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MÉDICOS SEM FRONTEIRAS

POR – REDAÇÃO NEO MONDO

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Vencedora do Prêmio Nobel da Paz, ONG leva ajuda médico-humanitária em meio a conflitos armados, epidemias, desastres naturais, desnutrição e exclusão do acesso a cuidados de saúde.

Quem nunca se emocionou ao ver a imagem dos profissionais do Médicos Sem Fronteiras (MSF) cuidando de pacientes em meio a conflitos armados, epidemias, desastres naturais? As imagens são sempre fortes, mas a dedicação dos profissionais e voluntários é a marca registrada desta ONG, símbolo de seriedade e imparcialidade política na vasta e complicada seara de ajuda humanitária internacional.

Situações de emergência pedem resposta rápida, com atendimento médico especializado e apoio logístico, mas, falhas crônicas no sistema de saúde local, como a escassez de instalações de saúde, de profissionais qualificados e a inexistência da oferta de serviços gratuitos para populações sem recursos financeiros, também podem motivar a atuação do Médicos Sem Fronteiras. A organização foi criada em 1971, na França, por jovens médicos e jornalistas que atuaram como voluntários no fim dos anos 60, em Biafra, na Nigéria. Enquanto socorriam vítimas em meio a uma guerra civil brutal, os profissionais perceberam as limitações da ajuda humanitária internacional: a dificuldade de acesso ao local e os entraves burocráticos e políticos, que faziam com que muitos se calassem, ainda que diante de situações gritantes.

O MSF surgiu, então, como uma organização humanitária que associa ajuda médica e sensibilização do público sobre o sofrimento de seus pacientes, dando visibilidade a realidades que não podem permanecer negligenciadas. Em 1999, recebeu o Prêmio Nobel da Paz.

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Desta forma, a atuação de Médicos Sem Fronteiras é, acima de tudo, médica. A organização leva assistência e cuidados preventivos a quem necessita, independentemente do país onde se encontram. A ONG existe para levar cuidados de saúde essenciais onde seus serviços são mais necessários – em meio a conflitos armados, epidemias, desastres naturais e exclusão do acesso a serviços de saúde. A entidade também administra projetos de longo prazo, combatendo crises e prestando suporte às pessoas onde há enormes necessidades e falta assistência adequada. Atualmente, atua em cerca de 70 países.

Em situações em que a atuação médica não é suficiente para garantir a sobrevivência de determinada população – como ocorre em casos de extrema urgência –, a organização pode fornecer água, alimentos, saneamento e abrigos.

A atuação de MSF respeita as regras da ética médica baseada no direito de que ninguém pode ser punido por exercer uma atividade médica de acordo com o código de ética profissional, não importando as circunstâncias, nem quem são os beneficiários.

Apesar de imparcial, quando diante de determinadas situações, o MSF pode criticar abertamente ou denunciar a ruptura de convenções internacionais e violação de direitos, como o deslocamento forçado de populações, o retorno obrigado de refugiados, atos de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra.

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Em entrevista recente ao jornal Estado de Minas, Susana de Deus, diretora-geral da organização no Brasil explica: “antes de enviarmos uma equipe para qualquer país, fazemos um diagnóstico no qual é analisada a capacidade do Estado de intervir naquela situação e identificados quais os outros atores que lá atuam, bem como as reais necessidades da população. O primeiro passo é enviar uma equipe pequena, em geral de duas ou três pessoas, para fazer um levantamento das condições de saúde da população em questão e da ajuda oferecida por outras instituições, organizações ou governos. Com base nesses dados, avaliamos se o nosso trabalho é realmente necessário. Em caso positivo, as informações coletadas são utilizadas para traçar um plano de atuação, que inclui as atividades que serão realizadas, a equipe, os suprimentos médicos necessários etc.

Só depois disso é que tomamos uma decisão quanto a intervir ou não na região. Um detalhe importante: a decisão sobre os locais onde teremos projetos é sempre baseada nas necessidades de saúde da população; não em opiniões políticas ideológicas ou religiosas quaisquer”.

Susana esclarece ainda: “não temos região prioritária porque isso significaria, de alguma forma, priorizar o sofrimento das pessoas. O que acontece é que os contextos humanitários têm picos difíceis de serem controlados. Este ano, por exemplo, poderia destacar os conflitos na República Centro-Africana, as várias crises no Sudão do Sul e o surto de ebola na Guiné, em Serra Leoa e Libéria”.

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CARTA DE PRINCÍPIOS DO MÉDICOS SEM FRONTEIRAS

“A organização Médicos Sem Fronteiras leva ajuda médico-humanitária às populações em perigo e às vítimas de catástrofes de origem natural ou humana e de situações de conflito, sem qualquer discriminação racial, religiosa, filosófica ou política.

Trabalhando com neutralidade e imparcialidade, Médicos Sem Fronteiras reivindica, em nome da ética médica universal e do direito à assistência humanitária, a liberdade total e completa do exercício de suas atividades.

Os membros da organização se empenham em respeitar os princípios deontológicos de sua profissão e em manter total independência em relação a todo poder, bem como a toda e qualquer força política, econômica ou religiosa.

Voluntários, eles compreendem os riscos e os perigos dos trabalhos que realizam e não reclamam para si qualquer compensação que não seja aquela oferecida pela organização”.

CRIADA EM 1971, PRESENTE EM MAIS DE 70 PAÍSES

Mais de 34 mil profissionais de diferentes áreas e nacionalidades.

Mais de 80% de seu financiamento é proveniente de doações individuais ou da iniciativa privada. Hoje, aproximadamente 5 milhões de pessoas contribuem com a entidade no mundo; cerca de 86 mil destes doadores estão no Brasil.

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Recebeu o prêmio Nobel da Paz em 1999 e o valor recebido com o prêmio foi utilizado na estruturação do Fundo para Doenças Negligenciadas, para prestar suporte a projetos-piloto voltados para o desenvolvimento clínico, produção, aquisição e distribuição de tratamentos para doenças negligenciadas como a doença de Chagas, a doença do sono e a malária.

O MSF chegou ao Brasil em 1991, para combater uma epidemia de cólera na Amazônia. Após o controle do surto, a organização permaneceu na região até 2002, promovendo um trabalho de medicina preventiva com tribos indígenas.

A primeira intervenção urbana de MSF no Brasil aconteceu em 1993, no Rio de Janeiro, com um projeto de assistência a crianças em situação de rua. Até hoje, foram desenvolvidos 15 projetos no Brasil.

Atualmente, cerca de 100 brasileiros trabalham na ONG.

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MSF NO BRASIL

Entre 1991 e 2009, o Médicos Sem Fronteiras desenvolveu projetos que envolveram o combate a uma epidemia de cólera na Amazônia, a oferta de cuidados a pessoas sem acesso a serviços de saúde na Favela de Vigário Geral, no Rio de Janeiro (RJ), e a vítimas da violência no Complexo do Alemão, também no Rio.

Em 2006, o Médicos Sem Fronteiras estabeleceu um escritório da organização no Brasil; em 2007, foi estruturada a Bramu – Unidade Médica Brasileira.

Os profissionais da Bramu são especializados em doenças tropicais negligenciadas, como dengue e Chagas, em outras doenças infecciosas e em antropologia. Eles prestam suporte técnico a diversos projetos de MSF, contribuindo com estudos científicos, pesquisas, identificação de possíveis melhorias nos protocolos de diagnóstico e tratamento de doenças e realizando treinamentos tanto para profissionais internacionais de MSF quanto para profissionais contratados localmente ou a serviço dos Ministérios da Saúde dos países onde atua. Parcerias estabelecidas localmente também permitem a troca de informações visando o enriquecimento das práticas relacionadas com doenças tropicais. No Brasil, MSF trabalha, muitas vezes, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Com o início do surto de Ebola em março de 2014 na África Ocidental, MSF-Brasil passou a enviar profissionais brasileiros aos projetos em campo e é papel da Bramu assessorá-los. Antes de partir, eles recebem informações sobre a doença e, na medida em que retornam, foram acompanhados pelo período de 21 dias. A Bramu é referência no escritório de Brasil também para assuntos relacionados a esta doença.

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SEJA UM DOADOR

Doadores Sem Fronteiras são pessoas que fazem doações mensais e recorrentes para MSF. É graças a essas contribuições constantes que a entidade pode se planejar, agindo rapidamente em situações de emergência, como no terremoto do Nepal ou no conflito da Síria, tratando pacientes com doenças que exigem cuidados de longo prazo. Para doar, acesse o site do Médicos Sem Fronteiras: https://www.msf.org.br/doador-sem-fronteiras

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