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Unicamp desenvolve novas tecnologias.

POR – REDAÇÃO NEO MONDO

Além de acordar para o potencial de energias renováveis de que dispõe, o Brasil ainda carece de vontade política e de investimento em infra-estrutura, como laboratórios e equipamentos, lembra Ana Flávia. Longe de ser pessimista – antes ao contrário -, a Profa. Dra. diz “estar bastante otimista” com o momento socioambiental brasileiro. Isto porque, “comparado ao de 10 anos atrás, tanto governo quanto população enxergam que precisamos de alternativas sustentáveis para a questão energética. Não dá mais para ignorar que depender de combustíveis não renováveis não é uma boa estratégia para o pleno crescimento econômico”.

Para daqui a 3 anos

A Unicamp é exemplo de como a comunidade acadêmico-científica é incansável na busca de soluções que tornem o desenvolvimento sustentável do País uma realidade. Casos das células fotoeletroquímicas de óxido de titânio (TIO2), cujos estudos estão mais avançados, e das células fotovoltaicas orgânicas. Temas que ocupam o tempo de Ana Flávia desde 1996, durante seu mestrado.

A cientista fala das vantagens da novidade, que deve constar de produtos como notebooks, celulares e brinquedos daqui a uns três anos. O preço do dispositivo é a maior vantagem em relação aos convencionais – até 80% menor. Para viabilizar o projeto, o LNES criou a Tezca Células Solares, que começa suas atividades neste início de ano na Companhia de Desenvolvimento do Pólo de Alta Tecnologia de Campinas (Ciatec). Agnaldo de Souza Gonçalves, pós-doutorando no IQ da Unicamp, é um dos sócios da empresa, cujo objetivo é transformar conhecimento em produtos. Ele esclarece que um deles é produzir células solares flexíveis de óxido de titânio. O que já é um avanço, mas ainda não é tudo, ressalta Ana Flávia.

Por isso, a universidade está aberta a novas parcerias e até já iniciou contatos com a Sunlab, de Bragança Paulista. A professora tem a exata noção do que pode ser feito para ampliar o alcance social da iniciativa que coordena. A constituição da Tezca como spin-off – uma empresa surgida de um grupo de pesquisa – faz a pesquisadora ver com bons olhos a possibilidade de despertar o interesse de empreendedores dos mais diversos âmbitos, entre eles iniciativa privada, ONGs, governos.

“A combinação de todos traria vantagens enormes. No caso da iniciativa privada, à qual também estamos abertos, vejo uma vantagem a mais. É onde as coisas acontecem mais rapidamente. É só nos procurar, que faremos o contato com a Tezca”, afirma.

A Profa. Dra. tem como preocupação central o crescimento populacional e a demanda cada vez maior de energia. Por isso, não tem dúvida: “Vamos sim ter de buscar alternativas que minimizem o impacto ao planeta”. Se isso for feito por todos o quanto antes, melhor.

Inconformismo X Iniciativa

A Profa. Dra. Ana Flávia não se conforma como o País ainda explora muito pouco a energia solar de que dispõe e revela alguns dados de seus estudos:

• De um potencial de 10 mil mW, estão instalados apenas 12 mW em comunidades isoladas, e outros 80 mW se conectam à rede elétrica, mas em caráter experimental;
• O LNES da Unicamp já tem um protótipo de célula solar de óxido de titânio;
• O dispositivo pode ser aplicado em roupas de uso militar;
• A equipe do LNES trabalha para aprimorar a eficiência das novas tecnologias;
• O momento, histórico, é de dominar essas tecnologias e tornar essas células solares baratas;
• O mercado de produtos eletrônicos portáteis cresce de forma exponencial.

 

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