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Paraíso na cidade

Paraíso na cidade

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Seção: Editorias - Categoria: Turismo
Escrito por Redação Seg, 19 de Janeiro de 2009 13:59

Passeando junto aos lagos e frescor das árvores, ao som tranqüilo do canto dos pássaros, esquece-se até que está no centro da maior metrópole da América Latina. O fluxo intenso de bicicletas, patins e skates está longe do trânsito de São Paulo. E comparado à agitação da cidade somente os passos largos das caminhadas e corridas dos visitantes.

Receptivo à diversidade, pontas extremas da sociedade freqüentam o mesmo espaço, que une o encanto da natureza e a prática de esportes com a complexidade e graça da arte de grandes nomes da cultura. São 1,6 milhões de m² divididos em uma área que abriga museus, monumentos, pistas de ciclismo e de cooper - além de quadras de esportes, mais de 15 mil árvores e 120 espécies de aves, o Parque do Ibirapuera recebe semanalmente cerca de 200 mil de visitantes semanais. No entanto, nem sempre este espaço foi assim.

A origem do Parque

A área que hoje dá lugar ao Parque era alagadiça, banhada pelos córregos Sapateiro e Caaguaçu (atualmente canalizado), daí a origem do nome Ibirapuera, que em tupiguarani significa ‘pau podre’, uma vez que o solo encharcado apodrecia as árvores do local. E somente em 1926, quando o prefeito Pires do Rio declarou a necessidade urgente de implantação de áreas verdes na cidade, a exemplo dos grandes parques europeus (Bois de Bologne, em Paris e Hyde Park em Londres), foi que a área teve o destino que conhecemos hoje.

Com a criação do parque, a área verde de São Paulo seria triplicada, para cada milhão de habitantes existiriam 900.000 m² de áreas verdes. Então, se iniciou a preparação do solo, onde primeiro foram plantadas mudas de eucaliptos, em função do seu potencial de absorção da água do solo.

Mais tarde, em 1928, o primeiro administrador da área, Manuel Lopes de Oliveira, passou a cultivar plantas nativas e exóticas, dando origem ao viveiro responsável pela arborização de ruas, parques e jardins da cidade. Batizado pelo nome de seu criador, o viveiro Manequinho Lopes, em 1939, foi considerado o embrião do parque, título que ocupa até hoje.

Aliança com a arte

Conforme ganhava mais espaço, aproximava-se mais da arte. Em 1950 deu-se o início da construção do mausoléu aos soldados constitucionalistas de 1930, obra que constitui o Obelisco, inaugurado em 1955. Embora a preocupação com a cultura histórica da cidade, e, portanto, com a arte, já tivesse sido exposta com a construção destes monumentos, em
1951, faltando três anos para o IV Centenário da cidade de São Paulo, formou-se uma comissão, composta pelo governador Lucas Nogueira Garcez e o prefeito Armando de Arruda Pereira, junto com a prefeitura, o estado e a iniciativa privada, que escolheu o parque como marco das comemorações à data.

O objetivo era criar no local um conjunto arquitetônico que transmitisse o valor do desenvolvimento urbano em que se encontrava a cidade, unir a modernidade urbana através de uma arquitetura arrojada e um belo projeto paisagístico. Coordenados por Oscar Niemeyer foram convidados renomados da arquitetura (Eduardo Kneese de Mello, Ícaro de Castro Mello, Hélio Ulho Cavalcanti e Zenon Lotufo) e do paisagismo (Augusto Teixeira Mendes e Roberto Burle Marx) que começaram a dar vida ao projeto que se conhece hoje.

Inaugurado em 21 agosto de 1954, estiveram presentes representantes de 13 estados e 19 países para a Primeira Feira Internacional, reunindo expositores internacionais e de diversos estados brasileiros, com o objetivo de manifestar suas potencialidades industriais, comerciais, culturais e artísticas.

Das construções realizadas naquele período, ainda estão presentes no parque: o Palácio das Indústrias (atual Bienal), a Réplica do Palácio de Katura (conhecido como Pavilhão Japonês), o Palácio das Nações (Pavilhão Manuel de Nóbrega), o Palácio das Exposições (antigo Museu da Aeronáutica e Folclore; atual OCA), o Palácio dos Estados (atual PRODAM), o Palácio da Agricultura, atual DETRAN (único que não integra mais o Parque), a Marquise, o conjunto dos lagos e o Planetário, mas este só foi inaugurado em janeiro de 1957.

Importância do Espaço


Segundo o assistente técnico do parque, Heraldo Guiaro, o projeto foi minuciosamente pensado como espaço pedagógico, uma vez que em São Paulo já não mais existem tantos espaços reservados à natureza. “Hoje o Parque Ibirapuera faz parte de cada paulistano, pois não há como lembrar em lazer e cultura sem pensar no parque” – diz Guiaro.