Muquiço é uma das comunidades atendidas pelo Instituto; as outras são Conjunto Presidente Vargas, Triângulo, Coreia, Ferroviária e Vila Eugênia, todas na zona norte carioca. Os outros parceiros responsáveis pelo censo são o SESC - Rio e o Instituto Muda Mundo.
Bebeto e Jorginho são bons de bola desde antes dos tempos em que iam a campo, de mãos dadas, para conquistar o tetracampeonato no Mundial de Futebol, nos Estados Unidos. O gesto - símbolo de união, solidariedade, comprometimento -, no caso dos dois atletas, foi muito além dos gramados futebolísticos e hoje está presente em seis categorias de projetos idealizados e concretizados pelo Instituto Bola pra Frente.
Fundada em 29 de junho de 2000, a ONG surgiu na esteira de uma tomada de consciência que parece ter influenciado craques de modalidades esportivas diferentes, na sua condição de cidadãos. Exemplos são Ayrton Senna e Raí. Curiosamente, este encerrou sua carreira nos gramados no mesmo ano em que Bebeto e Jorginho deram o pontapé inicial ao Bola pra Frente. O piloto, que virou herói nacional, inspirou a família a criar em 1994 – o ano do Tetra – o instituto que leva o seu nome.
Ao completar 9 anos de existência, o Instituto fala com propriedade das possibilidades, das necessidades e do potencial do País, a partir da junção de dois slogans: o do Bola pra Frente, “por um placar social justo”; o da Neo Mondo, “um olhar consciente”. Com tais ingredientes, Susana Moreira, sua diretora-executiva, nos dá a receita: “Falta diálogo sobre solidariedade, cooperação, construção da paz, respeito às diferenças, valor da vida, cidadania... Acreditamos que, se for assim, a todo o momento, em qualquer lugar, com qualquer pessoa, eu, você, nós estaremos construindo um país melhor, um mundo melhor. Além disso, falta pensar nas próximas gerações, mudar posturas, ter novas atitudes, pensar e fazer mais pela educação e pelo outro. Não só discutir o olhar consciente e, sim, praticá-lo.”
Em sua trajetória, a ONG, surgida no Rio de Janeiro, “criou e consolidou uma metodologia própria, que foi sistematizada e tornou-se uma tecnologia social. Esta metodologia amplia o conceito de ‘craque’ para habilidades reconhecidas não apenas no esporte, mas, principalmente, em outros núcleos em que a criança e o adolescente estão inseridos: a família, a escola e a comunidade”. Ao dar a explicação, Susana, que é jornalista e mestre em Bens Culturais e Projetos Sociais, diz que a tecnologia própria do Instituto é reaplicada em outros Estados brasileiros.
Fascínio do futebol
Bebeto e Jorginho são pessoas com muitos pontos em comum, entre os quais o nascimento de ambos, em 1964; a passagem por grandes clubes do Rio de Janeiro e da Europa; o desempenho técnico e atlético; as conquistas e o reconhecimento de fanáticas torcidas. Os dois, até hoje, têm suas pessoas e imagem ligadas ao futebol, que lhes dá visibilidade: um em peças publicitárias; outro na Comissão Técnica da Seleção Brasileira. Jorginho é presidente e Bebeto, vice-presidente da ONG.
Não é sem motivo que o Bola Pra Frente utiliza o fascínio do futebol e a imagem de atletas consagrados para atrair seu público beneficiário e transformar vidas. Para o Instituto, o futebol é mais do que um esporte: é uma linguagem lúdica universal, que traduz as contradições humanas, possibilitando a construção de valores em uma perspectiva de promoção social.
Levando a educação para o campo e o esporte para a sala de aula, o Instituto implementou o programa Esporte em Ação Social, que possui um conjunto de projetos que perseguem o mesmo objetivo: promover, por meio do esporte educacional, atividades socioeducativas que permitam o desenvolvimento pleno e harmonioso das crianças e adolescentes atendidos, tornando-os agentes transformadores da sociedade”. Feita a apresentação, a diretora-executiva explica cada um dos seis projetos (ver Quadro 2):
“Partindo do princípio de que o processo de aprendizagem se dá com base em dados significativos, o craque de Bola e de Escola trabalha com o futebol, utilizando esta temática de forma lúdica e despertando o desejo de aprender. Com isso, cada criança é impulsionada a se tornar um craque também na escola e dar continuidade aos estudos. Nossos craques têm educação física, português, matemática, história, geografia, educação artística, ambiental e nutricional, aulas de filosofia e apoio psicopedagógico no Espaço do Craque, consultório especializado no atendimento a crianças com mais dificuldades no processo de aprendizagem”.
“O artilheiro utiliza o teatro, dança, música, vídeo e artesanato para ampliar a visão de mundo, contribuindo para a construção da identidade e do pensamento crítico e valorizando o autoconhecimento das crianças e adolescentes. O que é feito mediante a criação artística, à autonomia e à autoestima, na medida que as crianças e adolescentes são estimulados a produzir e expor seus trabalhos. O ganho maior está no desempenho escolar e nas aptidões que serão importantes no futuro, quando ingressarem no mundo do trabalho”.
“O campeão de cidadania promove a aproximação entre a teoria e a prática por meio de uma visão psicopedagógica que estimula o desafio e a participação no processo de apropriação do conhecimento. O projeto inclui atividades, como aulas expositivas (de português, matemática, inglês, orientação para o trabalho, qualidade em atendimento, legislação trabalhista, gestão organizacional, informática, ética e cidadania, saúde e sexualidade, dentre outras), bem como dinâmicas de grupo, vídeos, jogos empresariais, palestras, visitas a empresas, elaboração do currículo e encaminhamento a empresas conveniadas”.
Amparo legal
Susana acrescenta que o Instituto, como agente de integração empresa-escola, foi habilitado pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente a atuar no encaminhamento dos adolescentes do campeão de cidadania para estágios em empresas conveniadas, conforme a Lei 6.494/77.
Além disso, em atendimento à Lei do Aprendiz (10.097/00), que prevê que pelo menos 5% do quadro de funcionários da empresa devem ser de aprendizes, está apto a desenvolver e encaminhar adolescentes aos programas de aprendizagem no curso de auxiliar administrativo.
Ela prossegue no detalhamento dos projetos: “A partir do modelo de atenção biopsicossocial em saúde, que proporciona uma visão integral do ser e compreende as dimensões física, psicológica e social, o saúde em campo prioriza a prevenção em lugar do tratamento. Damos especial atenção no combate ao sedentarismo e à obesidade, melhoria psicomotora, educação nutricional, descoberta dos valores do esporte e do civismo, bem-estar na convivência familiar e social”.
“Queremos, com o craque dos craques, ampliar o papel dos familiares dos educandos do Bola Pra Frente, mediante atividades desenvolvidas a partir do trabalho de uma equipe interdisciplinar (profissionais de serviço social, pedagogia e psicologia), que utiliza princípios éticos, de cidadania e de relacionamento interpessoal. Entre outras atividades, temos oficinas de artesanato, palestras com temas variados, eventos de confraternização e reuniões periódicas para avaliação de resultados”.
“Por fim, no Toque de Mestre, com o intuito de reafirmar o espírito de equipe, o público beneficiário (professores da rede pública de ensino que trabalhem no Complexo do Muquiço) participam de atividades, como visitas periódicas às escolas em que estão matriculados nossos educandos para avaliação da situação escolar – notas, evolução, comportamento; palestras e vivências para os professores dessas escolas, além de promover uma troca de experiências e premiação de iniciativas bem-sucedidas em sala de aula”.
Não é só de projetos que vive o Bola pra Frente. O Instituto promove eventos em parceria com outras organizações para contribuir com a ampliação do alcance do Terceiro Setor. Exemplo é o Pré-Meeting de Responsabilidade Social, no começo de julho, em preparação ao 8º Meeting, que acontece em setembro. Nesses encontros, são apresentadas e discutidas propostas e troca de experiências para o desenvolvimento setorial. Para Susana, “transformar a realidade é mais fácil do que se imagina. Basta um olhar diferente para mudar o futuro”. A impressão que fica é que esses craques estão sempre pensando na próxima jogada, pra frente, em busca do placar social justo. Com a diferença a favor de que, nesse jogo, a torcida também entra em campo.
Quadro 1 – Perfil da ONG
• Área de 11.570m2
• Atendimento a crianças e adolescentes de 6 a 17 anos
• Promoção social por meio do esporte, educação, arte, cultura e qualificação profissional
• Missão: Educar crianças, adolescentes, jovens e suas famílias para o protagonismo social, utilizando o esporte como principal ferramenta impulsionadora da construção de valores em prol da promoção social
Fonte: Instituto Bola pra Frente
Quadro 2 – O que é cada projeto
1. Esporte + Educação = Craque de Bola e de Escola: Para crianças de 6 a 9 anos: desperta o interesse em aprender; apóia a alfabetização; combate a evasão escolar; escolas são os principais parceiros; acompanhamento sistemático do desempenho escolar
2. Esporte + Arte + Cultura = Artilheiro: Para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos: estímulo à criatividade e liberdade de expressão; incentivo a manifestações artísticas; acesso a bens culturais; valorização da própria cultura
3. Esporte + Qualificação Profissional = Campeão de Cidadania: Para adolescentes de 15 a 17 anos: identificação e investimento em competências; qualificação profissional; incentivo ao empreendedorismo; inserção no mundo do trabalho
4. Esporte + Qualidade de Vida = Saúde em Campo: Para educandos e familiares: cultivo de comportamentos e hábitos saudáveis; noções básicas de saúde e higiene; prevenção ao uso de drogas, doenças sexualmente transmissíveis e gravidez precoce
5. Bola pra Frente + Família = Craque dos Craques: Para pais e responsáveis dos educandos: inclusão no processo socioeducacional; geração de renda; conscientização sobre alcoolismo, desemprego, consumo de drogas, violência doméstica
6. Bola pra Frente + Escola = Toque de Mestre: Para professores e diretores de escolas públicas: interação Instituto-escolas; aprimoramento intelectual de professores
Fonte: Instituto Bola pra Frente
SERVIÇO
Para contatar o Instituto Bola pra Frente, utilize o site www.bolaprafrente.org.br, o e-mail
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ou os telefones (021) 3018-5858 e 2458-011.