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Dados divulgados pelo Conselho Global de Energia Eólica (GWEC, na sigla em inglês), em fevereiro, apontaram que a produção de energia eólica no Brasil cresceu mais do que o dobro da média mundial, que registrou 31%. O crescimento brasileiro foi maior, por exemplo, que o dos Estados Unidos, que teve aumento de 39%, o da Índia (13%) e o da Europa (16%), mas menor que o da China, cuja capacidade de geração ampliou- se em 107%. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Ricardo Simões, o aquecimento do setor é reflexo de um processo que vem desde 2002, quando o governo federal instituiu o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa). |
"Vários parques eólicos participantes do PROIN FA entraram em operação no ano passado. Contudo, o grande fato foi o Leilão de Energia de Reserva que contratou 1.800 MW de potência instalada para entrada em operação em 2012", explicou. O leilão, realizado em dezembro, foi o primeiro exclusivo de energia eólica e os 1.805 MW comercializados se dividirão em investimentos a serem realizados em cinco estados brasileiros: o Rio Grande do Norte com 657 MW, o
Ceará com 542 MW, a Bahia com 390 MW, o Rio Grande do Sul com 189 MW e Sergipe com 30 MW.
"Foi uma mudança de paradigma. Para que se tenha uma idéia, hoje a capacidade instalada de energia eólica no Brasil é de 700 MW, entre o final deste ano e início do próximo passaremos para 1,4 mil MW e já em 2012, como consequência do leilão, teremos 3,4 mil MW de capacidade de geração de energia eólica. Isso significa dizer que iremos quadruplicar a capacidade instalada em relação a 2010. Mas isso não é muito, e o que impressiona é que esse volume corresponde apenas a 2,5% da capacidade instalada no país", completou Simões.
Se no território nacional, a força dos ventos ainda é pouco representativa, em termos mundiais a participação do Brasil é ainda menor. Mesmo com tanto crescimento, o país ainda representa cerca de 0,38% da produção mundial. Segundo Simões, um dos principais entraves para o desenvolvimento do setor é o peso da carga tributária. "Para enfrentar essa dificuldade é necessário um regime tributário específico que contemple a cadeia produtiva como um todo, e não com benefícios fiscais isolados e temporários", opinou.
Neste sentido, a Abeeólica vem discutindo com o governo federal a implementação do Renovento, regime tributário especial para desonerar desde a matéria prima até a operação dos parques eólicos. Mas por que a opção eólica, se o Brasil tem tanto potencial hidráulico para gerar energia?
A resposta, segundo Simões, está na diversificação. “Temos o privilégio de possuir recursos hidráulicos extraordinários e, assim, por muitos anos a nossa matriz
continuará sendo predominantemente da forma que conhecemos hoje - com as hidroelétricas - e é bom que seja assim, porque essa é a mais competitiva de todas. E é justamente neste ponto que, segundo ele, o crescimento da oferta de energia calcada em bases hidráulicas e eólicas, dada a complementaridade e contrasazonalidade, faz com que o Brasil tenha uma condição extremamente diferenciada e competitiva, em comparação com outros países.
Como estimulante da competitividade, o Leilão de Energia de Reserva (LER) funcionou bem já que também estimulou o aumento da escala na fabricação de equipamentos e componentes de geração eólica. Por isso Simões destaca a importância desta política. “A continuidade de leilões específicos para energia eólica pode tornar o Brasil uma plataforma de domínio tecnológico desta rota de geração”, opinou.
Ao menos na edição do LER 2010, que será realizada em agosto, as eólicas terão que dividir espaço com termelétricas movidas a biomassa (bagaço de cana-de-açúcar, resíduos de madeira e capim elefante) e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). Até agora, porém, segundo informações da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), as usinas movidas a vento são a grande maioria: representam 82% das 517 usinas cadastradas para concorrer ao leilão de fontes alternativas destinadas ao fornecimento de energia em 2013. Juntas, todas as cadastradas terão uma capacidade instalada de 15.774 megawatts (MW), sendo que as 425 eólicas têm capacidade para 11.214 MW.
Mesmo com dados tão promissores, o setor ainda tem desafios pela frente. Para que a energia que vem dos ventos se firme de vez em solo brasileiro é preciso
resolver uma importante questão: o alto custo de produção. A energia gerada por essa alternativa custa entre 60% e 70% a mais que a mesma quantidade oriunda de uma usina hidrelétrica.
Segundo Simões, o processo para baixar este custo já começou. “A energia eólica no Brasil está em fase de ampliação da sua competitividade. Basta comparar o preço praticado no Proinfa e o preço médio do Leilão de 2009. No Proinfa os valores são de R$ 260/MWh, enquanto no leilão o preço médio foi de R$ 148/MWh”, destacou. Segundo ele, a melhoria na qualidade dos projetos, a percepção de risco dos investidores com o contrato ofertado no leilão, a situação cambial do ano passado e os efeitos da crise de 2008 influenciaram na redução dos custos.
Segundo ele, a melhoria na qualidade dos projetos, a percepção de risco dos investidores com o contrato ofertado no leilão, a situação cambial do ano passado e os efeitos da crise de 2008 influenciaram na redução dos custos.
A FORÇA DOS VENTOS
Como funciona?
Energia eólica é a energia cinética contida nas massas de ar em movimento (vento). Seu aproveitamento ocorre por meio da conversão da energia cinética de translação em energia cinética de rotação, com o emprego de turbinas eólicas, também denominadas aerogeradores, para a geração de eletricidade, ou cataventos (e moinhos), para trabalhos mecânicos como bombeamento d'água.
As primeiras tentativas de geração de eletricidade surgiram no final do século 19, mas somente cerca de um século depois é que foram desenvolvidos equipamentos para produção em escala comercial.
Fonte: Aneel - Agência Nacional de Energia Elétrica
Vantagens
A energia eólica atende às três principais preocupações em termos de geração de energia sustentável:
• Segurança de suprimento - ao contrário de combustíveis fósseis, como o petróleo, a energia eólica utiliza-se de matéria-prima permanentemente disponível em praticamente todos os países do mundo;
• Independência de preços externos do petróleo e do gás natural - Cada quilowatt / hora gerado por energia eólica tem potencial para substituir importações de combustíveis fósseis, melhorando a segurança do abastecimento e da balança comercial dos países;
• Emissão reduzida de CO2 - o setor energético é a maior fonte de emissões de CO2, representando cerca de 40%. Na opção eólica, porém, a emissão é baixíssima: três a seis meses de atividade de uma turbina eólica compensam as emissões geradas durante a fabricação da própria turbina.
Diferencial
As três vantagens acima podem ser observadas também nas usinas hidrelétricas. O grande diferencial das eólicas refere-se ao baixo impacto ambiental que provocam. O equipamento ocupa 1% da área da usina eólica e o restante pode ser ocupado por lavoura ou pastagem. Além disso, é possível a uma distância de 400 metros das usinas eólicas sem que seu ruído cause danos ou perturbações ao ser humano.
Desvantagens
O custo da energia gerada por essa alternativa é entre 60% e 70% mais alto do que a mesma quantidade produzida em uma usina hidrelétrica. Programas governamentais de incentivo estão tentando mudar esta realidade.
Pelo mundo
Os Estados Unidos ocupam o topo da lista dos países com maior capacidade instalada em comparação com o potencial energético, somando 20,8%. Em seguida, vem a Alemanha, com 19,8%.
No Brasil
O país tem posição destacada no contexto regional, pois terminou o ano de 2009 com uma capacidade instalada de 606 MW, tendo apresentado um crescimento de 77,7% sobre os 341 MW instalados até o final de 2008.
Fonte: Conselho Global de Energia Eólica (GWEC)