimento da função dos alimentos ou limitações no orçamento doméstico. Nosso programa provou que essas barreiras são superadas com o acesso à informação”, destaca Tereza. Atualmente, o programa contabiliza a criação de 452 preparações, publicadas em livros, há inclusive, uma versão compacta em braile, com 30 receitas.

Programa nutrir – Fundação Nestlé Brasil

O Programa foi desenvolvido a partir da constatação de que grande parte da desnutrição que aflige milhões de brasileiros deve-se à falta de informação e a hábitos alimentares inadequados. Os resultados positivos do Nutrir no Brasil chamaram a atenção da Nestlé de outros países. Atualmente, o programa já foi exportado para o México e está em fase de implantação em países como Equador, Colômbia e Venezuela. Surgiu em 1999 com o objetivo de contribuir para a educação alimentar de crianças e jovens de 5 a 14 anos em situação socioeconômica desfavorável. O programa é pautado por três estratégias: compartilhar com a comunidade os conhecimentos sobre nutrição, oferecer ferramentas para amparar as decisões alimentares e contribuir para a obtenção de uma alimentação mais saudável e de baixo custo. Por meio de metodologia lúdica, o Nutrir transmite também às famílias conceitos de saúde, higiene e aproveitamento máximo dos alimentos, de forma que todos criem hábitos saudáveis e obtenham a melhor nutrição a partir dos recursos disponíveis. Em 2005, foram realizados 200 treinamentos.