Tecido de PET?

A indústria têxtil é a responsável pelo uso de 43% das garrafas Pet recicladas, mas o assunto ainda parece ser novidade.

Roupa de garrafa Pet? Parece de plástico? Comprá-la é uma forma de ajudar o planeta?

Embora a informação de que existem tecidos produzidos a partir da embalagem Pet ainda pareça novidade aos consumidores menos avisados, há anos o Tereftalato de Etileno é usado para a fabricação da fibra de poliéster – misturada na tecelagem, junto com o algodão – basta verificar na etiqueta de sua roupa.

A mistura – antes feita somente com o poliéster virgem, ou seja, sem o reaproveitamento de garrafas – oferece ao tecido maior resistência e faz com que ele amasse menos, ao contrário do tecido 100% algodão, que tende a formar as desagradáveis “bolinhas” e desbotar mais.

No entanto, o Pet, tão famoso em forma de embalagens plásticas transparentes e brilhantes de refrigerantes, volta à sua origem ao se tornar matéria-prima para a indústria têxtil, uma vez que as primeiras pesquisas sobre o Tereftalato de Etileno foram baseadas na área têxtil e aplicadas principalmente nos anos 50, quando a produção de algodão ficou comprometida pela II Guerra Mundial.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de PET (ABIPET), em 2005 foram recicladas no Brasil 174 mil toneladas de embalagens, sendo que 43% foram encaminhadas para a área têxtil. No entanto, somente agora, quando a discussão pela sustentabilidade está em alta, comprar “roupas de PET” virou moda. Sem saber que vestuários, enchimentos de edredons e pelúcias, estofados de automóveis, couro sintético e uma infinidade de produtos têxteis utilizados no dia-a-dia já são há tempos fabricados nessa “versão ecológica”.

Ecológico pela idéia!

Responsável pela produção de 2,5 mil toneladas mensais de diversificadas fibras de poliéster, a Unnafibras, desde 1996, quando a palavra sustentabilidade ainda não era tão disseminada no sentido de conservação e continuidade, já enxergava nas sobras da produção de embalagens PET uma saída eficaz para a fabricação de fibras têxteis.

O sócio-proprietário, José Trevisan Júnior, conta que quando o grupo de trabalhadores da área têxtil se uniu para formar a Unnafibras acreditavam que a aquisição poderia gerar resultado, porém, era preciso se especializar para fazer a diferença no mercado. Focaram o trabalho no poliéster, mas a matéria-prima virgem estava fora do orçamento disponível, então optaram pelo material alternativo.

Segundo Trevisan, este era o período auge da descoberta da Pet pela indústria de bebidas, sendo assim as empresas não tinham a preocupação em reciclar o material e algumas preferiam vender por baixo custo.

Com a crescente expansão e o acúmulo após o consumo, a reciclagem ganhou força e junto com ela a Unnafi bras também pôde ampliar. Em 2001, usando 100% de Pet para composição do produto, a empresa criou a REPET – Reciclagem de Termoplásticos, responsável por comprar, descontaminar, moer, lavar e granular a matéria-prima do poliéster.

Atualmente existem duas unidades da REPET, a central em Mauá (SP) que recebe cerca de 62 milhões de embalagens prensadas, já separadas por cores, coletadas pelos 250 fornecedores de todo país, exceto do Nordeste, onde está localizada a filial em João Pessoa (PB), que recebe o material da região. Juntas, as unidades compram por volta de 3 mil toneladas de garrafas que são encaminhadas para a Unnafibras onde o processo para a fabricação da Ecofibra é finalizado, ficando com uma aparência similar a um tufo de algodão.

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