onibus-do-futuro.jpg.640x340_q85_crop Ciência e Tecnologia 

Será este o ônibus do futuro?

Por: David K. Gibson (BBC News). Foto: Charles Bombardier

Ônibus canadense faria recarga ao se deslocar pelas ruas e teria wi-fi por painéis solares.

O canadense Charles Bombardier projeta objetos.

Objetos fantásticos, como um juiz de hóquei robótico, um rebocador que cria ondas para torneios de surfe e montanhas-russas magnetizadas onde os passageiros se sentam em esferas metálicas que flutuam sobre o circuito. Por isso, eis aqui alguém capaz de repensar com competência o conceito de transporte coletivo.

Antes talvez seja importante ressaltar que Bombardier não é nenhum visionário maluco. Seu sobrenome e seus primeiros anos de carreira pertencem à gigante canadense responsável pela fabricação de aviões, trens e outros veículos. Ele é também um designer influente e um investidor conhecido.

O jornal Globe & Mail, de Toronto, publica muitas das ideias de Bombardier na seção “Prototypes”, e foi a publicação que pediu a ele que reinventasse os ônibus para uma das cidades mais movimentadas do Canadá.

O resultado é o Xoupir (pronuncia-se “zupir”), uma fantasia elétrica que pode finalmente tornar o ato de andar de ônibus em algo sexy.

Recarga sob o asfalto

Designer Charles Bombardier já atuou na empresa da família, fabricante de aviões e trens

Motores elétricos moveriam as quatro rodas na traseira de estilo Batmóvel, e o ônibus recarregaria as baterias através de uma rede sem fio e por bobinas de indução escondidas sob o asfalto – ligadas apenas quando o veículo passasse sobre elas.

Painéis solares instalados no teto forneceriam energia para a estação WiMax a bordo, uma unidade que ofereceria wi-fi ultrarrápido para os passageiros e qualquer outra pessoa localizada a um raio de 1,5 quilômetro.

As janelas modificariam sua transparência de acordo com o tempo, enquanto o corpo do ônibus, forrado com diodos orgânicos emissores de luz, poderia exibir uma série de anúncios para os pedestres e motoristas ao redor.

É claro que a passagem seria paga com um aplicativo de smartphone ou um leitor biométrico.

Tecnologias já existentes

Mas talvez o aspecto mais audacioso do Xoupir seja este: ele é inteiramente baseado em tecnologias já existentes.

É verdade que a indução não é o método de recarga elétrica mais eficiente e ainda não existem ruas largas o suficiente para permitir a instalação de bobinas sob sua superfície.

Mas uma autoridade municipal poderia, um dia, abrir corredores e faixas exclusivas com esse tipo de pavimentação. E a possibilidade de oferecer wi-fi e anúncios poderia gerar parte do financiamento necessário.

Pode ser que o transporte público do futuro não se pareça em nada com o Xoupir, mas certamente terá muitos de seus componentes.

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