GORDO Saúde 

Somos o que comemos, como comemos e com quem comemos!

POR – REDAÇÃO NEO MONDO

Terapia de autoconhecimento e cinematerapia na cura de doenças.

O tema, bastante sugestivo, pertence ao livro do médico argentino Hector Ricardo Ojunian, que reconhece ser polêmico no meio médico, por defender a cura de doenças através da alfabetização emocional. Para ele, as doenças são reflexos e escapatórias para não enfrentar os verdadeiros problemas que afligem as pessoas. Em entrevista à Neo Mondo, Ojunian, que é mestre em saúde coletiva e especializado em psiconeuroimunologia, nos fala sobre como ter uma vida sem doenças e sem medicamentos, apenas encarando de frente as dificuldades.

Neo Mondo: Quais as doenças causadas por problemas emocionais?

Hector:
Todas, com exceção das anormalidades genéticas e das provocadas por acidentes. As pessoas somatizam dificuldades emocionais e as transformam em problemas físicos, afinal, a manifestação física é a linguagem do corpo. Quando o indivíduo não sabe lidar com o estresse ruim da vida, ele entra num processo de exaustão, que baixa sua capacidade imunológica e a doença se manifesta. Costumo dizer que o doente é desonesto, pois utiliza a única desculpa convincente para não resolver seus problemas.

Neo Mondo:
Como assim?

Hector: A doença é a única justificativa aceitável para que a pessoa não trabalhe naquele emprego que detesta, é a única forma de adiar a resolução de um relacionamento ruim, é a desculpa perfeita para não ter relação sexual, etc.

Neo Mondo: Mas de que doenças estamos falando?

Hector: Doenças como obesidade, depressão, hipertensão, enxaqueca, pânico e as de final “ite”: (gastrite, rinite, tendinite, sinusite…). No caso da obesidade, podemos rapidamente mudar o que comemos e como comemos, mas o problema pode estar no: “com quem comemos”, que significa ter que enfrentar um problema e tomar atitudes.

Neo Mondo: Mas esse é um processo inconsciente?

Hector: Claro, e o tratamento é exatamente tornar a pessoa consciente disso, através do que chamo de “Alfabetização Emocional”, e ao encarar o verdadeiro problema que está promovendo a doença, inicia-se o processo de cura.

Neo Mondo: Essa não é a mesma linha utilizada nas sessões de psicanálise?

Hector: Sim, mas grande parte da população não tem condições financeiras de arcar com os custos desse tratamento. O trabalho que desenvolvo é acessível à população e aplicado na saúde pública e deveria existir no país todo. Isso reduziria o alto custo da saúde pública atual. Essa linha que adoto vem ocupar uma lacuna entre o trabalho desenvolvido pelo psicólogo (que não tem todos os conhecimentos) e do médico (que não faz a leitura da psicologia). Muitas pessoas que procuram os serviços médicos querem unicamente ser ouvidas, mas isso não acontece nos consultórios e ambulatórios.

Neo Mondo: Como é esse tratamento e onde é realizado?

Hector: Esse tratamento existe há 16 anos e está implantado na Baixada Santista – Santos, São Vicente e Guarujá – através de reuniões coletivas abertas ao público, gratuitamente, conforme já disse. Nesses encontros, torno as pessoas conscientes desse processo que gera doenças, através da interatividade entre os participantes. Elas são convidadas a iniciar um processo de questionamentos e de autoconhecimento. Enfrentar os problemas é algo trabalhoso e muitas vezes doloroso, e nem sempre as pessoas optam por esse caminho. Esse processo de cura pode ser comparado a uma Usina de Reciclagem de Lixo Emocional.

Neo Mondo: Quais as etapas desse tratamento?

Hector: O primeiro princípio dessa cura passa pela alfabetização funcional, ou seja, conseguir interpretar o que lê e ter consciência política. O segundo é ter plena definição de sua identidade sexual. O terceiro é buscar a satisfação na sua vida afetiva sexual. O quarto passo é a cidadania e o exercício de deveres e também de direitos, que precisam ser reivindicados. O quinto é a inserção no mercado de trabalho, pois a pessoa precisa ser capaz de se sustentar, de gerar renda, ser incluída socialmente. E finalmente, o sexto princípio que é o de aprender a se relacionar e se for o caso, conseguir sair inteiro dessa relação. Em síntese, as pessoas precisam deixar de remoer pensamentos e passar a agir.

Neo Mondo: Como utiliza o cinema nesse tratamento?

Hector: Acredito que o cinema seja a arte que melhor imita a vida. Receito a cinematerapia no tratamento, pois auxilia no combate às mágoas e inspira as mudanças de atitudes. Filmes como Shirley Valentine, Sociedade dos Poetas Mortos, Don Juan DeMarco, Muito Além do Jardim, Música do Coração, O Oitavo Dia, entre outros, falam de auto-estima, desafios, monotonia sentimental, resgatam a sensibilidade e estimulam a adoção de novas atitudes.

Posts Relacionados

Deixe um Comentário