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Preocupada em amarrar sua imagem a uma agenda verde como contraponto à sua declarada adversária nesta área, Marina Silva, a candidata à Presidência da República, Dilma Roussef - vale lembrar, uma expert em energia - incluiu em sua agenda de início de campanha visita a uma unidade experimental da Vale do Rio Doce, instalada em São José dos Campos. A VSE ou Vale Soluções Energéticas foi criada em dezembro de 2007, com o objetivo específico de pesquisar e desenvolver sistemas integrados para geração distribuída de energia limpa com uma estimativa de investimento da ordem de US$ 720 milhões em projetos entre 2008 e 2012. |
O investimento é resultado de uma associação entre a Vale do Rio Doce, que detém 52% da composição acionária, o BNDES (45%) e a Sygma Tecnologia (3%). A VSE será, na prática, o Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Energia (CDTE ), empresa com sede no Rio de Janeiro e filial em Belo Horizonte,
mas fisicamente instalada numa área de 100 mil m2 no Parque Tecnológico de São José dos Campos, no Vale do Paraíba paulista.
O Centro funciona como uma rede aberta de pesquisa e desenvolvimento, com áreas de atuação divididas de acordo com a tecnologia aplicada: gaseificação; turbinas a gás e a vapor; motores de combustão interna e a busca por geração de energia a partir do etanol, para substituir o diesel poluidor.
Em 2009 foram realizados testes com os protótipos de turbinas e gaseificadores desenvolvidos pela empresa, realizados par a par com a construção do Centro Tecnológico.
PROJETOS EM ANDAMENTO
Geração distribuída
Até julho de 2011 a empresa se propõe a produzir turbinas de pequeno porte. As tecnologias recentes têm permitido que se construam geradores de dimensões
bastante reduzidas, muito eficientes, seguros, fáceis de adquirir e de operar, visando a geração distribuída ou a geração de energia próxima do consumidor final.
Além disso, encontra-se também em desenvolvimento uma tecnologia que viabilizará o projeto de centrais de geração compactas de alta potência para o mercado de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH ). O objetivo da VSE é o desenvolvimento de uma família de turbinas para minitérmicas, com potencial para competir no mercado de energia.
Motores multicombustíveis
Busca-se, ainda, o desenvolvimento de uma família completa de motores multicombustíveis (etanol, gás natural, biogás, gás de síntese obtido por gaseificação de biomassa e carvão), para aplicações em geração de energia elétrica estacionária e em veículos pesados híbridos, como ônibus, caminhões, tratores e colheitadeiras.
Gaseificadores a carvão
Um terceiro leque de projetos busca a criação de uma nova geração de gaseificadores para produção de gás combustível a partir de carvão, biomassa ou resíduos. O objetivo é atender às necessidades de energia da própria Vale do Rio Doce, mas também do mercado. Neste leque persegue-se o desenvolvimento
de centrais termelétricas do tipo IGCC de porte médio, utilizando gaseificadores térmicos de 60 e 70 MW, o que irá proporcionar geração distribuída de energia
elétrica de forma limpa e eficiente.
Nota da redação: dentre as diversas tecnologias de combustão disponíveis para produção de energia elétrica com base em carvão destacam-se a PCC ou carvão pulverizado, a CFBC ou leito fluidizado com recirculação e esta IGCC que é o ciclo combinado com gaseificação integrada de carvão. O carvão mineral é a segunda fonte de energia primária no mundo, mas representa a principal posição na geração de energia elétrica. A produção mundial está no nível de cinco bilhões de toneladas anuais e as reservas são enormes, assegurando o suprimento nesse ritmo por 200 anos, ao passo que as reservas conhecidas de petróleo -
primeira fonte - não garantem mais meio século de vida útil.
O carvão é o único combustível fóssil cujo suprimento permanecerá, durante uma parte do século XXI, existindo em grande quantidade e a custos relativamente baixos. Trata-se, portanto, de um dos principais combustíveis substitutos disponíveis para atenuar a transição da era atual de petróleo e gás natural abundantes para uma fase futura de recursos energéticos renováveis, gaseificação do carvão até o processo de metanização e a produção do hidrogênio - em sistema híbrido com as demais energias.
Energia do etanol
A Scania e a Vale Soluções em Energia (VSE) assinaram em Estocolmo, na Suécia, memorando de entendimento para acordo de cooperação tecnológica visando ao desenvolvimento, no Brasil, de um projeto inédito na América Latina, buscando motores para geração de eletricidade a partir do etanol e do gás natural.
Trata-se da primeira parceria entre uma empresa brasileira e uma sueca voltada para o desenvolvimento e integração de uma família de motores movidos a combustíveis alternativos. O rei Carl XVI Gustaf em sua recente visita ao Brasil não deixou de marcar presença na VSE ao lado do secretário de Estado para Comércio Exterior da Suécia, Gunnar Wieslander, e do presidente da Scania Brasil, Sven Antonsson.
A VSE buscará transformar os motores básicos da empresa em motores para diversas aplicações, entre as quais, geradores de energia limpa, utilizando como
combustível o etanol ou etanol combinado com gás natural. O diferencial é a utilização de 100% de etanol na geração de energia, sem emissão de gases poluentes. Quando comparado ao diesel, o uso do etanol possibilita significativa redução da emissão de gases do efeito estufa, emitindo cerca de 68% a menos de dióxido de carbono (CO 2) na atmosfera.
Os motores em teste já apresentam redução nos níveis de ruído, se comparados a motores que funcionam com óleo diesel. A potência máxima de operação pode chegar a 500 kW, o que daria para abastecer uma cidade com cerca de 2,5 mil habitantes. Futuramente, os motores serão utilizados para gerar eletricidade e mover bombas e compressores em maquinários utilizados nas indústrias de mineração e agricultura. O mercado brasileiro para motores estacionários nestes segmentos é estimado em 3.000 unidades por ano.
AS CENTRAIS DE BOLSO
Diante de cenários de escassez de reservas e ameaças ambientais, o mundo corre atrás de formas complementares ou alternativas para gerar energia
Para entender os avanços: em contraposição às centrais convencionais e como meios complementares e alternativos de produção de energia elétrica, busca-se no
mundo todo o desenvolvimento de novos tipos de centrais em vista da atual e futura situação das reservas energéticas de combustíveis, bem como de preocupações relativas à poluição do ambiente. Estas formas de produção de energia de menor dimensão são englobadas no conceito de geração distribuída que pode incluir várias formas de produção de energia elétrica, quer sejam de fontes renováveis ou não. Aqui destacam-se as microturbinas a gás, pilhas de células de combustível, grupo gerador multicombustível, a cogeração, mini-hídricas, centrais de biomassa módulos solares fotovoltaico e as turbinas eólicas.
Sendo ela mesma uma voraz consumidora de energia, a Vale prevê que a primeira unidade de gaseificação de carvão e biomassa será implantada na Alunorte, no
Pará. O gás gerado substituirá o óleo combustível na geração de energia, o que reduz as emissões de poluentes atmosféricos. O maior investidor no Parque Tecnológico foi o governo federal. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e mesmo o MEC investiram quase R$ 500 milhões no Parque Tecnológico. A própria Vale entrou com R$ 300 milhões; Prefeitura e governo do Estado entraram com R$ 100 milhões.
Driblando racionamentos
Além de maior consciência para a busca de sustentabilidade ambiental, estes esforços todos envolvendo inovação, energia e ambiente estão intimamente ligados a
cenários de racionamento de energia, hoje já mais distantes que em anos passados até mesmo diante do volume excepcional de chuvas entre 2009 e 2010 mas sempre presentes no horizonte.
As empresas estão implementando sistemas mais modernos, especialmente a troca de caldeiras movidas a biomassa, que são até três vezes mais eficientes na
geração de eletricidade. A própria Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) já se convenceu de que a produção de energia por biomassa tem o potencial de gerar até seis gigawatts (GW), o que seria equivalente à geração de eletricidade de duas hidrelétricas do Rio Madeira (RO).
No Parque Tecnológico de São José dos Campos, Dilma foi recepcionada pelo diretorgeral, Marco Antônio Raupp, que fez uma apresentação técnica no auditório. Em seguida, a petista seguiu para uma visita ao local, que tem aproximadamente 12,5 milhões de metros quadrados, passando pelo laboratório da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), pelo Centro para a Competitividade e Inovação do Cone Leste Paulista (Cecompi), que abriga diversas incubadoras de empresas, e pela Vale Soluções em Energia.