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A força do associativismo

A força do associativismo

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Seção: Editorias - Categoria: Economia e Negócios
Escrito por Livi Carolina Qui, 08 de Janeiro de 2009 09:31

No período dos anos 90, o associativismo ganhou força no mundo. O maior exemplo disso partiu dos paises europeus, que se uniram para conduzir o comércio mundial, formando a União Européia. No Brasil, as Organizações Não Governamentais (ONGs) se expandiam com novos focos, não somente o da prática de obras assistencialistas, mas com o intuito de promover a cidadania e a integração do Terceiro Setor, com os outros dois setores, governamental e privado.

Décadas após esta propagação das ONGs, é possível encontrar uma diversidade de atuação destas organizações. Hoje pode-se encontrar ONGs responsáveis por oferecer concientização de preservação do meio ambiente, reciclagem, disseminassão da arte, cursos profissionalizantes e uma infinalidade de novos alvos que norteiam o trabalho das intituições. A exemplo dessa diversidade estão três instituições de alta representatividade no Grande ABC: a Apolo (Associação das Indústrias do Pólo Petroquímico do Grande ABC), a Avape (Associação para Valorização e Promoção de Excepcionais) e o Camp SBC (Centro de Formação e Integração Social).
Desenvolvendo trabalhos distintos, com objetivos também diferentes, estas organizações se assemelham quando o assunto é o impacto na comunidade onde estão inseridas, transformando a qualidade de vida, a rotina da população e a estrutura de sustentação, que as auxilia na gestão empresarial.

Apolo - Formada há 8 anos, quando ainda denominada Sinergia, o grupo das empresas do Pólo Petroquímico, concentrado entre as cidades de Santo André e Mauá, enxergou no associativismo uma medida de economia e melhoria dos serviços prestados.
Após a Petroquímica União (PQU), primeira a se instalar na região na década de 70, chegaram as outras empresas: Air Liquide, Cabot, Oxiteno, Suzano Petroquímica, Polietilenos União, Petrobras - Refinaria de Capuava, Petroquímica União (PQU), Unipar, Solvay e a Vipotel. Juntas, aos poucos deram à região a característica de Pólo Petroquímico do Grande ABC e um novo nome ao grupo, que em 2004 passou a se chamar Apolo.
“O Pólo não foi fisicamente planejado, mas uma conseqüência de interesses em função da logística. Cada um só pensava em si, porém com o tempo verificamos que todas as empresas usavam os mesmos serviços básicos de transporte, limpeza, alimentação, plano de saúde e que se nos uníssemos na contratação desses serviços poderíamos reduzir custos”, explica Sidney dos Santos, gerente executivo da Apolo.


Com a possibilidade de contratar uma única prestadora de serviços para atender as necessidades básicas de todas as indústrias, o poder de negociação ficou maior. “Com a Associação, as prestadoras de serviços se viram obrigadas a melhorar a qualidade, afinal não estão atendendo individualmente, mas dez empresas de uma só vez. Dessa forma, também oferecemos um ambiente de trabalho e planos de saúde melhores aos funcionários”, afirma Santos.
Ele explica que para bancar os gastos, a Apolo mantém um planejamento orçamentário com programação de gastos e ações, que é rateado entre as associadas, conforme o faturamento. Segundo o diretor, as empresas já conseguiram uma economia de R$ 32 milhões, o que corresponde a R$ 380 mil mensais, somente com a unificação dos serviços.
O que começou como benefício empresarial, expandiu-se para a população. A atuação do Pólo preocupava os moradores, que não entendiam o funcionamento das petroquímicas. Diante disso, a Apolo passou a desenvolver ações para aproximação dos moradores à rotina das empresas, e esclarecimento das dúvidas.
“A falta de informação fazia com que os moradores enxergassem o Pólo como um poluidor, distorcendo a imagem das indústrias. Para resolver esta situação, abrimos canais com a comunidade, mostrando os benefícios do Pólo e os cuidados que temos com a questão ambiental”, lembra Santos.
Uma das medidas encontradas para estreitar a relação com os moradores foi convidar os líderes comunitários para conhecer o funcionamento das indústrias. “Com este programa passamos a ouví-los e tomamos conhecimento de suas necessidades”, ressalta.
Atualmente a Apolo tem quadro projetos centrais de atendimento à população: a Campanha Balão – que alerta, principalmente os jovens quanto aos riscos de quedas de balões; o Circuito Aventura – evento de esportes radicais voltado às pessoas portadoras de deficiências; a Natação Adaptada – natação para os portadores de deficiência e o Pólo Dá Vida – ação que reúne dentistas, médicos, cabeleireiros, entre outros, para atendimento gratuito à comunidade; além do jornal mensal da Apolo, o Portas Abertas, com 45 mil exemplares distribuídos entre escolares e moradores.

Avape – Nasceu, em 1982, a partir da iniciativa de pais e familiares de pessoas portadoras de deficiência com o objetivo de estimular suas habilidades.
No início a Avape tinha somente a função de facilitar o encaminhamento dos assistidos aos serviços de reabilitação, educação e profissionalização. Para manter-se, a associação contava com a contribuição voluntária dos funcionários da Volkswagem - primeira apoiadora da Avape - e com a renda das festas promovidas para arrecadação de fundos.


A parceria com a montadora foi um passo importante para sua expansão. Na Volks onde foram feitas as primeiras reuniões de funcionários que tinham em suas famílias pessoas com algum tipo de deficiência. Segundo Marcos Gonçalves, hoje presidente do Conselho Gestor Avape, secretário do Conselho Gestor da Rede Brasileira de Entidades Assistenciais Filantrópicas (Rebraf), diretor nacional da Federação Brasileira das Instituições de Excepcionais de Integração Social e de Defesa da Cidadania (Febiex) e conselheiro do Conselho Nacional de Assistência Social (Cnas), o fato da Avape ter iniciado suas ações dentro de uma grande empresa deu à associação uma característica empresarial. “A Avape foi a primeira instituição do mundo a receber o certificado ISO 9000, e atualmente é tida como modelo global na área em que atua, reconhecimento que nos associou à duas instituições internacionais, a Rehabilitation International (RI) e o Grupo Latinoamericano de Rehabilitación Profesional, Integración e Inclusión de Personas con Discapacidad”, afirma Marcos Gonçalves.


Em 24 anos de trabalho a Avape ampliou o atendimento. “No início faltava-nos estrutura, mas hoje não há restrições. Atendemos desde um portador de deficiência intelectual, visual, auditiva a pessoas com risco social de qualquer idade”, assegura o presidente do Conselho.
Atualmente, as 14 unidades da Avape estão divididas em Centros de Convivência - onde os atendidos são estimulados ao convívio social, com atividades de lazer e oficinas ocupacionais; Reabilitação Clínica - atendimento por meio da prevenção, diagnóstico e tratamento; Reabilitação Profissional - onde portadores de deficiência e jovens em risco social, são avaliados e encaminhados à atividade de vivência profissional; Capacitação Profissional - com cursos de capacitação, como Informática, Atendimento ao Cliente, Telemarketing, Gestão de Pequenos Negócios, Organização de Roteiros Turísticos e Redação Empresarial.
Somente em 2005 foram registrados 2,6 milhões de atendimentos, sendo 93% gratuitos, possibilidade dada a partir das parcerias jurídicas e físicas, além da venda dos produtos com o selo Avape.
De acordo com Eliana Accioly Garcia, responsável pela rede Avape, há planos de multiplicação, um programa de consultoria e auxílio a outras ONGs, transmitindo a experiência da Avape, no ramo de habilitação/reabilitação, capacitação e conscientização.

Camp SBC - Com 34 anos de fundação, o Camp SBC assumiu um papel importante na capacitação e inserção de jovens entre 16 a 24 anos, em situação de risco social, no mundo de trabalho (expressão usada no Camp SBC, em referência ao mercado de trabalho), principalmente em São Bernardo do Campo, onde está localizado.
O trabalho da instituição baseia-se na formação intelectual e profissional dos aprendizes (como são chamados os jovens beneficiados pelo projeto) e no encaminhamento dos jovens para estágios em empresas parceiras, cerca de 300, em todo o Grande ABC e São Paulo.
Depois de terem passado por uma rígida seleção, com ficha de inscrição, avaliação psicológica, comprovação de baixa renda e feita a prova de conhecimentos gerais, aqueles que foram contemplados na disputa por uma vaga na organização, têm à disposição um curso com duração de três meses, de segunda a sexta, com abordagem nos temas: Ética, Trabalho e Cidadania, Inclusão Digital, Comunicação Lingüística, Aprendizagem em Vendas e Marketing, Qualidade de vida (esporte, nutrição e meio ambiente), Produção Cultural (teatro, percussão corporal e música), Comunicação de Mídia (oficina de jornalismo e rádio educativa) e Reforço Escolar (apoio à não evasão escolar).


Segundo Loly Siqueira, coordenador de Comunicação e Marketing Social, o Camp SBC já formou aproximadamente 18 mil jovens, todos com registro na carteira de trabalho - fundamentados na Lei 10.097 em que, o empregador se compromete a assegurar aos jovens, de idade entre 14 e 18 anos, condições de trabalho compatíveis ao seu desenvolvimento físico, moral e psicológico - e com uma ajuda de custo de um salário mínimo.
O contrato permite ao aprendiz um estágio durante o período de um ano - porém, este pode ser renovado até o jovem completar a maioridade. Muitos encontraram nesta oportunidade a efetivação, certeza de um trabalho estável e mudança de vida. Como é o caso de Fernando Lopes Silva, 23 anos, atualmente analista de garantia da Ford. “Entrei na Ford em 99, como aprendiz. Minha primeira função era dar suporte aos analistas. Após um ano e oito meses fui efetivado, consegui fazer faculdade e vi minha vida transformada. Hoje eu poderia estar lavando carros, caso não tivesse aproveitado o que o Camp SBC me ofereceu”, conta o ex-aprendiz.
“Oferecemos às empresas, jovens já capacitados, acostumados com a rotina de trabalho e orientados à postura profissional, então a efetivação de muitos não é surpresa pra nós”, afirma Sonia Sadako Alakaki, superintendente.


Já dentro do Camp SBC é possível comprovar a orientação para o comportamento dos jovens. O visitante é recebido sempre com um sorriso no rosto seguido por uma saudação, nas salas de aula mostram respeito ao levantarem para receber a visita. Se o visitante tem alguma notoriedade logo vem um aprendiz munido de uma máquina fotográfica para registrar o momento, que posteriormente será divulgada pela Agência de Comunicação Júnior. E, se a visita tiver sorte, ainda pode degustar o pão fabricado na Cozinha Experimental acompanhado de um cafezinho.
Para Sonia Alakaki, um dos motivos do sucesso do Camp ABC é a forma com a instituição foi consolidada - a partir da idéia de empresários ligados ao Rotary Club. Desde então, a presidência do Camp SBC sempre esteve em posse de empresários, promovendo à entidade uma visão empresarial.