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Editorias
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Categoria:
Social
Escrito por Rosane Araujo
Seg, 05 de Outubro de 2009 17:20
Muito antes de haver um nome para designá-lo, porém, o ramo da economia mundial sem fins lucrativos já dava os primeiros passos.
A ONG paulista Ação Comunitária foi uma das pioneiras nesse sentido, tendo sido criada em 1967 por um grupo de empresários brasileiros estimulados pelo sucesso de projetos sociais inovadores na região petrolífera da Venezuela. "O foco do trabalho era voltado à formação e articulação de lideranças comunitárias, apoio jurídico para constituição de entidades de bairro e mobilização de moradores. Após estudos da realidade, pesquisas sócio-econômicas, mapeamento e caracterização das áreas, a Ação Comunitária direcionou suas ações para a região sul da cidade de São Paulo", explica o presidente voluntário da instituição, Paulo Bravo.
Completados 42 anos de existência, a Ação possui atuação consolidada, em parceria com 42 organizações de bairro, e possui programas nas áreas de educação, cultura e cidadania, contribuindo para a inclusão social de crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social.
Atualmente, mais de 6300 alunos frequentam esses programas.
A experiência adquirida em tantos anos está, agora, acessível a todos por meio do livro "Eficácia no Terceiro Setor", lançado em agosto pela editora Saint Paul.
Com prefácio do Coordenador do grupo de trabalho da Unicef e ganhador do Prêmio Nacional de Direitos Humanos (1998), professor Antonio Carlos Gomes da Costa, a publicação traz um panorama da história da entidade, relatando seu aprimoramento e dando ênfase à sustentabilidade da Organização, de forma a mostrar caminhos pelos quais empresas e parceiros podem se engajar na busca de resultados.
E no caso dos programas desenvolvidos pela Ação, esses resultados são completamente mensuráveis através do SAMIS - Sistema de Avaliação de Mudanças e Impactos Sociais, ferramenta desenvolvi da pela equipe técnica da instituição, com consultoria da professora Maria Cecília Roxo Nobre Barreira, da FIA (Fundação Instituto de Administração).
"O Samis é uma tecnologia social inovadora. Avalia individualmente 100% dos alunos participantes dos programas, e os indicadores apontam não só a evolução cognitiva e social deles, mas outros importantes aspectos que podem influenciar em seu desenvolvimento, como desempenho escolar, saúde e envolvimento da família. O Sistema de Avaliação de Mudanças e Impactos Sociais é um diferencial fundamental para o controle dos resultados e para a aferição da eficácia dos programas oferecidos em cada uma das organizações. Desta forma, os profissionais da Ação Comunitária corrigem desvios, ajustam os conteúdos dos programas e formam os educadores sociais e as lideranças comunitárias", avalia o presidente.
Segundo ele, os relatórios gerados pelo sistema são enviados aos patrocinadores dos programas, sendo esta também uma forma de prestação de contas à sociedade.
Utilizando ferramentas de gerência tão importantes e eficazes, não é de se estranhar que a Ação Comunitária seja incluída pela terceira vez na lista de 50 organizações sem fins lucrativos melhor administradas do país, recebendo o Prêmio Bem Eficiente oferecido pela Kanitz & Associados.
"Nossa organização é administrada por Diretoria e Conselhos totalmente voluntários. São 100 empresários e executivos que atuam em importantes em presas do País, além de uma equipe de pro fissionais qualificados que trabalha para o desenvolvimento dos Programas nas organizações conveniadas. Como se vê, a Ação foi fundada por empresários e continua sendo administrada por empresários. Nosso modelo de governança corporativa em nada fica a dever ao de uma empresa moderna, o que garante adequados controles, ganhos de produtividade e qualidade", acredita o presidente.
Se a estrutura parece mesmo a de uma empresa, por outro lado a atividade fim é completamente outra. A busca por lucros e divisas dá lugar ao fornecimento de educação e capacitação profissional a crianças e adolescentes por meio dos programas Primeiras Letras (de educação infantil para crianças de 2 a 5 anos), Crê-Ser (educação complementar para crianças e adolescentes de 6 a 15 anos) e Preparação para o Trabalho (capacitação profissional para jovens de 15 a 21 anos). E, para garantir a boa qualidade da educação oferecida, a organização investe na formação de líderes por meio dos pro gramas Desenvolvimento de Lideranças Comunitárias e a Formação Continuada dos Educadores Sociais. Dirigido aos lideres comunitários das organizações de bairro parceiras, o primeiro tem como objetivo aperfeiçoar as habilidades do gestor social, para a promoção da melhoria da qualidade de vida nestas comunidades. O segundo capacita os educadores que atuam nos programas sócio-educativos, preparando-os para a adequada aplicação da metodologia formulada pela equipe de orientação pedagógica da Ação.
Para custear tantos projetos, a organização conta com várias fontes de arrecadação. A maior parte dos recursos (45,4% do total arrecadado em 2008) provém do Projeto Empresa Cidadã, por meio do qual um parceiro, pessoa jurídica ou física, pode patrocinar uma ou mais salas de aula dos programas. O restante da arrecadação vem da comercialização de cartões de Natal e brindes corporativos, além de contribuições regulares (25% do total) e do investimento social de empresas através de projetos de recursos incentivados, via Lei Rouanet e FUMCAD (Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente), modalidade que responde por outros 25,5% do total arrecadado.
E por que o enfoque na educação? O presidente Paulo Bravo responde:
"Para nós, a democratização e a melhoria da educação é a via principal para um futuro mais sustentável, de igualdade de oportunidades e garantia dos direitos humanos, em especial no que tange às futuras gerações".
Ação Comunitária
Histórico: Criada em 1967 por um grupo de empresários paulistas
Atuação: Desenvolve programas socioeducacionais de formação continuada para o universo infanto-juvenil em parceria com lideranças de organizações comunitárias, e o apoio de organizações privadas e públicas. Compreende 42 associações de bairro conveniadas (localizados na zona sul de São Paulo), 300 líderes empresariais e 52 empresas parceiras, já tendo beneficiado 120 mil pessoas em 4 décadas. Em 2008, a Instituição totalizou 6.300 atendimentos.