randomica1.jpg

Banner

Solidariedade que salva

Solidariedade que salva

Imprimir E-mail
Seção: Editorias - Categoria: Saúde
Escrito por Liane Uechi Seg, 04 de Maio de 2009 22:53

Graças a sua persistência, que remonta a 1972/73, estabeleceu em São Paulo, junto com uma equipe de profissionais, o mais moderno centro de Hemoterapia. De 1974 a 1984, o pioneirismo marcou o histórico da clínica, com a importação de bolsas de sangue, aquisição de aparelhos - como geladeiras especiais para guardar o sangue coletado; a luta pela doação voluntária; o aperfeiçoamento dos testes para detecção de doenças no sangue, inclusive AIDS.

Mas as campanhas de doação são uma constante na sua trajetória profissional. Ele revela que, apesar de sermos considerados um povo generoso e solidário, menos de 2% da população doa sangue. “Pesquisas realizadas com cidadãos americanos demonstram que muitas pessoas não são doadoras pelo fato de que: “nunca me pediram”. Esta constatação pode, sem dúvida, ser estendida à nossa realidade, já que a maioria dos doadores, de primeira vez, o faz motivado por algum familiar ou conhecido que necessitou de transfusão.

O problema é que ainda não há substitutos artificiais tão eficientes quanto o sangue humano, apesar de importantes avanços nos estudos nessa área. O médico explica que o natural ainda é o único a suprir totalmente as funções de transporte de gases e nutrientes, o que faz dele um dos mais importantes insumos de saúde pública.

Conforme Alves, sua falta nos hospitais inviabiliza a realização da maioria das cirurgias e pode significar a morte de pacientes dependentes de transfusões crônicas, como os portadores de doenças como anemia severa, leucemias, talassemias, anemia falciforme, entre outras.

Ainda hoje, apesar de tanta divulgação, a maior dificuldade e luta dos hemocentros é conseguir formar um pool de doadores conscientes da importância desse gesto e que o façam pelo menos 2 vezes ao ano.

Segundo Alves, doar sangue é seguro, não há risco de contaminação por doenças e uma doação pode salvar até quatro vidas, já que o material coletado é dividido em diversos componentes (concentrado de hemácias, concentrado de plaquetas, plasma fresco congelado e Crioprecipitado), utilizados em tratamentos específicos.

Doenças oncológicas e hematológicas de alta complexidade também dependem do sangue como recurso terapêutico.


Por trás dos bastidores

A doação de sangue é apenas o início do processo de transfusão. Conheça suas etapas:
• Doação de sangue;
• Testes sorológicos de triagem para doenças como AIDS, Hepatites B e C, Sífilis, Doença de Chagas e outras viroses como HTLV;
• Fracionamento, ou seja, a separação laboratorial dos componentes sanguíneos (Concentrado de Hemácias, Concentrado de Plaquetas, Plasma fresco congelado e Crioprecipitado);
• Testes imunohematológicos para determinação do grupo sanguíneo ABO/Rh e pesquisa de anticorpos irregulares.
Após a doação, o organismo do doador inicia imediatamente o processo de reposição do sangue doado, começando pela parte líquida (plasma) e a seguir pela parte celular, completando o processo em menos de 40 dias.

Mitos

Existem vários mitos e verdades sobre a doação de sangue, dentre as quais:
• A doação não afina ou engrossa o sangue uma vez que este está em constante processo de produção e recolhimento e reaproveitamento das células “idosas”.
• Quem doa uma vez não é obrigado a doar para sempre, apesar deste ato ser muito importante para a vida de inúmeras pessoas.

Sobre o HSL

O HSL realiza 108.000 transfusões / ano e atinge a média de 55.000 bolsas coletadas / ano. Conta hoje com 06 unidades de coleta: Santa Paula, Santa Marina, Carlos Chagas, São Bernardo, Brasil e Bandeirantes; 19 agências transfusionais e mais de 34 hospitais atendidos a distância; Centro Tecnológico e Central Administrativa. Conta ainda com uma Unidade Móvel Transfusional. Este laboratório imunohematológico móvel climatizado e com sistema informatizado está diretamente ligado ao Banco de Sangue do Hemocentro São Lucas.

Curiosidade

A transfusão na década de 70 era bem diferente do que conhecemos hoje e, em geral, era praticada da mesma forma por todos os bancos de sangue. Transfundia-se sangue total. Isto é, o sangue era coletado em frasco de vidro e transfundido diretamente na veia do paciente, após passar por alguns exames. Na época, o máximo que poderia ocorrer em se tratando de separação do sangue era a retirada do plasma, mas não totalmente, pois não se transfundia glóbulos de sangue total.