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Gerados pelo Coração

Gerados pelo Coração

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Seção: Editorias - Categoria: Social
Seg, 19 de Janeiro de 2009 13:27
O desejo verdadeiro de ter alguém a quem amar, cuidar, educar, de poder acompanhar os primeiros gestos e passos foi mais forte e intenso que a impossibilidade de ter um filho para Mônica Natale de Camargo, hoje presidente do GAASP – Grupo de Apoio à Adoção no Estado de São Paulo, que tem o objetivo de transmitir informações sobre o processo adotivo e discutir temas relacionados à espera, à adoção e ao período pós-adotivo.

Depois de algumas tentativas para engravidar, Mônica e o marido renderam-se somente ao desejo de formar uma família e optaram pela adoção. Procuraram a Vara da Infância e Juventude, se cadastraram, buscaram um grupo de apoio, onde se prepararam para a chegada do filho com o auxílio de profissionais especializados, e passaram por uma gestação de um ano e quatro meses, até a chegada de Betinho, uma criança com seis meses de idade.

Como quaisquer pais de primeira viagem sofreram com satisfação, para se adaptar à nova rotina: banho, troca de fralda, amamentação e noites mal dormidas. Porém, a experiência de ser mãe foi tão emocionante que, passados três anos, Mônica voltou à lista de espera por um novo filho. Ela e o marido desejam aumentar a família, mas, dessa vez com uma única exigência: de que a criança tenha idade acima de cinco anos. Escolha que os diferem das estatísticas.

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O que determina a adoção?

Não há mistérios para a adoção, basta somente ter o desejo de oferecer amor! Segundo o juiz Magnani Filho, o mais importante é a motivação adotiva. “Precisamos conhecer e avaliar o porquê do desejo de adotar. Os que enxergam nesse ato uma forma de substituir o filho que faleceu, por caridade, promessa religiosa ou como forma de resolver uma crise conjugal, não terão o aval para a adoção” – afirma o juiz.

Em muitos casos, aceito ou não o perfil do candidato à adotante, o juiz encaminha o interessado aos grupos de apoio, cujo objetivo é conscientizar e oferecer orientação sobre todo o processo, facilitando a futura adaptação entre filhos e pais.

Quebrando medos

Paulo Roberto Flores Castello Branco de Freitas, consultor comercial, membro do GEEAF – Grupo de Estudo e Apoio à Adoção de Florianópolis, sabe muito bem a importância de preparar a família para a recepção do novo membro.

Ainda bebê, Freitas foi deixado por sua mãe biológica no Lar Fabiano de Cristo, no Rio de Janeiro, onde fi cou até ser adotado por um casal jovem e fértil, que mais tarde adotou mais duas crianças. Ele conta que os pais tiveram muita habilidade para lidar com a situação, de forma que ele e os irmãos cresceram saudáveis, sem traumas e com muito orgulho.

Hoje, aos 30 anos, Freitas tem se dedicado a quebrar paradigmas da adoção.

Tendo como base experiências como a dele, o GEEAF se reúne mensal ou semanalmente para estudar, discutir e orientar aqueles casais que pretendem adotar, deixando-os cientes do processo a ser vivido, sobre como revelar à criança sua história e como lidar com o seu medo e insegurança inicial.

A presidente do GAASP, Mônica Camargo, diz que um dos maiores receios, tanto da sociedade quanto das crianças, é a fase de adaptação e a revelação. “Tem-se a crença de que adotar um bebê é mais fácil, porém é preciso saber que, mesmo muito novinho, ele já tem memória. Mesmo que não lembre com detalhes, carrega consigo alguns fatos, que exigirão dos pais adotivos habilidades para lidar com o caso”.

Luana foi adotada ainda bebê pela família de Sofia Grabher da Silva, no entanto, aos 10 anos ainda apresenta sentimentos de rejeição. “No shopping ela me perdeu de vista, embora eu estivesse por perto a observando, vi que ela começou a ficar agitada. Quando me aproximei ela disse que achou que eu a tinha abandonado” – conta Sofia, que quando percebe essas reações, conversa com a filha deixando claro o amor de mãe e de toda família por ela.

Outro momento crucial é a revelação. Mônica diz que atualmente já existem literaturas e filmes que auxiliam os pais nessa questão, no entanto, ela ressalta que a melhor maneira é conversar com a criança desde pequena, reforçando que os laços de amor independem do vínculo de sangue.

Já os cuidados posteriores se referem, principalmente, ao período de adaptação. No geral, logo que a criança chega à família ela é ‘um anjinho’. Acostumada com a rotina do abrigo, é extremamente educada e obediente. Mas, os pais têm que estar atentos para a fase seguinte, em que os filhos os testam. Geralmente, voltam a fazer xixi na cama, querem chamar a atenção e choram por tudo. “É compreensível, uma vez que eles têm medo de uma nova rejeição. Fazem isso porque querem saber se a família realmente os quer. É uma fase difícil, mas que passa rápido se os pais souberem como agir” – diz Mônica.

Preconceito

Contudo, o maior desafio da família e da criança é trabalhar com o preconceito da sociedade. Segundo Freitas, ela parece estar isolada a respeito do tema e olha a adoção como um ato de caridade, enxergando a criança como alguém que tem tudo para apresentar problemas, por não conhecer seu passado. No entanto, eles apresentam os mesmos problemas relativos à idade (adolescência) que qualquer filho biológico. Acontece que, ao menor sinal de conflito, atribui-se à adoção, o motivo da rebeldia. Por isso, ele dá a receita daquilo que viveu: “Os pais devem dar uma boa educação e cultivar o amor de seus filhos. Tratando-os dessa forma terão de volta muito amor. Filhos por adoção: nem melhores, nem piores. Apenas filhos!” – acrescenta Freitas.