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A criança na agenda da Amazônia
A criança na agenda da Amazônia
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Editorias
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Categoria:
Social
Qui, 18 de Junho de 2009 13:37
Garantir seus direitos fundamentais é algo ainda mais complexo, em função das especificidades do local. O Unicef – Fundo das Nações Unidas para a Infância, desenvolve na região um trabalho que objetiva incluir a criança e o adolescente na Agenda de prioridades da Amazônia.
A “Agenda Criança Amazônia” é um processo de mobilização social, onde foram convidados nesse primeiro momento, 70 municípios dos estados do Amazonas, Pará e Maranhão. Ao aderir à Agenda, cada município compromete-se a melhorar, até 2012, importantes indicadores sociais, como taxa de pobreza, mortalidade infantil e materna, desnutrição infantil, registro civil, acesso ao pré-natal, gravidez na adolescência, violência e trabalho infantil, incidência de aids e malária, acesso à água potável, acesso e permanência na escola, entre outros.
DIREITOS FUNDAMENTAIS
Quando se fala em direito à escola em qualquer outra região do país, são discutidos aspectos como número de vagas, qualidade de ensino, equipamentos adequados, merenda, transporte escolar, etc. Conforme explicou o coordenador do UNICE F Belém, Fábio Moraes, na Amazônia Legal a preocupação antecede essas questões e esbarra muitas vezes na impossibilidade de deslocamento por via terrestre, o que impõe a várias comunidades uma vida de isolamento, sem acesso sequer a informações básicas e onde o principal meio de transporte é a tradicional embarcação pluvial. “Os conceitos precisam ser repensados sob a ótica do lugar” – explicou ele. “No estado do Pará, a viagem de algumas cidades até Belém, por exemplo, podem levar cerca de 19 horas de barco” – disse Moraes.
Nesse esforço de entender os desafios locais, a Unicef identificou problemas como as condições das embarcações utilizadas no transporte de crianças. “Precisamos considerar os cuidados de segurança, evitando novos casos de escalpelamento de crianças (cujos cabelos e couro cabeludo são arrancados após serem tragados pelos motores das embarcações)” - explicou. O exemplo que pode parecer exótico para as demais regiões do país é uma mostra de como os problemas precisam ser encarados, analisados e combatidos de forma singular.
OPERACIONALIZAR AS IDÉIAS
Moraes traz na bagagem experiência semelhante desenvolvida há quatro anos no Semi-árido brasileiro. Ele explica que é um trabalho de mobilização social com a participação efetiva dos atores envolvidos. Isso significa colocar num mesmo espaço de discussão, autoridades constituídas, entidades e, sobretudo, membros das diversas comunidades. Para ele, definir metas, estabelecer soluções é muito bonito no papel, mas a operacionalização disso só é possível com o envolvimento de toda a sociedade local.
Entra ai a metodologia da Unicef, onde o grande mérito está em esclarecer e tornar acessíveis informações antes inatingíveis para a população. Dessa forma, oferece a mais poderosa ferramenta social: o conhecimento. Com a apresentação de forma didática, as comunidades passam a conhecer sua situação e a entender que fazem parte das soluções. “O Unicef tece redes e oferece condições para que eles próprios encontrem suas saídas” – afirmou.
Moraes esclareceu que são definidos articuladores, pessoas da comunidade, que fazem a ponte entre a população, autoridade e instituições. Nesses encontros estabelece-se o diálogo, onde todos podem ser ouvidos e onde todos passam a ser coresponsáveis pelas melhorias e soluções.
CONTROLE SOCIAL
Exemplificando, cita a questão do orçamento municipal. “Sem conhecimento técnico, um cidadão comum não consegue entender o orçamento de um município. O que fazemos é decodificá-lo e torná-lo claro para as pessoas” – revelou Moraes. Assim é feito com todos os demais dados e indicadores que envolvem aquela comunidade. São índices de mortalidade, de analfabetismo, de moradia, de renda, etc.
Segundo ele, quando uma pessoa que não sabe sequer ler passa a entender a situação do lugar onde vive, tudo muda! Tudo se transforma!
“Ela passa a participar como co-responsável pelos esforços dessa melhoria. Passa a ter um sentimento de pertencimento àquele lugar” – afirmou. Para ilustrar essa compreensão, cita o caso da depredação de escolas e patrimônios públicos, comum a todo país. Quando a comunidade percebe o quanto isso custa e o quanto isso impede a aplicação de recursos para outras necessidades, passa a atuar nessa situação. Da mesma forma, na limpeza pública, cujo custo pode ser reduzido com uma nova postura da população. São exemplos simples que servem aos demais aspectos e que permitem, segundo Moraes, o controle social, que deixa de ser responsabilidade exclusiva da autoridade governamental. As ações junto a essas comunidades também procuram resgatar a história do lugar e os contadores dessas histórias, pessoas que precisam ser valorizadas e que geram à comunidade um acréscimo de auto-estima.
Para o Unicef, o mais importante é conseguir com essa mobilização, garantir melhores condições para a criança e o adolescente e desenvolver competências locais para a solução dos inúmeros problemas. “Quem mais conhece do lugar, são as pessoas do lugar” – enfatiza o coordenador.
| Como Vive a Criança na Amazônia |
Nove milhões de crianças e adolescentes vivem na Amazônia Legal Brasileira, representando praticamente 40% da população da região – a mais jovem de todo o País. Ao lado do Nordeste, a Amazônia tem hoje os piores indicadores sociais brasileiros, apesar dos avanços nos últimos anos. Enquanto o nível de pobreza das crianças e dos adolescentes – aqueles que vivem com famílias com renda per capita de menos de ½ salário mínimo mensal – é de 50% para o Brasil como um todo, esse percentual sobe para 61% na Amazônia Legal Brasileira, chegando em alguns Estados da região a superar 65% (IBGE, 2006). Com a taxa de mortalidade infantil o quadro repete-se: na Região Norte, 25,8 crianças morrem antes de completar o primeiro ano de vida em cada grupo de mil nascidas vivas, sendo que a média brasileira é de 24,9 e da região Sul é de 16,7. Em relação ao direito de aprender, a disparidade também permanece: os Estados da Amazônia ainda têm as menores proporções de crianças em creches e pré-escolas, respectivamente, 8% e 64,2%. Nessa região, mais de 92,2 mil adolescentes são analfabetos e cerca de 148 mil crianças e adolescentes, entre 10 e 14 anos, estão fora da escola. Fonte: Unicef |
| Selo Unicef Município Aprovado |
| Em 2009, será lançado o Selo Unicef Município Aprovado, na Amazônia. Depois de um período de acompanhamento, os municípios que demonstrarem avanços na garantia dos direitos da criança e adolescente receberão esse reconhecimento do UNICEF. O Selo já é utilizado no Semi-Árido Brasileiro e funciona como um motivador na busca por melhorias contínuas nas políticas públicas. |
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