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Bunge redireciona projetos visando sustentabilidade

Bunge redireciona projetos visando sustentabilidade

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Seção: Editorias - Categoria: Sustentabilidade
Escrito por Rosane Araújo Sex, 24 de Julho de 2009 01:56

No decorrer destes anos, os projetos da Fundação tiveram como foco a educação, mas, no último ano, a entidade decidiu revê-los, o que resultou na mudança do foco. “Fizemos uma discussão interna na qual definimos que a educação passa a ser usada como ferramenta e o foco passa a ser os projetos e as ações de sustentabilidade”, explica a gerente da Fundação Bunge, Cláudia Calais.

Segundo ela, a mudança nos objetivos foi tema de reuniões durante três meses, das quais participaram o presidente mundial da corporação, Alberto Weisser, e os presidentes brasileiros Sérgio Waldrich (Bunge Alimentos) e Mário Barbosa (Bunge Fertilizantes).

“A pauta social está ligada ao raciocínio da empresa. Se não fosse importante, os presidentes não participariam das reuniões. Isso acontece porque eles conseguem perceber o valor do processo. Mas isso não é uma coisa que começou a ser feita ontem”, opinou Cláudia.

E não foi mesmo. Fundada em 1818, em Amsterdã, na Holanda, pelo negociante de origem alemã Johannpeter G. Bunge, a Bunge & Co visava à comercialização de produtos importados das colônias holandesas e grãos. Atualmente, o grupo tem unidades industriais, silos e armazéns nas Américas do
Norte e do Sul, Europa, Ásia, Austrália e Índia, além de escritórios da BGA (Bunge Global Agribusiness) atuando em vários países europeus, americanos, asiáticos e do Oriente Médio. No Brasil, a corporação completou 104 anos e abrange os segmentos de fertilizantes e alimentos, sendo, que neste último, é detentora de marcas conhecidas, como Soya, Cyclus, Delícia, Primor e Bunge Pró.

Possui cerca de 8.500 funcionários, mais de 300 instalações entre fábricas, portos, centros de distribuição e silos, e está presente em 16 estados brasileiros. Seu faturamento em 2008 foi de R$ 31,7 bilhões.

Mudança na prática: projetos continuam, com outra finalidade

Para alcançar o novo foco estabelecido, que é a promoção da sustentabilidade,os projetos já existentes da Fundação tiveram que ser readequados. As linhas de atuação foram redefinidas de forma a abranger três áreas: Socioambiental, Incentivo à Excelência e ao Conhecimento Sustentável e Preservação da Memória.

Na área socioambiental, o programa Comunidade Educativa, criado em 2002, permanece ativo, mas com foco na escola sustentável. Assim, o trabalho de formação de educadores que já era realizado, agora procura transformá-los em agentes que possam contribuir para formação de cidadãos com pensamento sustentável e também transformar a própria realidade das escolas da rede pública.

O programa reúne 729 professores, 14 mil alunos e cerca de 820 voluntários que dedicam até duas horas de trabalho semanal desenvolvendo atividades multidisciplinares e lúdicas com alunos dos primeiros anos do Ensino Fundamental de escolas da rede pública.

Ainda na área socioambiental, a Fundação criou um novo projeto dentro da proposta de sustentabilidade. Enquanto o Comunidade Educativa trabalha a questão nas escolas, o Comunidade Criativa vai fazer o mesmo no âmbito do mercado de trabalho. Ele consiste em ações de formação profissional de jovens, com foco em empregos que contribuam com o desenvolvimento sustentável das comunidades onde a Bunge atua. “Neste ponto, é importante focarmos o projeto nas potencialidades da região, de forma que promovam uma empregabilidade consistente aos jovens. Não adianta terem um certificado embaixo do braço, mas não encontrarem mercado para exercer”, raciocina Cláudia Calais.

Todo o primeiro semestre deste ano foi dedicado ao levantamento de dados para identificação das potencialidades das regiões pilotos. A implantação de fato do programa está prevista para o começo do ano que vem.

Incentivo à produção de conhecimento

Para atender a área de incentivo à excelência e ao conhecimento sustentável, a instituição dá novo enfoque para uma das suas primeiras realizações: o Prêmio Fundação Bunge.

Visto como um importante estímulo à produção intelectual por reconhecer o trabalho de personalidades do Brasil, o prêmio agora passa a considerar o conceito de sustentabilidade como um dos critérios de avaliação.

Os profissionais contemplados com o prêmio são indicados por instituições acadêmicas, entidades de pesquisa e organizações culturais. E para atuar de forma ainda mais efetiva na geração de conhecimento em prol de políticas de sustentabilidade, a partir deste ano, a Fundação Bunge passa a apoiar estudos e pesquisas que contribuam para a formação de um repertório sobre o desenvolvimento sustentável no mundo. A ideia é que, a cada ano, um novo tema seja abordado.

Para estrear, foi lançado, em maio deste ano, o projeto Conhecer para Sustentar: Vale do Itajaí, ambientado na cidade de Gaspar, em Santa Catarina.

Lá funciona uma das empresas Bunge, que, assim como toda a cidade e boa parte do estado, foi fortemente afetada pelas intensas chuvas do último verão.

O objetivo do projeto é disseminar conhecimento e aprendizado resultantes das inundações. “Pensamos que, ao invés de ajudarmos esporadicamente, poderíamos montar um projeto social”, conta Cláudia. O projeto está dividido em três fases: a primeira abrange a criação do plano de recuperação e desenvolvimento urbano do bairro Sertão Verde, cuja apresentação está prevista para agosto deste ano; a segunda, prevista para iniciar em outubro, é a de disseminação de conhecimento, que se dará por meio de um livro-reportagem, um vídeo-documentário e um ciclo de seminários; a terceira, prevista para fevereiro de 2010, consiste na entrega de uma nova escola à comunidade Sertão Verde, que seguirá um projeto arquitetônico de bases ecoeficientes e sustentáveis.

Conhecer para Sustentar: Vale do Itajaí tem investimento de cerca de R$ 1,2 milhão ao longo de um ano e está sendo realizado em parceria com a prefeitura de Gaspar. O projeto, porém, não é restrito a esta região e poderá ser replicado em outras localidades. “Promoverá um aprendizado do que aconteceu, permitindo entender do ponto de vista científico, de forma a evitar que tragédias semelhantes aconteçam ou que as sociedades estejam melhor preparadas se isso vier a acontecer”, defende a gerente da fundação.

Preservar a memória para aprender com o passado

“Construir o novo em cima do conhecimento do passado”. É assim que Cláudia descreve os objetivos do Centro de Memória Bunge, que completa 15 anos de existência oferecendo um dos mais ricos acervos de memória empresarial do país. Entre textos, imagens, depoimentos e peças museológicas, são mais de 700 mil documentos e quase 100 horas de declarações de colaboradores das empresas Bunge.

Além do material de acervo, o Centro organiza atividades que o aproximam da sociedade, como exposições temáticas abertas ao público em geral, jornadas culturais e visitas técnicas de empresas interessadas em organizar os seus próprios centros de memória.

“Temos que aprender com o passado, trabalhar com o presente e caminhar para o futuro. Uma empresa como a Bunge só consegue ter 104 anos porque vai se aperfeiçoando”, finaliza.

Projetos da Fundação Bunge em números:

Investimento anual (global): R$ 6 milhões
Comunidade Educativa (até 2008):
• Professores que passaram por formação: 2.414
• Alunos envolvidos: 12.300
• Escolas envolvidas: 67
• Regiões atendidas: 18
• Voluntários da Bunge envolvidos diretamente nos projetos: 810
• Horas dos voluntários dedicadas ao trabalho nas escolas: até duas horas semanais – 11.531 horas
• Horas de treinamento aos voluntários (anual): 731 horas
• Consultores pedagógicos contratados: 15

Prêmio Fundação Bunge (até 2008):

• Quantos premiados no total: 155
• Quantos homenageados na categoria “Vida e Obra”: 102
• Quantos premiados na categoria “Juventude”: 53

Centro de Memória Bunge (até 2008):

• Documentos do acervo: 700 mil
• Pessoas que participaram das Jornadas Culturais: 425
• Atendimento a pesquisas: 339