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Escrito por Neo Mondo | 2 de fevereiro de 2026
Joias Ecológicas da Amazônia nasce mostrando que crédito de carbono não é produto final — é meio - Foto: Ilustrativa/Divulgação
POR - REDAÇÃO NEO MONDO
A nova iniciativa foi fundada por ex-líderes da Future Climate e do BNDES, com um time técnico formado por ex-gestores do ICMBio
A Joias Ecológicas da Amazônia surge como uma nova empresa brasileira dedicada à conservação e ao desenvolvimento socioambiental, à proteção da biodiversidade e à ativação da bioeconomia amazônica e costeira. Idealizada por Pedro Plastino (ex-Future Climate) e Rodrigo Brandão (ex-BNDES), a iniciativa nasce com 740 mil hectares sob gestão socioambiental, distribuídos entre florestas amazônicas e extensos manguezais do litoral norte do país.
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Mais do que um projeto de carbono, a Joias Ecológicas representa uma mudança de paradigma: uma economia climática centrada nas pessoas, que reconhece comunidades tradicionais extrativistas e ribeirinhas como verdadeiras guardiãs dos ecossistemas.
“O crédito de carbono é o início da conversa, não o fim”, explica Pedro Plastino, cofundador da companhia. “Nosso objetivo é que cada hectare preservado gere não apenas benefícios climáticos, mas também renda, dignidade e desenvolvimento para as famílias que vivem da floresta e do mar.”
A empresa aposta em um modelo de carbono comunitário, com lastro na Lei 15.042/2024, no qual 70% dos resultados líquidos retornam às comunidades locais. Esses recursos fortalecem a governança territorial e viabilizam investimentos diretos em educação, energia limpa, água, saneamento e conectividade digital, permanência e desenvolvimento socioprodutivo nos territórios tradicionais.
A meta é alcançar 2 milhões de hectares de floresta amazônica sob conservação até 2026, e mais 200 mil hectares de manguezais, com impacto direto em mais de 30 mil pessoas em territórios extrativistas florestais e marinho-costeiros.
Os manguezais, segundo os especialistas da Joias Ecológicas, são um dos ecossistemas mais eficientes do planeta na captura e armazenamento de carbono. Mas sua importância vai muito além: eles protegem comunidades costeiras contra tempestades e erosão, fornecem subsistência a populações tradicionais, mantêm a biodiversidade marinha e a pesca artesanal viva, e regulam os ciclos de nutrientes dos oceanos tropicais.
Um exemplo emblemático é o pirarucu, símbolo da bioeconomia amazônica: enquanto o quilo do peixe chega a ser vendido por R$ 100 em centros urbanos, nas comunidades extrativistas da Amazônia ele vale cerca de R$ 8. “Se conseguimos elevar o preço pago às comunidades, dobrando ou triplicando esse valor, estamos gerando transformação social real”, comenta Plastino. O exemplo ilustra a lógica da bioeconomia amazônica: agregar valor à produção local é tão importante quanto gerar créditos de carbono.
Para garantir a integridade e a legitimidade social dos projetos, a Joias conta com a consultoria técnica do doutor em Ciências Ambientais Fábio Carvalho, ex-head da Amazônia no ICMBio, reconhecido por quase duas décadas de trabalho com comunidades tradicionais e povos originários na região. Carvalho lidera um núcleo técnico formado por ex-servidores do ICMBio e especialistas em gestão comunitária, bioeconomia e turismo de base comunitária, responsável por desenhar e acompanhar as salvaguardas sociais e ambientais dos projetos.
“Os verdadeiros guardiões dos territórios, floresta e manguezal, são os povos tradicionais”, afirma Carvalho. “O que buscamos é fortalecer as organizações comunitárias e os sistemas de governança, para que esses povos ativem cadeias produtivas sustentáveis. do açaí à castanha, do pirarucu ao caranguejo, e para que conservar a natureza seja um bom negócio para as pessoas.”
A Joias Ecológicas planeja abrir bases operacionais em polos distribuídos pela Amazônia, aproximando sua presença da realidade territorial e reforçando o trabalho de campo com as comunidades parceiras. O objetivo é profissionalizar a integração entre conservação e economia real, com padrões de governança, transparência e compliance equivalentes aos das grandes empresas de infraestrutura e energia, mas com alma amazônica.
“Estamos criando uma nova categoria de ativo: o ativo ecológico brasileiro, que une carbono, biodiversidade e prosperidade social”, complementa Rodrigo Brandão. “É a floresta e o mar gerando valor, não pela exploração, mas pela conservação.”
Com projetos florestais e de carbono azul em expansão, a Joias Ecológicas se posiciona como uma operadora socioambiental de longo prazo, dedicada a transformar conservação em prosperidade e bioeconomia em inclusão, conectando a floresta em pé e o mar vivo à economia do futuro.
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