TRANSITO 1 Saúde 

Limites emocionais no trânsito.

POR – REDAÇÃO NEO MONDO

Como conviver e dominar as emoções no trânsito.

O trânsito, sobretudo nos grandes centros urbanos, tornou-se um grave problema de saúde pública, com características de epidemia, uma vez que mata mais do que doenças como AIDS, insuficiência cardíaca, renal, dentre outras. É uma das principais causas de óbitos entre pessoas com menos de 59 anos. Estatísticas oficiais indicam que anualmente, cerca de 20 mil pessoas perdem a vida no trânsito, 500 mil ficam feridas e mais de 100 mil sofrem lesões irreversíveis. A Organização Mundial da Saúde considera essa situação um problema global de saúde pública e de desenvolvimento social.

Alto preço

Dados de 2006 revelam que isso tem também um elevado preço, só no Sistema Único de Saúde (SUS) foram registradas 123.061 internações, ao custo de R$ 118 milhões, sem contar as despesas com previdência e absenteísmo ao trabalho e à escola.

Outro estudo, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica aplicada (IPEA), entre os nos 2001 e 2003, quantificou os valores oriundos dos acidentes de trânsito em áreas urbanas e concluiu por perdas anuais da ordem de R$ 5,3 bilhões.

Em 2006, o IPEA confirmou que os impactos sociais e econômicos dos acidentes nas rodovias brasileiras são bastante significativos, estimados em R$ 24,6 bilhões, considerando a perda de produtividade das vítimas. Ficaram de fora, os cálculos sociais como a desestruturação familiar e pessoal, de difícil mensuração.

Cenário caótico

Com o crescente número da frota de veículos em circulação, que segundo o Denatran é de 45 milhões de veículos, as vias públicas estão se tornando espaços caóticos e palco para atos de violência, intolerância e desrespeito. O acentuado estado de irritabilidade do motorista levou o ambulatório de transtorno do impulso, do hospital das clínicas, em São Paulo, a iniciar um tratamento para transtorno explosivo intermitente. As vagas oferecidas se esgotaram em poucas horas.

O psiquiatra Julio César Fontana Rosa, professor da Faculdade de Medicina da USP e membro da associação Brasileira de Medicina de Tráfego, afirmou que a exposição contínua ao estresse dos congestionamentos pode provocar sérios distúrbios que vão de problemas cardíacos, gástricos, ósseo musculares até depressão e outros de ordem psíquica.

Quanto ao comportamento agressivo, ele defende que há fatores culturais envolvidos. “O carro no Brasil não é apenas um meio de transporte, ele tem um caráter de status. Costumo fazer uma analogia que chamo de Síndrome da Casa Grande e Senzala. No comando do veículo, o motorista se sente o senhor do engenho, com o poder absoluto. Qualquer ação externa passa a ser entendida como uma provocação pessoal” – afirmou o especialista.

A esse sentimento somam-se os demais conflitos do cotidiano: dificuldades financeiras, problemas no relacionamento, cansaço, horários, cobranças e outros fatores externos ao ato de dirigir, que se, não podem ser responsáveis por ”criar um monstro”, pelo menos o revelam em público. O agravante, lembrou o psiquiatra, é que ele conta com uma tonelada de metal e a potência do motor do carro ao dispor de sua fúria.

Fontana rosa diz que é preciso cautela nesses momentos críticos e isso significa atenção para não se tornar uma vítima. “Existem dois tipos de vítimas, a inconsciente, que é aquela pessoa que dirige com insegurança ou simplesmente não tem pressa, e outra consciente, que é o provocador, que revida, não dá passagem, não respeita as regras” – disse. Nesse último caso, também se enquadram aqueles para quem tudo é uma provocação. “Se analisarmos bem, verificaremos que as vítimas do trânsito, muitas vezes colaboraram de alguma forma, para gerar uma tensão. É isso que precisamos evitar” – disse.

A psicóloga Ana Cristina Caldeira concorda que é preciso desarmar a bomba relógio que virou o trânsito nos centros urbanos. “Já é tempo de entender que as vias públicas são espaços coletivos onde precisamos conviver” – orientou. O primeiro passo é identificar os próprios limites, perceber quando as emoções começam a sair do controle e tentar refletir que uma postura negativa trará conseqüências ruins. Optar sempre que possível por caronas, por rotas alternativas, por horários mais tranqüilos também são formas de não se expor a condições tão agressivas. Ela defende que no dia-a-dia é importante manter atividades prazerosas, dormir bem, ter atividades de lazer e buscar o convívio com pessoas queridas. “Reduzindo o nível de estresse, as pessoas conseguem lidar melhor com qualquer situação” – disse a psicóloga.

Para a professora de Tai Chi Chuan e Presidente da Sociedade Brasileira de Tai Chi Chuan e Cultura Oriental (SBTCC), Maria Ângela Soci, a prática dessa milenar arte oriental pode ser muito útil nas situações de desequilíbrio emocional no trânsito, principalmente porque a técnica é excelente para educar a mente a agir com a calma no meio de conflitos. Sua principal vantagem, segundo a professora, é obter uma consciência corporal obter, que permitirá o domínio das emoções. Maria Ângela ensina alguns exercícios que podem auxiliar durante a permanência no carro:

• Movimente a cabeça para cima e para baixo. Depois, para esquerda e para direita.
• Com a mão próxima do ombro, faça um movimento circular com o braço direito. Primeiro, para a frente; depois, em sentido inverso. Repita o mesmo exercício com o braço esquerdo.
• Sentado com a coluna reta, apóie a mão direita na perna direita e erga o outro braço como se levantasse algo. Repita o mesmo movimento com o braço esquerdo.
• Massageie as costas com movimento circulares, de dentro para fora e em sentido contrário.
• Estique o braço direito. Com a mão esquerda, empurre suavemente a palma direita para baixo, em ambos os sentidos. Repita o exercício com o outro braço.
• Lentamente, levante o queixo em direção ao teto, dobre a nuca para trás e relaxe os maxilares. Volte e abaixe o queixo em direção ao peito, alongando a parte posterior do pescoço.
• Olhando para a frente, faça movimentos circulares com a cabeça, como se desenhasse um círculo no ar com a ponta do nariz.
• Levante um dos braços até tocar o teto do carro e empurre-o com a mão. Repita com o outro braço.
• Estique o braço para frente e feche o punho. Faça movimentos vigorosos e rápidos de abrir e fechar o punho.

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